{"id":8926,"date":"2024-07-18T14:14:53","date_gmt":"2024-07-18T17:14:53","guid":{"rendered":"http:\/\/peabiru.org.br\/?page_id=8926"},"modified":"2024-07-18T14:14:53","modified_gmt":"2024-07-18T17:14:53","slug":"noticias-nectar-da-amazonia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/noticias-nectar-da-amazonia\/","title":{"rendered":"N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia (2014 &#8211; 2018)"},"content":{"rendered":"<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-white-color has-css-opacity has-white-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-medium-font-size\"><strong>Cria\u00e7\u00e3o de abelhas sem ferr\u00e3o: gera\u00e7\u00e3o de renda local a partir da conserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de ambientes naturais<\/strong><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image size-full wp-image-5467 aligncenter\">\n<figure ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/10-151111-urucu-amarela-r-araujo-alta.jpg\" alt=\"10-151111-urucu-amarela-r-araujo-alta\" class=\"wp-image-5467\" srcset=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/10-151111-urucu-amarela-r-araujo-alta.jpg 800w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/10-151111-urucu-amarela-r-araujo-alta-300x200.jpg 300w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/10-151111-urucu-amarela-r-araujo-alta-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:11px\"><em>Detalhe de colmeia de Uru\u00e7\u00fa Amarela (Mel\u00edpona flavolineata), Curu\u00e7\u00e1, PA. <\/em><br>Foto: Rafael Ara\u00fajo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-white-color has-css-opacity has-white-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos as vantagens e benef\u00edcios da cria\u00e7\u00e3o de abelhas sem ferr\u00e3o se popularizaram no Brasil. No in\u00edcio dos anos 2000, uma simples pesquisa sobre meliponicultura em plataformas de busca na internet mostraria apenas pesquisas acad\u00eamicas sobre o assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a descoberta das mel\u00edponas, abelhas sem ferr\u00e3o que n\u00e3o machucam e que produzem um mel de sabor e qualidade diferentes da comum apicultura (da abelha do g\u00eanero <em>Apis)<\/em>, atrai o mercado brasileiro e conquista mais criadores em todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma d\u00e9cada o Instituto Peabiru faz parte desse avan\u00e7o nos aprendizados e conhecimentos do manejo racional das abelhas sem ferr\u00e3o na Amaz\u00f4nia, junto a pequenos agricultores e povos de comunidades tradicionais, quilombolas e ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-white-color has-css-opacity has-white-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Amazon Nectar Project\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/N1-jtIYK_Jw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-white-color has-css-opacity has-white-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-black-color has-text-color\"><span style=\"color:#800000;\"><strong>Os resultados desse trabalho se ampliam e formam, pela primeira vez, uma cadeia comercial, legalizada e regulamentada, do mel de abelhas sem ferr\u00e3o da Amaz\u00f4nia.<\/strong><\/span><\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>O Instituto Peabiru atua na multiplica\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias de cria\u00e7\u00e3o de abelhas sem ferr\u00e3o, com diferentes parceiros e financiadores que acreditam na meliponicultura como alternativa de renda complementar para comunidades tradicionais da Amaz\u00f4nia, aliada a seguran\u00e7a alimentar, recupera\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade local e fortalecimento da diversidade cultural de cada grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o apoio do Fundo Amaz\u00f4nia (BNDES), por meio do projeto N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia, os resultados desse trabalho se ampliam e formam, pela primeira vez, uma cadeia comercial, legalizada e regulamentada, do mel de abelhas sem ferr\u00e3o da Amaz\u00f4nia. O mel da conserva\u00e7\u00e3o da sociobiodiversidade come\u00e7a a ir dos quintais, pomares e a\u00e7aizais da agricultura familiar, para as prateleiras do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background has-normal-font-size\" style=\"background-color:#eeeeee\"><strong>Apicultura e Meliponicultura<\/strong><br><br>O conhecimento de abelhas sempre veio ligado \u00e0 do\u00e7ura do mel e aos riscos e dores de uma picada. Uma ferroada de abelha pode ser fatal. N\u00e3o \u00e9 o caso das mel\u00edponas, abelhas nativas que produzem um mel especial e que, ao contr\u00e1rio das <em>Apis<\/em> (abelhas estrangeiras, ou ex\u00f3ticas), n\u00e3o ferroam. As abelhas sem ferr\u00e3o produzem um delicioso mel, apreciado pelos povos originais h\u00e1 mil\u00eanios, usado na medicina tradicional e rec\u00e9m descoberto por chefs de alta gastronomia. Muitos afirmam ser o mel mais delicioso do mundo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Um trabalho de abelhinhas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros passos do Instituto Peabiru na atividade da meliponicultura partiram, em 2007, com a capacita\u00e7\u00e3o no manejo simplificado das abelhas sem ferr\u00e3o para comunidades tradicionais da Amaz\u00f4nia que, em sua maioria, vivem em situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o social e isolamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Comunidades quilombolas de Macap\u00e1, no Amap\u00e1, foram as primeiras a participar de projetos de capacita\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. As a\u00e7\u00f5es foram ampliadas para quatro grupos ind\u00edgenas do Oiapoque, ainda no Amap\u00e1, pequenos agricultores de Curu\u00e7\u00e1, no Nordeste do Par\u00e1, e, chegaram aos ribeirinhos e agricultores familiares dos munic\u00edpios de Monte Alegre e Almeirim, no Baixo Amazonas, tamb\u00e9m no Par\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full wp-image-5527\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"298\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/meliponc3a1rio-no-quilombo-de-sc3a3o-pedro-dos-bois-macapa-ap-abr-2016.png\" alt=\"meliponc3a1rio-no-quilombo-de-sc3a3o-pedro-dos-bois-macapa-ap-abr-2016\" class=\"wp-image-5527\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Melipon\u00e1rio no Quilombo de S\u00e3o Pedro dos Bois, Macapa, AP. Abr. 2016<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Hoje, ampliam-se os territ\u00f3rios, alcan\u00e7ando Curralinho, na Ilha do Maraj\u00f3, e em breve as ilhas de Bel\u00e9m, no Par\u00e1. O projeto j\u00e1 conta com mais de 5 mil colmeias ativas em 25 comunidades, que em poucos anos podem se transformar em 20 mil colmeias.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-white-color has-css-opacity has-white-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-background\" style=\"background-color:#eeeeee\"><em><strong>&#8220;As abelhas s\u00e3o como um planta que a gente cuida. De manh\u00e3 eu venho, converso com elas. \u00c9 como se eu criasse um bichinho mesmo, um cachorrinho. Eu tenho dois filhos, eles amam mel no p\u00e3o. Caf\u00e9 da manh\u00e3, tem que ter mel. Eles tamb\u00e9m s\u00e3o dedicados a elas, da mesma maneira que eu sou, eles s\u00e3o. O meu filho vem e brinca com elas. Ele p\u00f5e o bra\u00e7o e elas ficam todas no bra\u00e7o dele. Eles gostam muito das abelhinhas&#8221;.<\/strong><\/em><br><br>Maria V. Cordovil, 49 anos (Curu\u00e7\u00e1 &#8211; PA)<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-white-color has-css-opacity has-white-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<p>Na primeira fase das atividades, os agricultores aprendem as t\u00e9cnicas b\u00e1sicas sobre a cria\u00e7\u00e3o de abelhas sem ferr\u00e3o. A prioridade \u00e9 envolver as mulheres, para refor\u00e7ar a seguran\u00e7a alimentar das fam\u00edlias, tanto a partir do pr\u00f3prio mel, como a partir da maior poliniza\u00e7\u00e3o da horta, do pomar e da ro\u00e7a, que passam a produzir mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Um passo a frente \u00e9 ampliar o n\u00famero de colmeias, para que haja produ\u00e7\u00e3o suficiente ao consumo e venda de mel, assegurando renda complementar \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>As abelhas sem ferr\u00e3o se tornam paulatinamente poderosos instrumentos de educa\u00e7\u00e3o ambiental. Ao iniciar a atividade, os pequenos produtores ficam mais atentos aos riscos das queimadas, contrariando a tradi\u00e7\u00e3o de limpar terrenos com fogo; evitam o desmatamento; a polui\u00e7\u00e3o de \u00e1guas; e cuidam melhor do lixo. S\u00e3o servi\u00e7os ambientais e ecossist\u00eamicos agregados \u00e0 meliponicultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses dez anos, o Instituto Peabiru trabalhou com uma metodologia simplificada do manejo das abelhas, apropriada para a regi\u00e3o amaz\u00f4nica. As colmeias s\u00e3o dispostas em caixas de madeira, criadas pelo pesquisador Fernando Oliveira (2000), e oferecem arquitetura adequada para o manejo, a reprodu\u00e7\u00e3o controlada e a produ\u00e7\u00e3o e a coleta de mel.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, os materiais para a confec\u00e7\u00e3o das caixas para colmeias s\u00e3o facilmente encontrados localmente e t\u00eam um baixo custo, o que permite a amplia\u00e7\u00e3o das colmeias ao longo dos anos. Fernando Oliveira \u00e9 um dos principais estudiosos das abelhas sem ferr\u00e3o no Brasil. Atual consultor do N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia, ele inspirou o surgimento do programa, em 2006. Em uma d\u00e9cada de investimentos na meliponicultura, o Instituto Peabiru j\u00e1 contou com diversos colaboradores especialistas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image size-full wp-image-5526 aligncenter\">\n<figure ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"768\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/28-160223-mel-da-pedreira-teste-super-melgueira11.jpg\" alt=\"28-160223-mel-da-pedreira-teste-super-melgueira1\" class=\"wp-image-5526\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:11px\"><em>Supermelgueirda Fernando Oliveira (tamb\u00e9m conhecida como Melgueira X). <\/em><br><em>Mel da Pedreira, Macap\u00e1 (AP<\/em>). Fevereiro de 2016.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Escala produtiva: amplia\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios sociais e ambientais <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2014, com o apoio do Fundo Amaz\u00f4nia (BNDES), essa cadeia de valor se ampliou e se fortaleceu nos territ\u00f3rios de atua\u00e7\u00e3o do Instituto Peabiru. <\/p>\n\n\n\n<p><u><a href=\"http:\/\/peabiru.org.br\/en\/tag\/fundo-amazonia\/\">Saiba mais sobre as a\u00e7\u00f5es apoiadas pelo Fundo Amaz\u00f4nia<\/a>.<\/u><\/p>\n\n\n\n<p>O aumento do conhecimento sobre a meliponicultura, a expans\u00e3o dos aprendizados nas comunidades e os primeiros resultados comerciais vem atraindo mais criadores. Al\u00e9m do mel, o mercado tamb\u00e9m se interessa em adquirir caixas de abelha com colmeias para prover o servi\u00e7o ambiental da poliniza\u00e7\u00e3o e propiciar o aumento de produ\u00e7\u00e3o de diversas culturas agr\u00edcolas comerciais.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-white-color has-css-opacity has-white-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-background has-normal-font-size\" style=\"background-color:#eeeeee\"><strong><em>&#8220;Deu mais facilidade pro trabalho, principalmente das caixas como eram antes pra hoje. A gente dominou, sabe trabalhar com elas agora, sabe transferir do tronco para uma caixa, sabe fazer a alimenta\u00e7\u00e3o, montar o melipon\u00e1rio, deixar o melipon\u00e1rio todo adequado para receber as col\u00f4nias que venham surgindo cada vez mais da reprodu\u00e7\u00e3o das abelhas&#8221;.<\/em> <br><\/strong><br>Evandro Karipuna, 42, Aldeia A\u00e7aizal (Oiapoque, AP)<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-white-color has-css-opacity has-white-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-white-color has-css-opacity has-white-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full wp-image-5528\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"576\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/indc3adgenas-da-aldeia-ac3a7aizal-oiapoque-ap-realizam-reproduc3a7c3a3o-controlada-das-matrizes-abr-2016.png\" alt=\"indc3adgenas-da-aldeia-ac3a7aizal-oiapoque-ap-realizam-reproduc3a7c3a3o-controlada-das-matrizes-abr-2016.png\" class=\"wp-image-5528\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:11px\"><em>Ind\u00edgenas da Aldeia A\u00e7aizal (Oiapoque, AP) realizam reprodu\u00e7\u00e3o controlada das matrizes.<\/em><br><em>Abril de 2016<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Diferentes pesquisas com diversas culturas agr\u00edcolas apontam para o aumento de 30% a 50% da produtividade onde \u00e9 feito o manejo das abelhas sem ferr\u00e3o. Na Amaz\u00f4nia, culturas como a\u00e7a\u00ed, cupua\u00e7u, castanha-do-par\u00e1 e maracuj\u00e1 dependem diretamente de polinizadores como as mel\u00edponas. Quanto mais uma palmeira de a\u00e7a\u00ed \u00e9 polinizada, por exemplo, mais produz cachos cheios de frutos, de melhor tamanho e sabor, e maior durabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, quem deseja iniciar-se na atividade j\u00e1 encontra colmeias legalizadas para comprar e o apoio t\u00e9cnico necess\u00e1rio para produzir. Al\u00e9m disto, com a forma\u00e7\u00e3o e o fortalecimento da cadeia de valor, o produto alcan\u00e7a o mercado com processamento correto e seguro.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho realizado pelo Instituto Peabiru no projeto N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia, financiado pelo Fundo Amaz\u00f4nia, do BNDES, foi fundamental para atingir esses resultados.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Legaliza\u00e7\u00e3o e autoriza\u00e7\u00e3o de manejo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As mel\u00edponas, abelhas sem ferr\u00e3o, s\u00e3o animais silvestres da fauna brasileira, assim como a on\u00e7a pintada, tartarugas marinhas e outros. Essas abelhas precisam de autoriza\u00e7\u00e3o de manejo liberado pelo IBAMA para serem criadas, transportadas e os produtos da meliponicultura comercializados.<\/p>\n\n\n\n<p>Produtores que possuem mais de 49 caixas de abelhas precisam do Cadastro T\u00e9cnico Federal (CTF) e a Autoriza\u00e7\u00e3o de Manejo (AM) com inclus\u00e3o no Sistema de Gest\u00e3o de Fauna (Sisfauna).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full wp-image-5531\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"512\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/rafael_araujo_manejo-de-meliponc3a1rio-da-abelhas-nativa-da-amazc3b4nia-a-uruc3a7c3ba-amarela-melipona-flavolineata-curuc3a7c3a1-pa.jpg\" alt=\"rafael_araujo_manejo-de-meliponc3a1rio-da-abelhas-nativa-da-amazc3b4nia-a-uruc3a7c3ba-amarela-melipona-flavolineata-curuc3a7c3a1-pa.jpg\" class=\"wp-image-5531\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:11px\"><em>T\u00e9cnico Cleiton Santos em Melipon\u00e1rio da abelha silvestre Uru\u00e7\u00fa Amarela (Melipona flavolineata), Curu\u00e7\u00e1, PA. Nov. 2015. Foto: Rafael Ara\u00fajo<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>A principal dificuldade das comunidades tradicionais que criam as abelhas sem ferr\u00e3o \u00e9 que o Sisfauna n\u00e3o contempla ainda as especificidades das abelhas. H\u00e1 diversas exig\u00eancias de monitoramento de indiv\u00edduos, rastreabilidade e informa\u00e7\u00e3o da origem de cada animal, o que n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel &nbsp;com esp\u00e9cies de insetos sociais, como as abelhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o fundamental \u00e9 que a maioria dos agricultores \u00e9 de baixa renda, est\u00e1 isolados, e cadastros como o do sistema de gest\u00e3o de fauna exigem acesso a computadores e escrit\u00f3rios locais de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos habilitados, o que n\u00e3o \u00e9 parte da realidade destas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Instituto Peabiru fez uma campanha pela autoriza\u00e7\u00e3o de manejo simplificado da meliponicultura para comunidades tradicionais da Amaz\u00f4nia junto \u00e0s secretarias de meio ambiente do Par\u00e1 e do Amap\u00e1. Estabelecer ritos simplificados e c\u00e9leres no Sisfauna, sem custos para os pequenos produtores, foi a principal reinvindica\u00e7\u00e3o do movimento, que alcan\u00e7ou importantes vit\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"color:#800000;\">Um dos grandes resultados deste trabalho \u00e9 que todos os melipon\u00e1rios dos produtores do projeto N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia, do Instituto Peabiru, possuem Autoriza\u00e7\u00e3o de Manejo (AM).<\/span><\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Umas das conquistas mais relevantes foi a isen\u00e7\u00e3o pelas SEMAS-PA de taxa de autoriza\u00e7\u00e3o e dispensa de apresenta\u00e7\u00e3o do Cadastro Ambiental Rural (CAR), uma vez que a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria n\u00e3o chegou a muitos desses territ\u00f3rios; com isso, os produtores da agricultura familiar e de comunidades tradicionais podem trabalhar legalizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro grande resultado deste trabalho \u00e9 que todos os melipon\u00e1rios, com mais de 49 caixas, dos produtores do projeto N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia, do Instituto Peabiru, possuem Autoriza\u00e7\u00e3o de Manejo (AM). A legaliza\u00e7\u00e3o permite o registro do produto (mel e derivados) no Servi\u00e7o de Inspe\u00e7\u00e3o Federal (SIF) e garante a comercializa\u00e7\u00e3o certificada da produ\u00e7\u00e3o. Trata-se de algo in\u00e9dito na regi\u00e3o, raro no Brasil, e que abre caminho para milhares de produtores que est\u00e3o na informalidade na Amaz\u00f4nia e no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O Instituto Peabiru trabalha hoje em coopera\u00e7\u00e3o com a Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental para subsidiar um projeto de lei estadual, em processo de discuss\u00e3o na Assembleia Legislativa do Par\u00e1, que visa a cria\u00e7\u00e3o de normas simplificadas para a autoriza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de mel de abelhas sem ferr\u00e3o, a exemplo do que j\u00e1 ocorre nos estados do Rio Grande do Sul e da Bahia.<\/p>\n\n\n\n<p>O Instituto Peabiru defende que cada estado tenha autonomia para criar um sistema pr\u00f3prio de autoriza\u00e7\u00e3o de manejo, utilizando o Sisfauna e desenvolvendo um m\u00e9todo simplificado de regulariza\u00e7\u00e3o da meliponicultura, em fun\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas de cada regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Mel raro e de alto valor comercial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cadeia de produ\u00e7\u00e3o do mel de abelhas sem ferr\u00e3o na Amaz\u00f4nia depende do acesso facilitado aos insumos para essa cria\u00e7\u00e3o, como as caixas adequadas de madeira, as colmeias para a reprodu\u00e7\u00e3o, a assist\u00eancia t\u00e9cnica, entre outros. A amplia\u00e7\u00e3o de produtores e a legaliza\u00e7\u00e3o da atividade permitiram maior oferta desses elementos essenciais para a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse avan\u00e7o \u00e9 resultado de todo o trabalho desenvolvido pelo Instituto Peabiru, nos \u00faltimos tr\u00eas anos, com o financiamento do Fundo Amaz\u00f4nia (BNDES). Os desafios agora relacionam-se \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"color:#800000;\">Com a legaliza\u00e7\u00e3o, o aumento do n\u00famero de colmeias e da produ\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 poss\u00edvel beneficiar o mel e receber selos de inspe\u00e7\u00e3o municipal, estadual e federal, colocando o produto no mercado.<\/span><\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1 uma cadeia totalmente estruturada, porque falta fechar um fluxo regular de comercializa\u00e7\u00e3o, o que deve ocorrer brevemente. O mel de abelhas sem ferr\u00e3o sempre foi comercializado de modo informal, \u00e9 a primeira vez no Brasil que a cadeia de valor \u00e9 plenamente legalizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a legaliza\u00e7\u00e3o, a amplia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e o beneficiamento do mel em locais apropriados a receber os selos de inspe\u00e7\u00e3o (seja municipal, estadual e federal), o produto pode chegar ao mercado com seguran\u00e7a e qualidade.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image size-full wp-image-5457 aligncenter\">\n<figure ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"659\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/8-160223-retirada-seringa1.jpg\" alt=\"8-160223-retirada-seringa1\" class=\"wp-image-5457\" srcset=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/8-160223-retirada-seringa1.jpg 800w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/8-160223-retirada-seringa1-300x247.jpg 300w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/8-160223-retirada-seringa1-768x633.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:11px\"><em>Verifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de Melipona flavolineata. Mel da Pedreira, Macap\u00e1 (AP).<br>Fevereiro de 2016.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Dentro das a\u00e7\u00f5es apoiadas pelo Fundo Amaz\u00f4nia (BNDES), o beneficiamento ser\u00e1 realizado em associa\u00e7\u00e3o com uma f\u00e1brica de mel que j\u00e1 possui toda a infraestrutura e legaliza\u00e7\u00e3o. O envasamento e a rotulagem seguem todas as exig\u00eancias federais para a comercializa\u00e7\u00e3o de um produto agroalimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>A raridade do produto est\u00e1 ligada a sua pequena produ\u00e7\u00e3o. Cada colmeia produz em m\u00e9dia um a dois quilos de mel por ano. &nbsp;Note que nas abelhas <em>Apis, <\/em>conhecidas como europeias, a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 de dez, vinte quilos ou mais por colmeia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Amaz\u00f4nia, a safra do mel \u00e9 no segundo semestre, em seu per\u00edodo mais quente e seco, e dura cerca de dois meses. Neste ano de 2017, a previs\u00e3o \u00e9 de que nas comunidades de Monte Alegre, no Baixo Amazonas do Par\u00e1, a safra seja entre meia e uma tonelada de mel.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"color:#800000;\">O quilo de mel de abelhas sem ferr\u00e3o vai custar em torno de R$ 100, fracionado em garrafas de 150 gramas.<\/span><\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Ainda \u00e9 insignificante se comparado aos n\u00fameros da apicultura no pa\u00eds. Segundo o pesquisador Fernando Oliveira, existem menos de 50 mil colmeias de abelhas sem ferr\u00e3o manejadas no Brasil, e a maioria tem apenas algumas poucas caixas, por\u00e9m esse mel tem um valor comercial cada vez maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de ser raro, pela pequena produ\u00e7\u00e3o, tem caracter\u00edsticas diferentes, por ser mais aquoso e ter menos a\u00e7\u00facar, o que resulta em um produto menos doce e com muitas variedades de sabores. Um ingrediente que ganha status de iguaria gourmet e atrai grandes chefs da gastronomia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um mel da sociobiodiversidade da Amaz\u00f4nia, ao oferecer renda complementar a comunidades tradicionais de baixa renda, que possuem poucas oportunidades de venda de produtos locais. O quilo de mel de abelhas sem ferr\u00e3o vai custar em torno de R$ 100,00 fracionados em garrafas de 150 gramas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Poliniza\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As abelhas s\u00e3o oper\u00e1rias da poliniza\u00e7\u00e3o, trabalham em uma organiza\u00e7\u00e3o social eficiente. Produzem mel, pr\u00f3polis, cera e outros derivados, al\u00e9m de mais colmeias de abelhas para o povoamento da regi\u00e3o. Quanto mais abelhas, mais poliniza\u00e7\u00e3o, mais mel, mais frutos e mais disponibilidade de sementes para a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas ou simples manuten\u00e7\u00e3o das \u00e1reas naturais onde coletam p\u00f3len.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignnone size-full wp-image-5530\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"576\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/super-polinizac3a7c3a3o-em-flor-de-goiabeira-no-porto-da-aldeia-manga-oiapoque-ap-abr-2017.png\" alt=\"super-polinizac3a7c3a3o-em-flor-de-goiabeira-no-porto-da-aldeia-manga-oiapoque-ap-abr-2017\" class=\"wp-image-5530\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:11px\"><em>Super poliniza\u00e7\u00e3o em flor de goiabeira, no porto da Aldeia Manga, Oiapoque (AP). <\/em><br><em>Abril de 2017<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>As abelhas s\u00e3o parceiras do agricultor na produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Cada criador de abelhas sem ferr\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um oper\u00e1rio dessa cadeia de poliniza\u00e7\u00e3o e vida. &nbsp;Ser humano e abelhas trabalham em coopera\u00e7\u00e3o. O pequeno produtor destas abelhas n\u00e3o precisa usar roupas especiais para se proteger da abelha, uma vez que ela n\u00e3o tem ferr\u00e3o; e a abelha n\u00e3o precisa temer o produtor, pois ele contribui para proteger e auxiliar a reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma atividade simples, com investimento baixo e que traz resultados positivos que contribuem para o bem-estar social das fam\u00edlias envolvidas e recupera a floresta e ambientes naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma \u00fanica colmeia de abelhas garante a poliniza\u00e7\u00e3o de dezenas de hectares de \u00e1rea ao redor. O Instituto Peabiru calcula que as 5 mil colmeias do projeto N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia contribuam para a melhor poliniza\u00e7\u00e3o e a conserva\u00e7\u00e3o de 17 mil hectares de matas e ambientes naturais.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"color:#800000;\">Se h\u00e1 mel \u00e9 porque houve poliniza\u00e7\u00e3o. Se houve poliniza\u00e7\u00e3o \u00e9 porque a floresta continua de p\u00e9, saud\u00e1vel e florescendo. Em cada colher de mel de abelhas sem ferr\u00e3o da Amaz\u00f4nia h\u00e1 uma floresta viva.<\/span><\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Esse animalzinho d\u00f3cil, sem ferr\u00e3o, desempenha um trabalho gigantesco e silencioso para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade da Amaz\u00f4nia. Elas carregam e espalham o p\u00f3len, essencial para a manuten\u00e7\u00e3o e a restaura\u00e7\u00e3o da mata e dos ambientes naturais. S\u00e3o aliadas no combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background\" style=\"background-color:#eeeeee\"><br><strong><em>&#8220;\u00c9 um projeto que veio trazer grande mudan\u00e7a pra comunidade, no sentido de que na quest\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o ambiental, aumentou muito a consci\u00eancia de cada morador com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza&#8221;.<br><\/em><\/strong><br>Eliseu Souza, 37 anos, do Quilombo Mel de Pedreira (Macap\u00e1, AP)<br><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de mel de abelhas sem ferr\u00e3o significa gera\u00e7\u00e3o de renda a partir da floresta em p\u00e9. A presen\u00e7a da atividade nas comunidades desestimula as queimadas recorrentes e o desmatamento, afinal, a abelha precisa de ambientes naturais em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o para coletar o p\u00f3len. Isto tem impacto planet\u00e1rio direto, pois contribui \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases que provocam o efeito estufa, ou seja, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Se h\u00e1 mel \u00e9 porque houve poliniza\u00e7\u00e3o. Se houve poliniza\u00e7\u00e3o \u00e9 porque a floresta continua de p\u00e9, saud\u00e1vel e florescendo. Em cada colher de mel de abelhas sem ferr\u00e3o da Amaz\u00f4nia h\u00e1 uma floresta viva.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>Abelhas e o futuro das novas gera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cM\u00e3e, vamos guarda uma caixinha de abelhas pra minha irm\u00e3zinha, quando ela nascer\u201d, disse uma menina de quatro anos, para a sua m\u00e3e gr\u00e1vida em um melipon\u00e1rio de Curu\u00e7\u00e1, no Par\u00e1. A fala dessa crian\u00e7a resume com muita simplicidade e for\u00e7a a import\u00e2ncia do cuidado que se deve ter em rela\u00e7\u00e3o a esses polinizadores especiais que s\u00e3o as abelhas sem ferr\u00e3o da Amaz\u00f4nia. As abelhas garantem a floresta em p\u00e9 para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Abelhas sem ferr\u00e3o para 1 milh\u00e3o de quintais de fam\u00edlias rurais da Amaz\u00f4nia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Todo quintal da agricultura familiar na Amaz\u00f4nia possui pequenos animais de estima\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o para subsist\u00eancia, troca e alguma venda, como galinhas, porcos, etc. O grande desafio do projeto N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia \u00e9 que as abelhas sem ferr\u00e3o se tornem parte da rotina como animais dom\u00e9sticos de agricultores familiares e de comunidades tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O Instituto Peabiru estima que exista mais de 1 milh\u00e3o de fam\u00edlias rurais em situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o na Amaz\u00f4nia. Se as abelhas sem ferr\u00e3o chegam a estes pomares, amplia-se a seguran\u00e7a alimentar dessas popula\u00e7\u00f5es, aumenta-se as oportunidades de renda complementar e da produ\u00e7\u00e3o de frutas e outros produtos a partir da poliniza\u00e7\u00e3o das abelhas. Al\u00e9m disso, fortalece-se o conceito da floresta em p\u00e9 e das culturas tradicionais para seu manejo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image size-full wp-image-5532\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"576\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/o-antigo-meliponc3a1rio-da-famc3adlia-do-sr-everaldo-beneficic3a1rio-foi-consolidado-segunda-as-referc3aancias-do-projeto-nc3a9ctar-sc3a3o-pedro-curuc3a7c3a1-pa-out-2015.png\" alt=\"o-antigo-meliponc3a1rio-da-famc3adlia-do-sr-everaldo-beneficic3a1rio-foi-consolidado-segunda-as-referc3aancias-do-projeto-nc3a9ctar-sc3a3o-pedro-curuc3a7c3a1-pa-out-2015\" class=\"wp-image-5532\" style=\"width:580px;height:435px\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" style=\"font-size:11px\"><em>O antigo melipon\u00e1rio da fam\u00edlia do Sr Everaldo, benefici\u00e1rio, foi consolidado segundo as refer\u00eancias do projeto N\u00e9ctar. S\u00e3o Pedro, Curu\u00e7\u00e1, PA. Out\/ 2015.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>A meliponicultura tem ainda um alto impacto na conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e na manuten\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o das florestas e ambientes naturais da amea\u00e7ada Amaz\u00f4nia, a maior floresta tropical do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background\" style=\"background-color:#eeeeee\"><strong><em>&#8220;Quando a gente tem um trabalho desses, toda a comunidade vai l\u00e1, porque ela acredita no projeto como patrim\u00f4nio, como futuro patrim\u00f4nio da comunidade. O mel vai servir pra muita coisa, pra vender, pra at\u00e9 exportar se for o caso e, principalmente, pra comunidade, pra alimentar o povo da comunidade. Porque n\u00f3s estamos trabalho para o povo ter futuramente o que se alimentar&#8221;<\/em> <br><\/strong><br>Damasceno Karipuna, 43 anos, da Aldeia do A\u00e7aizal (Oiapoque, AP)<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-white-color has-css-opacity has-white-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<p>No contexto amaz\u00f4nico, a renda complementar da produ\u00e7\u00e3o vai para o bolso das mulheres, mais envolvidas na atividade. A venda local do mel de abelhas sem ferr\u00e3o pode significar um aumento de 20% da renda mensal per capta de fam\u00edlias pobres da Amaz\u00f4nia rural. Nas m\u00e3os dessas mulheres, esse recursos t\u00eam alto impacto positivo, s\u00e3o destinados \u00e0 maior seguran\u00e7a alimentar e melhorias da qualidade de vida da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>A meliponicultura se transforma em uma profiss\u00e3o rent\u00e1vel, uma vez que al\u00e9m do mel, as produtoras podem comercializar colmeias e oferecer assist\u00eancia t\u00e9cnica a seus vizinhos. A fam\u00edlia toda se envolve, especialmente os jovens, o que os prepara para novas atividades que podem at\u00e9 mesmo desestimular a migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada do campo para os centro urbanos.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-white-color has-css-opacity has-white-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-background\" style=\"background-color:#eeeeee\"><strong><em>&#8220;A gente tem que fazer a manuten\u00e7\u00e3o, cuidar delas, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil. E a\u00ed elas \u00e9 que trabalham pra gente. V\u00e3o trabalhar no campo pra produzir mel&#8221;.<\/em><br><\/strong><br>Maria D. Santos, 55 anos&nbsp; (Curu\u00e7\u00e1 \u2013 PA)<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-white-color has-css-opacity has-white-background-color has-background\"\/>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>As abelhas sem ferr\u00e3o e o a\u00e7a\u00ed marajoara<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Os resultados do projeto N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia, do Instituto Peabiru, apoiado pelo Fundo Amaz\u00f4nia (BNDES), tamb\u00e9m atra\u00edram outros financiadores e permitiram a amplia\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios e fortalecimento da cadeia de valor do mel de abelhas sem ferr\u00e3o. Este \u00e9 o caso da implanta\u00e7\u00e3o da meliponicultura nos a\u00e7aizais de Curralinho, na Ilha do Maraj\u00f3 (Par\u00e1), em parceria com a Cooperativa Sementes do Maraj\u00f3 e apoio da Funda\u00e7\u00e3o Banco do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O a\u00e7a\u00ed \u00e9 hoje a principal atividade econ\u00f4mica de fam\u00edlias de agricultores tradicionais marajoaras, do Baixo Tocantins, do Amap\u00e1 e outras regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia. A atividade envolve mais de 150 mil coletores, o que garante qualidade de vida para meio milh\u00e3o de pessoas. Somente no estado do Par\u00e1, a cadeia de valor do a\u00e7a\u00ed movimenta cerca de R$ 4 bilh\u00f5es todos os anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que at\u00e9 agora poucos se deram conta \u00e9 que a poliniza\u00e7\u00e3o do a\u00e7aizeiro \u00e9 feita, principalmente, por diferentes esp\u00e9cies de abelhas sem ferr\u00e3o. Ainda n\u00e3o se conhece o verdadeiro impacto da introdu\u00e7\u00e3o da meliponicultura em a\u00e7aizais nativos manejados e este \u00e9 uma das linhas de estudos que o Instituto Peabiru com a Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental se preocupam em realizar.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><span style=\"color:#800000;\">O investimento do Fundo Amaz\u00f4nia (BNDES) tornou poss\u00edvel o envolvimento de outros financiadores, ampliando os resultados al\u00e9m do esperado.<\/span><\/h3>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>A instala\u00e7\u00e3o do melipon\u00e1rio matriz em um a\u00e7aizal no Rio Canaticu, em Curralinho \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o para apoiar o aumento da produ\u00e7\u00e3o e melhorar o valor recebido pelos coletores. As primeiras 25 caixas j\u00e1 foram instaladas.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho foi simplificado devido ao f\u00e1cil acesso aos insumos necess\u00e1rios para iniciar a atividade fornecidos pelas comunidades envolvidas no programa N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>As comunidades de Almerim, no Baixo Amazonas, enviaram as caixas de madeira, as matrizes (colmeias) de abelhas vieram das comunidades de Monte Alegre, tamb\u00e9m no Baixo Amazonas, e a assist\u00eancia t\u00e9cnica foi realizada por t\u00e9cnico oriundo do Nordeste Paraense, de Curu\u00e7\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa \u00e9 que, em um ano, essas 25 caixas se transformem em cerca de 100 caixas. O melipon\u00e1rio da Cooperativa Sementes do Maraj\u00f3 ter\u00e1 capacidade total para 500 caixas de abelhas sem ferr\u00e3o. Futuramente, os estudos cient\u00edficos apresentar\u00e3o o impacto da poliniza\u00e7\u00e3o destas abelhas nos a\u00e7aizeiros do entorno. Nossa cren\u00e7a \u00e9 que a atividade do a\u00e7a\u00ed, assim como a do cacau e de muitas frutas ser\u00e1 realizada em forte parceria com a cria\u00e7\u00e3o de diferentes esp\u00e9cies de abelhas sem ferr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pr\u00f3ximos passos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Para o Instituto Peabiru \u00e9 muito importante reunir os produtores que j\u00e1 se dedicam \u00e0 atividade, mas est\u00e3o isolados. &nbsp;Mesmo sem volume para comercializa\u00e7\u00e3o legalizada e de alto valor, a uni\u00e3o desse produtores pode gerar trocas de experi\u00eancias, avan\u00e7os e fortalecimento da cadeia produtiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o Peabiru espera alcan\u00e7ar novos produtores do Nordeste Paraense, na regi\u00e3o do Salgado Paraense, da Baixada Maranhense, no Maranh\u00e3o, e no Amazonas, entre outros. As experi\u00eancias e aprendizados do Instituto Peabiru em projetos de meliponicultura tamb\u00e9m vem despertando o interesse de iniciativas em pa\u00edses vizinhos, como o Suriname.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p> <a href=\"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/nectar-da-amazonia-saiba-mais\/\">Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o Projeto N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/2019\/02\/01\/peabiru-produtos-da-floresta-lanca-primeiro-mel-de-abelhas-sem-ferrao-legalizado-do-brasil\/\">Lan\u00e7amento pelo Peabiru do Primeiro Mel de Abelhas sem ferr\u00e3o legalizado no Brasil.<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Projeto N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fgHeT1mmbjY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Check out the institutional video of The Amazon Nectar Project.<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto N\u00e9ctar da Amaz\u00f4nia &#8211; H\u00e1 uma d\u00e9cada o Instituto Peabiru faz parte desse avan\u00e7o nos aprendizados e conhecimentos do manejo racional das abelhas sem ferr\u00e3o na Amaz\u00f4nia, junto a pequenos agricultores e povos de comunidades tradicionais, quilombolas e ind\u00edgenas.<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"template-fullwidth.php","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"footnotes":""},"class_list":["post-8926","page","type-page","status-publish","hentry"],"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/8926","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8926"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/8926\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14667,"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/8926\/revisions\/14667"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}