{"id":15704,"date":"2026-09-14T17:26:24","date_gmt":"2026-09-14T20:26:24","guid":{"rendered":"https:\/\/peabiru.org.br\/?p=15704"},"modified":"2026-09-14T17:26:24","modified_gmt":"2026-09-14T20:26:24","slug":"equidade-etnico-racial-municipios-discutem-caminhos-para-enfrentar-o-racismo-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/2026\/09\/14\/equidade-etnico-racial-municipios-discutem-caminhos-para-enfrentar-o-racismo-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Equidade \u00e9tnico-racial: munic\u00edpios discutem caminhos para enfrentar o racismo na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Encontros formativos do Selo UNICEF re\u00fanem gestores e atores municipais no Par\u00e1, Amap\u00e1, Mato Grosso e Tocantins para fortalecer pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da igualdade racial e \u00e0 garantia de direitos de crian\u00e7as e adolescentes.\u00a0<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"741\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Vicente-de-souza.JPG-1024x741.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15705\" srcset=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Vicente-de-souza.JPG-1024x741.jpeg 1024w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Vicente-de-souza.JPG-300x217.jpeg 300w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Vicente-de-souza.JPG-767x555.jpeg 767w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Vicente-de-souza.JPG-17x12.jpeg 17w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Vicente-de-souza.JPG-1536x1112.jpeg 1536w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Vicente-de-souza.JPG.jpeg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Vicente de Souza.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre 2021 e 2023, 15.101 adolescentes e jovens foram v\u00edtimas de viol\u00eancia letal no Brasil. Desse total, 83,6% eram negros, segundo o <em>Panorama de Viol\u00eancia Letal e Sexual<\/em>, produzido pelo UNICEF e pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. Em 2024, das 87.545 v\u00edtimas de estupro e estupro de vulner\u00e1vel registradas no pa\u00eds, 76,8% eram menores de idade e 55,6% eram negras. Os n\u00fameros mostram uma das dimens\u00f5es das desigualdades \u00e9tnico-raciais que atravessam a vida de crian\u00e7as e adolescentes no Brasil. Al\u00e9m disso,&nbsp; racismo tamb\u00e9m aparece em espa\u00e7os cotidianos, como escolas, servi\u00e7os p\u00fablicos e locais de conviv\u00eancia, afetando o acesso a direitos desde os primeiros anos de vida. Um levantamento da Funda\u00e7\u00e3o Maria Cec\u00edlia Souto Vidigal, citado pelo UNICEF, aponta que 54% dos respons\u00e1veis por crian\u00e7as de 0 a 6 anos relataram epis\u00f3dios de racismo vivenciados por elas em creches ou pr\u00e9-escolas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As desigualdades n\u00e3o aparecem apenas nos indicadores de viol\u00eancia. Elas tamb\u00e9m est\u00e3o presentes no acesso a direitos b\u00e1sicos, como educa\u00e7\u00e3o, \u00e1gua e saneamento. Dados do UNICEF tamb\u00e9m mostram que, em 2024, 79,1% dos adolescentes ind\u00edgenas de 15 a 17 anos estavam matriculados no ensino m\u00e9dio, enquanto entre adolescentes brancos o percentual era de 86,9%. No acesso \u00e0 \u00e1gua, 25% das crian\u00e7as e adolescentes ind\u00edgenas n\u00e3o tinham abastecimento adequado, contra 2,2% das crian\u00e7as brancas. Entre a popula\u00e7\u00e3o quilombola, 90% enfrentavam algum tipo de inseguran\u00e7a no acesso \u00e0 \u00e1gua ou ao esgotamento sanit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"577\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Elmano-Pantoja.JPG-1024x577.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15706\" srcset=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Elmano-Pantoja.JPG-1024x577.jpeg 1024w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Elmano-Pantoja.JPG-300x169.jpeg 300w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Elmano-Pantoja.JPG-767x432.jpeg 767w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Elmano-Pantoja.JPG-1536x866.jpeg 1536w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Elmano-Pantoja.JPG-18x10.jpeg 18w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Elmano-Pantoja.JPG.jpeg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Elmano Pantoja.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses indicadores ajudam a explicar por que o enfrentamento das desigualdades \u00e9tnico-raciais tamb\u00e9m precisa fazer parte das pol\u00edticas p\u00fablicas. Falar em equidade \u00e9tnico-racial significa reconhecer que crian\u00e7as e adolescentes n\u00e3o vivem nas mesmas condi\u00e7\u00f5es e que diferentes grupos podem enfrentar barreiras para acessar seus direitos. Essa discuss\u00e3o envolve a popula\u00e7\u00e3o negra, os povos ind\u00edgenas, as comunidades quilombolas, ribeirinhas, de terreiro e diversas outras, considerando suas diferentes identidades, culturas, formas de organiza\u00e7\u00e3o e territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, promover equidade n\u00e3o significa oferecer exatamente a mesma resposta para todas as pessoas, mas considerar as desigualdades existentes para que as pol\u00edticas p\u00fablicas consigam garantir direitos de forma mais efetiva. Na Amaz\u00f4nia, essa agenda ganha caracter\u00edsticas pr\u00f3prias diante da presen\u00e7a de popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e quilombolas e da diversidade dos territ\u00f3rios. Considerar essas diferen\u00e7as tamb\u00e9m significa observar como as pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es funcionam. \u00c9 nesse ponto que aparece o conceito de racismo institucional, relacionado \u00e0s desigualdades que podem ser reproduzidas pelas institui\u00e7\u00f5es por meio da forma como pol\u00edticas, servi\u00e7os e atendimentos s\u00e3o planejados e executados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Adriano do Egito, mobilizador de adolescentes e ponto focal do Resultado Sist\u00eamico 6 do Instituto Peabiru, enfrentar esse tipo de desigualdade exige que a discuss\u00e3o fa\u00e7a parte da gest\u00e3o p\u00fablica e n\u00e3o fique restrita a a\u00e7\u00f5es pontuais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando a gente fala de equidade \u00e9tnico-racial, a gente est\u00e1 falando de reconhecer que existem diferentes realidades dentro dos munic\u00edpios e que essas diferen\u00e7as precisam ser consideradas pelas pol\u00edticas p\u00fablicas. No contexto amaz\u00f4nico, isso significa olhar para a popula\u00e7\u00e3o negra, para os povos ind\u00edgenas e para as comunidades quilombolas, entendendo quais s\u00e3o as barreiras que essas popula\u00e7\u00f5es enfrentam para acessar seus direitos. O nosso papel \u00e9 justamente apoiar os munic\u00edpios para que eles consigam identificar essas desigualdades e pensar em a\u00e7\u00f5es que fa\u00e7am parte da pr\u00f3pria gest\u00e3o\u201d, destaca Adriano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Equidade \u00e9tnico-racial e gest\u00e3o p\u00fablica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse processo que entra o Selo UNICEF, iniciativa do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (UNICEF) voltada ao fortalecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas para a garantia dos direitos de crian\u00e7as e adolescentes. No Par\u00e1, Amap\u00e1, Mato Grosso e Tocantins, a iniciativa \u00e9 implementada pelo Instituto Peabiru e mobiliza os munic\u00edpios para qualificar suas pol\u00edticas e desenvolver a\u00e7\u00f5es relacionadas a \u00e1reas estrat\u00e9gicas para a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos quatro estados, a discuss\u00e3o sobre equidade \u00e9tnico-racial tamb\u00e9m envolve uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e quilombola. Segundo o Censo 2022 do IBGE, Amap\u00e1, Mato Grosso e Tocantins possuem, respectivamente, 5.095, 28.274 e 9.172 crian\u00e7as e adolescentes ind\u00edgenas de 0 a 17 anos. No Par\u00e1, s\u00e3o 29.378 crian\u00e7as e adolescentes ind\u00edgenas e 36.842 quilombolas na faixa de 0 a 14 anos. Entre crian\u00e7as e adolescentes quilombolas de 0 a 17 anos, s\u00e3o 4.611 no Amap\u00e1, 3.123 no Mato Grosso e 4.116 no Tocantins.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na edi\u00e7\u00e3o 2025\u20132028, a equidade \u00e9tnico-racial passou a integrar pela primeira vez a metodologia do Selo UNICEF. A tem\u00e1tica est\u00e1 presente de forma transversal nos Resultados Sist\u00eamicos, que re\u00fanem a\u00e7\u00f5es que orientam os munic\u00edpios em \u00e1reas consideradas estrat\u00e9gicas para a garantia dos direitos de crian\u00e7as e adolescentes. Nesta edi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 tamb\u00e9m um resultado espec\u00edfico, o Resultado Sist\u00eamico 6, voltado ao fortalecimento da capacidade dos munic\u00edpios de enfrentar o racismo institucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;O Selo UNICEF \u00e9 uma ferramenta que deve fortalecer as pol\u00edticas p\u00fablicas nos munic\u00edpios . A proposta \u00e9 apoiar e qualificar a atua\u00e7\u00e3o das gest\u00f5es municipais para que a perspectiva \u00e9tnico-racial seja incorporada \u00e0s pol\u00edticas existentes e \u00e0s a\u00e7\u00f5es desenvolvidas nos territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Chico-Atanasio.jpg-1-1024x683.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15710\" srcset=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Chico-Atanasio.jpg-1-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Chico-Atanasio.jpg-1-300x200.jpeg 300w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Chico-Atanasio.jpg-1-768x512.jpeg 768w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Chico-Atanasio.jpg-1-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Chico-Atanasio.jpg-1-18x12.jpeg 18w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Creditos-Chico-Atanasio.jpg-1.jpeg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O Selo UNICEF \u00e9 uma iniciativa do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (UNICEF) que visa fortalecer as pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para crian\u00e7as e adolescentes nos munic\u00edpios brasileiros, especialmente nas regi\u00f5es do Semi\u00e1rido e da Amaz\u00f4nia Legal. Nos ciclos do projeto, os munic\u00edpios participantes assumem compromissos que devem ser cumpridos por meio da realiza\u00e7\u00e3o de atividades-chave, com foco em educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, prote\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o social.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Mariana Machado Rocha, chefe do UNICEF para os estados do Par\u00e1, Amap\u00e1, Tocantins e Mato Grosso, incorporar a equidade \u00e9tnico-racial \u00e0 metodologia do Selo significa fortalecer essa agenda dentro da gest\u00e3o municipal.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O racismo e as desigualdades&nbsp; sociais t\u00eam impactos concretos na vida de crian\u00e7as e adolescentes em todo o Brasil. O Selo UNICEF 2025-2028 incorpora essa agenda pela primeira vez \u00e0 sua metodologia, entendendo que ela n\u00e3o pode ser tratada como uma a\u00e7\u00e3o isolada. A proposta \u00e9 apoiar os munic\u00edpios para que o enfrentamento ao racismo institucional esteja presente nas diferentes \u00e1reas da gest\u00e3o e para que as pol\u00edticas p\u00fablicas considerem as caracter\u00edsticas e as necessidades espec\u00edficas das popula\u00e7\u00f5es dos seus territ\u00f3rios.\u201d, explica Mariana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o para levar a discuss\u00e3o aos territ\u00f3rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das estrat\u00e9gias para fortalecer essa agenda \u00e9 o 4\u00ba Ciclo de Forma\u00e7\u00e3o de Equidade \u00c9tnico-Racial da edi\u00e7\u00e3o 2025\u20132028 do Selo UNICEF re\u00fane gestoras e gestores, equipes t\u00e9cnicas, mobilizadores e adolescentes para discutir como as desigualdades \u00e9tnico-raciais aparecem nos territ\u00f3rios e como podem ser consideradas na formula\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao todo, os encontros reuniram mais de 800 participantes de 308 munic\u00edpios dos quatro estados. As forma\u00e7\u00f5es foram realizadas em oito polos: Macap\u00e1 (AP), Bel\u00e9m, Santar\u00e9m e Parauapebas (PA), Cuiab\u00e1 e Sinop (MT), Palmas e Aragua\u00edna (TO). Durante as forma\u00e7\u00f5es, os participantes discutem o enfrentamento ao racismo nos territ\u00f3rios, acompanham apresenta\u00e7\u00f5es culturais e participam de momentos de escuta dos adolescentes dos N\u00facleos de Cidadania de Adolescentes (NUCAs). A programa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m incluiu estudos de caso sobre situa\u00e7\u00f5es de desigualdade \u00e9tnico-racial nas pol\u00edticas p\u00fablicas e atividades relacionadas \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o do Resultado Sist\u00eamico 6.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os temas trabalhados est\u00e3o o Sistema Nacional de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial (SINAPIR) e a Pol\u00edtica Nacional de Gest\u00e3o Territorial e Ambiental de Terras Ind\u00edgenas (PNGATI), que integram o conjunto de estrat\u00e9gias relacionadas ao RS6.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Higor Hebert, coordenador nacional do Selo UNICEF, explica como a agenda de equidade \u00e9tnico-racial ser\u00e1 trabalhada pelos munic\u00edpios ao longo da edi\u00e7\u00e3o 2025\u20132028.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEnt\u00e3o, nessa nova edi\u00e7\u00e3o do Selo UNICEF, os munic\u00edpios precisar\u00e3o realizar quatro a\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias para que at\u00e9 2028 n\u00f3s possamos fortalecer essas pol\u00edticas p\u00fablicas para meninos e meninas ind\u00edgenas, negras e quilombolas. Entre elas, a ades\u00e3o ao SINAPIR e \u00e0 PNGATI, a revis\u00e3o do Plano Municipal da Primeira Inf\u00e2ncia, agora com uma abordagem de equidade \u00e9tnico-racial, e tamb\u00e9m ciclos formativos sobre letramento racial, principalmente no setor p\u00fablico, para que n\u00f3s tenhamos pol\u00edticas p\u00fablicas e principalmente aqueles que entregam os servi\u00e7os e direitos para crian\u00e7as e adolescentes com letramento racial\u201d, para Higor, a forma\u00e7\u00e3o de quem atua nos servi\u00e7os p\u00fablicos \u00e9 parte fundamental desse processo, j\u00e1 que \u00e9 na ponta que as pol\u00edticas chegam \u00e0s crian\u00e7as e aos adolescentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conc\u00f3rdia do Par\u00e1<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Conc\u00f3rdia do Par\u00e1, a experi\u00eancia mostra como a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil pode contribuir para transformar a discuss\u00e3o sobre equidade \u00e9tnico-racial em uma estrutura dentro da gest\u00e3o p\u00fablica. Segundo Dilani Cavalcante, articuladora do Selo UNICEF no munic\u00edpio, o processo come\u00e7ou a partir da mobiliza\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e quilombolas. O reconhecimento da atua\u00e7\u00e3o dessas organiza\u00e7\u00f5es levou \u00e0 discuss\u00e3o sobre a necessidade de criar uma estrutura municipal voltada \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da igualdade racial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O munic\u00edpio criou, por meio de decreto municipal, um conselho com participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil e do Executivo, vinculado \u00e0 Coordenadoria Municipal de Pol\u00edticas de Igualdade Racial. A estrutura funciona como um espa\u00e7o de di\u00e1logo entre diferentes setores para discutir e acompanhar pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas \u00e0 igualdade racial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o se faz pol\u00edtica sem ouvir a popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se faz pol\u00edtica, principalmente de igualdade \u00e9tnico-racial, se n\u00e3o ouvir a diversidade do seu munic\u00edpio, se n\u00e3o ouvir a diversidade e os coletivos distintos que existem\u201d, afirma Dilani.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"1920\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Credito-Kledson-Ferreira.jpg.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15708\" srcset=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Credito-Kledson-Ferreira.jpg.jpeg 1280w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Credito-Kledson-Ferreira.jpg-200x300.jpeg 200w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Credito-Kledson-Ferreira.jpg-768x1152.jpeg 768w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Credito-Kledson-Ferreira.jpg-683x1024.jpeg 683w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Credito-Kledson-Ferreira.jpg-8x12.jpeg 8w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Credito-Kledson-Ferreira.jpg-1024x1536.jpeg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Kledson Ferreira.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a articuladora, ouvir os diferentes grupos que vivem no territ\u00f3rio \u00e9 fundamental porque comunidades que compartilham uma identidade \u00e9tnico-racial tamb\u00e9m podem apresentar necessidades distintas. \u201cApesar de termos v\u00e1rias comunidades quilombolas, cada uma tem a sua especificidade e \u00e9 importante ouvir, porque cada uma tem a sua organiza\u00e7\u00e3o, cada uma tem o seu meio de vida, cada uma tem as suas produ\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas, de acordo com a realidade de vida desse povo\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No munic\u00edpio, o Selo UNICEF entra como apoio a uma estrutura que j\u00e1 existe. De acordo com Dilani, a iniciativa pode contribuir para fortalecer a articula\u00e7\u00e3o entre as diferentes secretarias e direcionar esse trabalho tamb\u00e9m para a garantia dos direitos de crian\u00e7as e adolescentes a partir da perspectiva da equidade \u00e9tnico-racial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHoje Conc\u00f3rdia do Par\u00e1 j\u00e1 tem uma secretaria municipal, que j\u00e1 se atravessam outras secretarias com pol\u00edtica p\u00fablica, e o Selo UNICEF vem exatamente com as atividades para ajudar nessas articula\u00e7\u00f5es e intensificar o que j\u00e1 acontece no munic\u00edpio de Conc\u00f3rdia, que s\u00e3o as intersetorialidades dentro das secretarias e agora com o vi\u00e9s direcionado para a equidade \u00e9tnico-racial da crian\u00e7a e adolescente no munic\u00edpio\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia de Conc\u00f3rdia mostra que a agenda pode assumir diferentes formas de acordo com a realidade de cada munic\u00edpio. O ponto comum \u00e9 a necessidade de reconhecer as desigualdades existentes no territ\u00f3rio, ouvir os grupos diretamente envolvidos e transformar essa escuta em a\u00e7\u00f5es dentro das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O 4\u00ba Ciclo de Forma\u00e7\u00e3o representa uma etapa desse processo. A partir das discuss\u00f5es realizadas nos encontros, o desafio \u00e9 levar a perspectiva \u00e9tnico-racial para o planejamento, a execu\u00e7\u00e3o e o acompanhamento das pol\u00edticas p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, assist\u00eancia social e prote\u00e7\u00e3o de direitos. A iniciativa Selo UNICEF seguir\u00e1 apoiando os munic\u00edpios participantes na elabora\u00e7\u00e3o, qualifica\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas equitativas em todo territ\u00f3rio Amaz\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sobre o Selo UNICEF<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Selo UNICEF \u00e9 uma das maiores iniciativas de fortalecimento de pol\u00edticas p\u00fablicas do Pa\u00eds. Na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o (2021-2024), 933 munic\u00edpios dos 2.023 que foram mobilizados pelo programa receberam a certifica\u00e7\u00e3o. Isso representa a melhoria de indicadores-chave relacionados \u00e0 inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia nestas localidades, como imuniza\u00e7\u00e3o, perman\u00eancia de crian\u00e7as na escola e preven\u00e7\u00e3o de viol\u00eancias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A edi\u00e7\u00e3o atual, que segue at\u00e9 2028, j\u00e1 atingiu n\u00famero recorde de ades\u00f5es, com 2.277 cidades de 18 estados participando da iniciativa: Acre, Alagoas, Amap\u00e1, Amazonas, Bahia, Cear\u00e1, Maranh\u00e3o, Minas Gerais (norte do estado), Mato Grosso, Par\u00e1, Para\u00edba, Pernambuco, Piau\u00ed, Rio Grande do Norte, Rond\u00f4nia, Roraima, Sergipe e Tocantins. A iniciativa reconhece o esfor\u00e7o dos munic\u00edpios na promo\u00e7\u00e3o, realiza\u00e7\u00e3o e garantia dos direitos de crian\u00e7as e adolescentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o Selo UNICEF, o UNICEF Brasil conta com a parceria estrat\u00e9gica de Equatorial Energia e Rumo Log\u00edstica, com a parceria de RD Sa\u00fade, por meio das marcas Raia e Drogasil, e com o apoio da Energisa. Al\u00e9m disso, o UNICEF tem XBRI Pneus como parceira estrat\u00e9gica para toda sua atua\u00e7\u00e3o no Brasil<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Texto por Maria Vit\u00f3ria com supervis\u00e3o de Isabella Simplicio e Isabella Martins<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontros formativos do Selo UNICEF re\u00fanem gestores e atores municipais no Par\u00e1, Amap\u00e1, Mato Grosso e Tocantins para fortalecer pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da igualdade racial e \u00e0 garantia de direitos de crian\u00e7as e adolescentes.\u00a0 Entre 2021 e 2023, 15.101 adolescentes e jovens foram v\u00edtimas de viol\u00eancia letal no Brasil. 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