{"id":10863,"date":"2021-12-10T08:52:19","date_gmt":"2021-12-10T11:52:19","guid":{"rendered":"https:\/\/peabiru.org.br\/?p=10863"},"modified":"2022-06-01T09:59:53","modified_gmt":"2022-06-01T12:59:53","slug":"direitos-e-seguranca-na-cadeia-de-valor-do-acai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/2021\/12\/10\/direitos-e-seguranca-na-cadeia-de-valor-do-acai\/","title":{"rendered":"Direitos e seguran\u00e7a do trabalho na cadeia de valor do a\u00e7a\u00ed"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O trabalho prec\u00e1rio e o trabalho infantil na colheita do fruto imp\u00f5em a\u00e7\u00f5es coordenadas do setor produtivo para resolu\u00e7\u00e3o de problemas estruturais e garantia de direitos<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/curralinho-suanemelo-18-resize-tiny-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12306\" srcset=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/curralinho-suanemelo-18-resize-tiny-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/curralinho-suanemelo-18-resize-tiny-300x225.jpg 300w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/curralinho-suanemelo-18-resize-tiny-768x576.jpg 768w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/curralinho-suanemelo-18-resize-tiny-16x12.jpg 16w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/curralinho-suanemelo-18-resize-tiny.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O a\u00e7a\u00ed tradicionalmente comp\u00f5e a dieta alimentar das popula\u00e7\u00f5es na Amaz\u00f4nia Oriental, particularmente das popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas, que disp\u00f5em de a\u00e7aizais nativos de v\u00e1rzea no entorno de suas casas. O fruto \u00e9 item b\u00e1sico de seguran\u00e7a alimentar e ajudou de forma efetiva parte da popula\u00e7\u00e3o local no enfrentamento da fome.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O consumo do a\u00e7a\u00ed tamb\u00e9m alcan\u00e7a, em grandes volumes, as zonas urbanas da regi\u00e3o e, recentemente, observa-se crescente demanda de mercados tamb\u00e9m em n\u00edvel nacional e mundial, a partir da produ\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias de alimentos e cosm\u00e9ticos. Atualmente, a produ\u00e7\u00e3o e a extra\u00e7\u00e3o do a\u00e7a\u00ed \u00e9 tamb\u00e9m fonte de parte significativa da renda anual das comunidades extrativistas na Amaz\u00f4nia Oriental, mobilizando fam\u00edlias inteiras na coleta, movimentando a venda em portos e feiras locais e o abastecimento de f\u00e1bricas e batedores em cidades pr\u00f3ximas. Com a produ\u00e7\u00e3o anual de mais de 1 milh\u00e3o de toneladas do fruto, o que corresponde a aproximadamente 95% da produ\u00e7\u00e3o nacional, o estado do Par\u00e1 desponta como o maior produtor de a\u00e7a\u00ed do mundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Nossa atua\u00e7\u00e3o no tema<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Instituto Peabiru trabalha h\u00e1 16 anos com a cadeia de valor do a\u00e7a\u00ed, na organiza\u00e7\u00e3o socioprodutiva de grupos comunit\u00e1rios na Amaz\u00f4nia e na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre esta complexa cadeia de valor baseada na Amaz\u00f4nia. \u00c9 o caso do projeto \u201c<strong><em>Fortalecimento produtivo e organizativo nos Rios Urinduba e Araraiana<\/em><\/strong>\u201d realizado em Ponta de Pedras, no Maraj\u00f3, financiado pelo Instituto Louis Dreyfus. Como parte do projeto, foram realizadas oficinas de associativismo entre fevereiro e mar\u00e7o de 2020, reuni\u00f5es de negocia\u00e7\u00e3o de a\u00e7a\u00ed com ind\u00fastrias processadoras, oficina de estabelecimento de protocolo comunit\u00e1rio de comercializa\u00e7\u00e3o, monitoramento da safra de a\u00e7a\u00ed 2020 (agosto de 2020 a janeiro de 2021), oficina de boas pr\u00e1ticas financeiras e de forma\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o de produtos. Durante a safra de 2020, as comunidades iniciaram os processos de comercializa\u00e7\u00e3o conjunta, tendo uma delas, a do rio Urinduba, conseguido vender parte de sua produ\u00e7\u00e3o para a ind\u00fastria. Dados do monitoramento dessa comercializa\u00e7\u00e3o demonstraram que houve um incremento na renda dessas fam\u00edlias a partir do momento em que conseguiram alcan\u00e7ar melhores pre\u00e7os em seus produtos e diversificar seus compradores. O trabalho do Instituto Peabiru na cadeia do a\u00e7a\u00ed tem produzido materiais de refer\u00eancia sobre o tema. Em maio de 2016, a convite do Programa Trabalho Seguro, do Tribunal Regional do Trabalho TRT-8, o Peabiru realizou, em parceria com a Fundacentro, e de produtores locais do munic\u00edpio de Curralinho, Maraj\u00f3, um diagn\u00f3stico das condi\u00e7\u00f5es de trabalho na cadeia produtiva do a\u00e7a\u00ed, culminando na publica\u00e7\u00e3o do estudo <a href=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/o-peconheiro-diagnostico-acai-peabiru-fundacentro.pdf\"><em>\u201cO peconheiro\u201d Diagn\u00f3stico das condi\u00e7\u00f5es de trabalho do extrativista de a\u00e7a\u00ed\u201d<\/em><\/a><em> <\/em>e resumido no v\u00eddeo <a href=\"https:\/\/youtu.be\/XpoEODSPXy0\"><em>Trabalho seguro e a\u00e7ai &#8211; A rotina do extrativista ribeirinho<\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:34px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-fe48e5de wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline is-style-outline--1\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/o-peconheiro-diagnostico-acai-peabiru-fundacentro.pdf\" style=\"border-radius:0px\">Access the <br><strong>Diagn\u00f3stico das condi\u00e7\u00f5es de trabalho do extrativista de a\u00e7a\u00ed<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:25px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Trabalho Seguro e A\u00e7a\u00ed - A rotina do extrativista ribeirinho\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XpoEODSPXy0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda em 2016, como resultado de mapeamento realizado com o PNUD (Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento), o Instituto Peabiru publicou o livro <a href=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/160505_livreto_pnud.pdf\">\u201cPlanejamento estrat\u00e9gico para o fortalecimento do arranjo produtivo local da cadeia de valor do a\u00e7a\u00ed do Maraj\u00f3\u201d<\/a>. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto de uma constru\u00e7\u00e3o coletiva e territorial com o objetivo de fortalecer a cadeia de valor do a\u00e7a\u00ed no Maraj\u00f3, no \u00e2mbito do Projeto BRA\/08\/012.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:21px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-fe48e5de wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline is-style-outline--2\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/160505_livreto_pnud.pdf\" style=\"border-radius:0px\">Acesse a publica\u00e7\u00e3o<br><strong>Planejamento estrat\u00e9gico para o fortalecimento do arranjo produtivo local da cadeia de valor do a\u00e7a\u00ed do Maraj\u00f3<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:18px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2020, no \u00e1pice da pandemia de covid-19, que afetou duramente as fam\u00edlias cuja renda deriva da venda do fruto, o Peabiru publicou artigo especial sobre os impactos relacionados \u00e0<em> <\/em><a href=\"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/2020\/06\/05\/pandemia-agricultura-familiar-e-seguranca-alimentar-na-amazonia\/?fbclid=IwAR0_oQLjQ9phd3dBtgSBjucFUS9Gr1PJwQEWjeelKrV9GpFktDZdsrLbdLo\"><em>\u201dPandemia, agricultura familiar e seguran\u00e7a alimentar na Amaz\u00f4nia &#8211; Riscos da COVID-19 na cadeia de valor do a\u00e7a\u00ed<\/em><\/a><em>\u201d. <\/em>O artigo buscou registrar e apontar solu\u00e7\u00f5es perante os riscos decorrentes da pandemia, identificados na cadeia de valor, principalmente em rela\u00e7\u00e3o aos produtores da base da cadeia.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:21px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-fe48e5de wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button is-style-outline is-style-outline--3\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/2020\/06\/05\/pandemia-agricultura-familiar-e-seguranca-alimentar-na-amazonia\/?fbclid=IwAR0_oQLjQ9phd3dBtgSBjucFUS9Gr1PJwQEWjeelKrV9GpFktDZdsrLbdLo\" style=\"border-radius:0px\">Acesse o artigo <br><strong>Pandemia, agricultura familiar e seguran\u00e7a alimentar na Amaz\u00f4nia<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:14px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde 2019, o Peabiru tamb\u00e9m participa da rede de atores da iniciativa <a href=\"https:\/\/blog.institutoterroa.org\/dialogosproacai\/\">Di\u00e1logos Pro-a\u00e7a\u00ed<\/a>, que vem abrindo espa\u00e7o para o debate de quest\u00f5es centrais referentes \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o setorial para fomento \u00e0 cadeia produtiva do a\u00e7a\u00ed. A iniciativa \u00e9 organizada pelo Projeto Mercados Verdes e Consumo Sustent\u00e1vel, parceria entre o Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (MAPA) e Coopera\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (GIZ), com apoio da WWF-Brasil, e conduzido pelo Instituto Terro\u00e1 e Cons\u00f3rcio EcoConsult\/IPAM. Como membro da rede, o Peabiru foi convidado para apresentar ao grupo as reflex\u00f5es e principais resultados do diagn\u00f3stico sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho na cadeia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O trabalho prec\u00e1rio na cadeia do a\u00e7a\u00ed<\/strong><\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1920\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/retirada-ac3a7ac3ad-alan-kardek-2.jpg?w=520\" alt=\"\" class=\"wp-image-3304\" srcset=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/retirada-ac3a7ac3ad-alan-kardek-2.jpg 1920w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/retirada-ac3a7ac3ad-alan-kardek-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/retirada-ac3a7ac3ad-alan-kardek-2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/retirada-ac3a7ac3ad-alan-kardek-2-768x432.jpg 768w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/retirada-ac3a7ac3ad-alan-kardek-2-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/retirada-ac3a7ac3ad-alan-kardek-2-2048x1152.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption><em>Foto: Alan Kardek<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na cadeia do a\u00e7a\u00ed a colheita \u00e9 feita de forma manual, com a subida dos apanhadores (peconheiros) nas palmeiras, que t\u00eam troncos finos e podem chegar a 20m de altura. Grande parte da colheita \u00e9 feita de forma rudimentar, sem o uso de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a (EPI). Os acidentes cotidianos decorrentes dessa pr\u00e1tica ainda s\u00e3o invisibilizados, sub representados nas estat\u00edsticas oficiais. Ainda, \u00e9 grande o envolvimento de menores de idade na colheita e manuseio do fruto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme demonstrado em nossas publica\u00e7\u00f5es e de demais atores, da academia e do terceiro setor, a precariedade do trabalho de dezenas de milhares de coletores que atuam na colheita do a\u00e7a\u00ed n\u00e3o \u00e9 tema novo. Contudo, a quest\u00e3o tem despontado como t\u00f3pico de interesse de importantes ve\u00edculos nacionais e internacionais. \u00c9 o caso da recente mat\u00e9ria do jornal estadounidense <em>Washington Post<\/em>, que destacou o <a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/world\/2021\/11\/28\/brazil-acai-child-labor\/\">trabalho infantil na cadeia do a\u00e7a\u00ed<\/a> e do jornal <em>The Intercept Brasil<\/em>, que em dezembro de 2019 dedicou <a href=\"https:\/\/theintercept.com\/2019\/12\/31\/acai-trabalho-infantil-para\/\">reportagem especial ao mesmo tema<\/a>. <br><br>Soma-se ao conte\u00fado jornal\u00edstico produzido sobre a precariedade do trabalho, a <a href=\"https:\/\/youtu.be\/nXHpHEyhTiA\">reportagem do Jornal Record <\/a>sobre os riscos do trabalho na colheita do a\u00e7a\u00ed, veiculada ainda no ano de 2018.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"jetpack-video-wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Colheita do a\u00e7a\u00ed esconde riscos para 200 mil ribeirinhos na Amaz\u00f4nia\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nXHpHEyhTiA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:29px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que fazer<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relat\u00f3rio do \u201c<em><strong>Diagn\u00f3stico das condi\u00e7\u00f5es de trabalho do extrativista de a\u00e7a\u00ed<\/strong><\/em>\u201d aponta caminhos para o enfrentamento conjunto dos problemas associados ao trabalho na cadeia do a\u00e7a\u00ed. Aqui atualizamos as recomenda\u00e7\u00f5es sobre os caminhos a seguir no sentido de endere\u00e7ar o tema do trabalho prec\u00e1rio e do trabalho infantil ligados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7a\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:21px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Para discutir o trabalho infantil e juvenil<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Oficinas com as comunidades produtoras para a compreens\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o e os riscos do trabalho infantil e juvenil, e como se adaptar aos desafios da agricultura familiar;&nbsp;&nbsp;<\/li><li>Eventos com as autoridades p\u00fablicas e especialistas (Minist\u00e9rio p\u00fablico do Trabalho, academia, UNICEF, movimentos sociais etc.) para debater a quest\u00e3o e definir metas claras para os pr\u00f3ximos anos;&nbsp;&nbsp;<\/li><li>Discuss\u00e3o com os elos da cadeia de valor que adquirem o a\u00e7a\u00ed sobre como enfrentar a quest\u00e3o e estabelecer metas e prazos para cumprimento.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Para evitar acidentes<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Oficinas de capacita\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o coletiva, que envolvam os apanhadores de a\u00e7a\u00ed (peconheiros) na defini\u00e7\u00e3o de protocolos de seguran\u00e7a local, como a defini\u00e7\u00e3o de roupas (cal\u00e7a, camisa com manga, chap\u00e9u, luvas etc.), cal\u00e7ados e equipamentos (bainha para fac\u00e3o, cordas de seguran\u00e7a etc. que protejam o(a) trabalhador(a), e permitam o exerc\u00edcio adequado da profiss\u00e3o, a subida nas \u00e1rvores e a circula\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas florestais e inundadas;<\/li><li>Oficinas de manejo seguro dos a\u00e7aizais \u2013 o que resultaria em substantiva diminui\u00e7\u00e3o da altura da \u00e1rvore e a \u201climpeza\u201d das \u00e1reas de circula\u00e7\u00e3o;<\/li><li>Ado\u00e7\u00e3o de protocolo pelas autoridades p\u00fablicas e a sua divulga\u00e7\u00e3o junto \u00e0 cadeia de valor e cobran\u00e7a dos diferentes atores para a sua ado\u00e7\u00e3o;<\/li><li>Estrutura\u00e7\u00e3o e acompanhamento de indicadores de seguran\u00e7a no trabalho e sa\u00fade p\u00fablica para a cadeia de valor;<\/li><li>Capacita\u00e7\u00e3o de coletores e elos associados na base da cadeia de valor em t\u00e9cnicas de primeiros socorros e procedimentos para atendimento no sistema de sa\u00fade p\u00fablica;<\/li><li>Assist\u00eancia t\u00e9cnica e extens\u00e3o rural (ATER), e as pol\u00edticas p\u00fablicas a esta relacionadas, que considerem as quest\u00f5es de seguran\u00e7a no trabalho;&nbsp;<\/li><li>Cr\u00e9dito ao produtor associado a compromissos nas quest\u00f5es acima levantadas.<\/li><li>Inclus\u00e3o das normas de seguran\u00e7a nos diferentes processos de certifica\u00e7\u00e3o da atividade.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Responsabiliza\u00e7\u00e3o da cadeia de valor<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Eventos de debate do poder p\u00fablico com os demais elos da cadeia de valor \u2013 compradores de a\u00e7a\u00ed, em suas diversas escalas (ind\u00fastria, batedores, governo) \u2013 para definir par\u00e2metros m\u00ednimos;&nbsp;<\/li><li>Revis\u00e3o do processo de pagamento do fruto para a base da cadeia para que, minimamente, inclua de alguma maneira a remunera\u00e7\u00e3o do fornecedor do fruto (o peconheiro e a fam\u00edlia produtora) \u2013 no que se repassa recursos para garantir que o produtor cumpra um protocolo m\u00ednimo de uso de roupas e equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual adequados (a ser definido) e de cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista (especialmente no que se refere ao trabalho infantil); e,<\/li><li>Informa\u00e7\u00e3o ao consumidor sobre as pol\u00edticas dos elos da cadeia relacionadas \u00e0 seguran\u00e7a no trabalho e o trabalho infantil, que permitam a sua verifica\u00e7\u00e3o (rastreamento).<\/li><\/ul>\n\n\n\n<div style=\"height:18px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outras recomenda\u00e7\u00f5es podem ser acessadas integralmente no <a href=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/o-peconheiro-diagnostico-acai-peabiru-fundacentro.pdf\">documento<\/a> de resultados do \u201cDiagn\u00f3stico das condi\u00e7\u00f5es de trabalho do extrativista de a\u00e7a\u00ed\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Contribui\u00e7\u00f5es do Peabiru<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reconhecendo seu papel como organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil atuante em cadeias de valor da Amaz\u00f4nia, o Instituto Peabiru refor\u00e7a o seu interesse e disponibilidade para a constru\u00e7\u00e3o de projetos, facilita\u00e7\u00e3o de di\u00e1logos e implementa\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es para o alcance de melhores pr\u00e1ticas relacionadas ao trabalho e demais aspectos sociais na cadeia produtiva do a\u00e7a\u00ed. Atrav\u00e9s de articula\u00e7\u00f5es com a academia, o poder p\u00fablico e o setor privado, buscamos contribuir para a melhoria da qualidade de vida do extrativista de a\u00e7a\u00ed ao propor melhorias para a maior seguran\u00e7a no trabalho e a elimina\u00e7\u00e3o do trabalho infantil. Para os empreendimentos que t\u00eam na sua base a produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7a\u00ed, bem como outros atores do setor privado, sinalizamos as oportunidades para o engajamento em a\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias, no sentido de diminui\u00e7\u00e3o dos riscos do neg\u00f3cio e efetiva contribui\u00e7\u00e3o setorial na elimina\u00e7\u00e3o de problemas sociais que impactam negativamente os indicadores da cadeia.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O trabalho prec\u00e1rio e o trabalho infantil na colheita do fruto imp\u00f5em a\u00e7\u00f5es coordenadas do setor produtivo para resolu\u00e7\u00e3o de problemas estruturais e garantia de direitos Introdu\u00e7\u00e3o O a\u00e7a\u00ed tradicionalmente comp\u00f5e a dieta alimentar das popula\u00e7\u00f5es na Amaz\u00f4nia Oriental, particularmente das popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas, que disp\u00f5em de a\u00e7aizais nativos de v\u00e1rzea no entorno de suas casas. 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