{"id":4348,"date":"2017-06-13T15:07:18","date_gmt":"2017-06-13T18:07:18","guid":{"rendered":"http:\/\/peabiru.org.br\/?p=4348"},"modified":"2017-06-13T15:07:18","modified_gmt":"2017-06-13T18:07:18","slug":"proteinas-de-baixo-impacto-socioambiental-a-proxima-agenda-de-sustentabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/2017\/06\/13\/proteinas-de-baixo-impacto-socioambiental-a-proxima-agenda-de-sustentabilidade\/","title":{"rendered":"Prote\u00ednas de baixo impacto socioambiental: a pr\u00f3xima agenda de sustentabilidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Artigo escrito por Jo\u00e3o Meirelles Filho* e Mariana Buoro**, originalmente publicado\u00a0pela revista multim\u00eddia P\u00e1gina 22, suportada pelo centro de estudos em sustentabilidade\u00a0da FGV-EAESP\u00a0e refer\u00eancia no mercado editorial brasileiro no tema da sustentabilidade. Veja reprodu\u00e7\u00e3o abaixo ou vers\u00e3o original <a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/2017\/06\/06\/proteinas-de-baixo-impacto-socioambiental-proxima-agenda-de-sustentabilidade\/\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-colormag-featured-image size-colormag-featured-image wp-post-image\" src=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/beef-1826910_800x450-800x445.jpg\" alt=\"Como civiliza\u00e7\u00e3o humana, at\u00e9 agora, priorizamos prote\u00ednas de alto impacto socioambiental - a quest\u00e3o \u00e9 que o planeta n\u00e3o tem mais espa\u00e7o para a produ\u00e7\u00e3o deste tipo de prote\u00edna em um mundo cada vez mais populoso\" width=\"800\" height=\"445\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Foto: Como civiliza\u00e7\u00e3o humana, at\u00e9 agora, priorizamos prote\u00ednas de alto impacto socioambiental &#8211; a quest\u00e3o \u00e9 que o planeta n\u00e3o tem mais espa\u00e7o para a produ\u00e7\u00e3o deste tipo de prote\u00edna em um mundo cada vez mais populoso<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na luta pela conserva\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida humana no planeta, mesmo um tema mais abstrato como o impacto dos combust\u00edveis f\u00f3sseis nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 compreendido pela maioria. Dif\u00edcil \u00e9 relacionar escolhas pessoais de consumo com a destrui\u00e7\u00e3o ambiental. \u00c9 reconhecer que nosso pr\u00f3prio prato cont\u00e9m alimentos que amea\u00e7am nossa sobreviv\u00eancia. No entanto, precisamos encarar que a agropecu\u00e1ria \u00e9 a grande respons\u00e1vel por mudan\u00e7as no uso da terra, desmatamento e queimadas, com emiss\u00f5es de gases t\u00e3o representativas quanto as de fontes de energia n\u00e3o renov\u00e1veis [WRI, 2016].<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se h\u00e1 forte movimento de entes p\u00fablicos, empresas e cientistas sobre as alternativas \u00e0 queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, a discuss\u00e3o sobre a nossa dieta e suas consequ\u00eancias ainda \u00e9 p\u00edfia [CHATTAM H., 2015]. S\u00e3o raros os estudos que contabilizam o impacto das decis\u00f5es de consumo alimentar, em especial das prote\u00ednas de origem animal [LAMB et alii, 2016]. Em verdade, como civiliza\u00e7\u00e3o humana, at\u00e9 agora, priorizamos as prote\u00ednas de alto impacto socioambiental, e raros consumidores sabem disto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O aumento de renda, urbaniza\u00e7\u00e3o, e expans\u00e3o de novos h\u00e1bitos alimentares modificou radicalmente nossa dieta. Cada vez mais, substituem-se por\u00e7\u00f5es significativas de gr\u00e3os por carnes e latic\u00ednios.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O alarme soou em 2006, quando a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) concluiu que a produ\u00e7\u00e3o de carnes contribu\u00eda com 18% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa (GEE). Como a demanda continua a crescer, ser\u00e1 preciso duplicar a oferta em menos de 50 anos, o que deve piorar o \u00edndice. Metade das \u00e1reas f\u00e9rteis do planeta \u00e9 ocupada pela pecu\u00e1ria e para a produ\u00e7\u00e3o de ra\u00e7\u00f5es para animais, exaurindo-se possibilidades de usos diversificados da terra. A quest\u00e3o, portanto, n\u00e3o se restringe \u00e0 \u00a0agenda de vegetarianos, religi\u00f5es, ou em defesa de animais. \u00c9 o planeta que n\u00e3o tem mais espa\u00e7o para a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas de alto impacto [FAO, 2006 e 2009].<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O alto gasto de \u00e1gua (a produ\u00e7\u00e3o de 1 kg de carne bovina exige 15,5 toneladas de \u00e1gua) resulta em produtos animais contribuindo com mais de um quarto da pegada h\u00eddrica da humanidade [HOEKSTRA et ali., 2008]. A inefici\u00eancia na convers\u00e3o alimentar de energia das carnes exige altos insumos de ra\u00e7\u00e3o e pasto (um ter\u00e7o dos gr\u00e3os do mundo \u00e9 para alimenta\u00e7\u00e3o animal, e 90% da soja brasileira). Insistir no modelo atual de produ\u00e7\u00e3o de carnes e latic\u00ednios amea\u00e7a a seguran\u00e7a alimentar planet\u00e1ria, especialmente dos mais pobres. Ao destinar metade das terras para carne (ou ra\u00e7\u00e3o), deixar\u00edamos de atender as demandas proteicas para dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o mundial que j\u00e1 s\u00e3o exclu\u00eddos do acesso a carne e a latic\u00ednios por falta de recursos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O Brasil, embora grande vil\u00e3o, n\u00e3o se mostra preocupado com isso e se esfor\u00e7a em se consolidar como o l\u00edder mundial de prote\u00ednas animais. Por aqui, gra\u00e7a a ideia que a pecu\u00e1ria e os gr\u00e3os para ra\u00e7\u00e3o s\u00e3o o motor da economia [SILVA NETO &amp; BACHI, 2014]. Por\u00e9m, este setor \u00e9 altamente ineficiente e arcaico, ocupa cerca de 30% do territ\u00f3rio, ou 2,4 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, enquanto nem sequer produz 8% do PIB e gera poucos empregos, a maioria informal. A pecu\u00e1ria bovina sozinha \u00e9 respons\u00e1vel por 62% das emiss\u00f5es de GEE do Pa\u00eds [BARRETO, 2015].<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Rediscutir a dieta \u2013 um tabu? <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se os impactos da prote\u00edna animal s\u00e3o devastadores, por que o apelo pela contribui\u00e7\u00e3o popular com o meio ambiente restringe-se a recomenda\u00e7\u00f5es pueris como \u201csepare o lixo\u201d e \u201ctome banhos curtos\u201d? Por que a m\u00eddia, a academia e mesmo os ativistas n\u00e3o discutem a dieta do brasileiro e do planeta? O que justifica a manuten\u00e7\u00e3o do aparente \u201cforo privilegiado\u201d de que goza a pecu\u00e1ria no Brasil?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Curiosamente, o brasileiro se coloca como um dos povos mais preocupados com o ambiente e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas [LEISEROWITZ, 2007; PEW 2015]. Entretanto, a maioria de n\u00f3s n\u00e3o toma decis\u00f5es racionais baseadas no conhecimento sobre o impacto socioambiental do consumo e de suas consequ\u00eancias \u00e0s pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Est\u00e1 na hora de buscarmos prote\u00ednas de baixo impacto socioambiental e baixo custo econ\u00f4mico, que promovam gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda, igualdade, bem estar humano e animal, e possibilidade de sobrevivermos neste planeta, com impacto altamente positivo para a sa\u00fade humana e o clima [SPRINGMAN, 2016].<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Discutir abertamente o problema \u00e9 o primeiro passo. A quest\u00e3o precisa estar no curr\u00edculo escolar, na pesquisa cient\u00edfica, na m\u00eddia (por que a moda de programas de TV culin\u00e1rios ainda n\u00e3o tocou no problema?). Precisamos de indicadores acess\u00edveis e honestos que nos informem sobre o impacto socioambiental do que comemos. Assim, com mais acesso \u00e0 informa\u00e7\u00f5es e ao debate, quem sabe n\u00e3o tomamos melhores decis\u00f5es de consumo consciente?<\/p>\n<p><em>* Escritor e empreendedor social, \u00e9 diretor do Instituto Peabiru. Milita na quest\u00e3o do impacto da carne h\u00e1 30 anos.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>** Formada em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, \u00e9 colaboradora no Instituto Peabiru.<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo escrito por Jo\u00e3o Meirelles Filho* e Mariana Buoro**, originalmente publicado\u00a0pela revista multim\u00eddia P\u00e1gina 22, suportada pelo centro de estudos em sustentabilidade\u00a0da FGV-EAESP\u00a0e refer\u00eancia no mercado editorial brasileiro no tema da sustentabilidade. 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