{"id":7551,"date":"2020-03-16T13:46:57","date_gmt":"2020-03-16T16:46:57","guid":{"rendered":"http:\/\/peabiru.org.br\/?p=7551"},"modified":"2020-03-16T13:46:57","modified_gmt":"2020-03-16T16:46:57","slug":"mudancas-climaticas-e-agricultura-familiar-impactos-e-alternativas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/2020\/03\/16\/mudancas-climaticas-e-agricultura-familiar-impactos-e-alternativas\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e agricultura familiar: impactos e alternativas"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>No Dia Nacional de Conscientiza\u00e7\u00e3o sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, 16 de mar\u00e7o, o Instituto Peabiru aborda a rela\u00e7\u00e3o entre altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas globais e os impactos nas atividades da agricultura familiar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:11px;\"><em>Texto: Flora Bittencourt<br>Edi\u00e7\u00e3o: Mariana Faro<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/21072012c2a9rafael-araujo-curuca-peabiru-00661-reduzida.jpg?w=1200\" alt=\"\" class=\"wp-image-7567\" srcset=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/21072012c2a9rafael-araujo-curuca-peabiru-00661-reduzida.jpg 1200w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/21072012c2a9rafael-araujo-curuca-peabiru-00661-reduzida-300x200.jpg 300w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/21072012c2a9rafael-araujo-curuca-peabiru-00661-reduzida-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/21072012c2a9rafael-araujo-curuca-peabiru-00661-reduzida-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p style=\"font-size:11px;\" class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>O aumento do n\u00edvel do mar, com impacto em mangues e zonas costeiras, est\u00e1 entre os potenciais efeitos das mudan\u00e7a clim\u00e1ticas. Foto: Rafael Ara\u00fajo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap has-text-align-justify wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio de mudan\u00e7a clim\u00e1tica pode ser identificado atrav\u00e9s do registro de mudan\u00e7a da temperatura por v\u00e1rios anos, ou seja, aquela que se repete em longo per\u00edodo de tempo. O aumento da temperatura m\u00e9dia da Terra tem se relacionado, desde o per\u00edodo industrial, \u00e0s crescentes emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub> capazes de intensificar o efeito estufa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">O efeito estufa \u00e9 fruto da a\u00e7\u00e3o dos gases presentes na atmosfera, respons\u00e1veis por reter parte da radia\u00e7\u00e3o emitida pelo sol, fundamental para o aquecimento do planeta e para a exist\u00eancia de vida na Terra. Por\u00e9m, as crescentes emiss\u00f5es de g\u00e1s carb\u00f4nico pela a\u00e7\u00e3o humana t\u00eam contribu\u00eddo para o ac\u00famulo de CO<sub>2<\/sub> na atmosfera, intensificando a absor\u00e7\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica se constitui como um dos maiores desafios do nosso tempo, uma vez que seus impactos afetam desde a produ\u00e7\u00e3o de alimentos at\u00e9 o aumento do n\u00edvel do mar, aumentando o risco de inunda\u00e7\u00f5es com graves consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">As emiss\u00f5es de gases decorrentes da a\u00e7\u00e3o humana est\u00e3o relacionadas ao crescimento industrial, econ\u00f4mico e populacional. No Brasil, as maiores fontes de emiss\u00e3o de gases est\u00e3o relacionadas, respectivamente, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de energia, seguida da atividade agropecu\u00e1ria, do uso da terra e das florestas, al\u00e9m dos processos industriais e do tratamento de res\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">A partir de um modelo clim\u00e1tico regional, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indica um aumento de 1,5\u00b0C a 2\u00b0C, entre 2016 e 2035 para as regi\u00f5es Norte e Nordeste brasileiras. Alguns simuladores apresentaram outras varia\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, por\u00e9m, a maior parte dos modelos se alinham ao indicar as regi\u00f5es semi\u00e1ridas, em especial o Centro-Oeste, o Norte e o Nordeste, como aquelas sujeitas a maiores varia\u00e7\u00f5es no contexto brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">O Brasil vinha apresentando redu\u00e7\u00e3o de suas emiss\u00f5es, sobretudo entre os anos de 2005 e 2012, quando houve redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de 0,8 bilh\u00f5es de toneladas de CO<sub>2<\/sub>, especialmente relacionada ao combate ao desmatamento. Contudo, com a retomada do crescimento dos \u00edndices de desmatamento, a preocupa\u00e7\u00e3o se reacende. Em proje\u00e7\u00f5es para escalas temporais maiores, estima-se que haver\u00e1 aumento entre 3\u00b0C a 8\u00b0C na regi\u00e3o Norte at\u00e9 o final deste s\u00e9culo, aumento relacionado principalmente ao desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Entre os <strong>efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no meio ambiente<\/strong> estima-se: maior variabilidade dos \u00edndices de chuva e das temperatura anuais, redu\u00e7\u00e3o de terras agricultur\u00e1veis, diminui\u00e7\u00e3o do potencial de irriga\u00e7\u00e3o e de biodiversidade, potencial risco de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, al\u00e9m do aumento da temperatura e redu\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no solo. Al\u00e9m disso, estima-se que o n\u00edvel do mar seja elevado, impactando mangues e zonas costeiras, como \u00e9 o caso do arquip\u00e9lago do Maraj\u00f3, no Par\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">No contexto social, considera-se o impacto na produtividade como modulador da inseguran\u00e7a alimentar, principalmente em contexto de agricultura familiar, associado a problem\u00e1ticas como a reprodu\u00e7\u00e3o da pobreza em \u00e1rea rural, insufici\u00eancia de terras, fome, inacessibilidade \u00e0 \u00e1gua, maior propens\u00e3o a doen\u00e7as e, principalmente, aquelas relacionadas ao clima e \u00e0 migra\u00e7\u00e3o de agricultores em busca de melhores oportunidades, levando consigo sementes e o conhecimento inter geracional sobre a realidade rural.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"background-color:#8bf781;color:#141614;\" class=\"has-text-color has-background has-text-align-justify wp-block-paragraph\"><strong>Potenciais efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no meio ambiente <\/strong><br><br>\u2022 Maior variabilidade dos \u00edndices de chuva e das temperatura anuais;<br>\u2022 Redu\u00e7\u00e3o de terras agricultur\u00e1veis;<br>\u2022 Diminui\u00e7\u00e3o do potencial de irriga\u00e7\u00e3o e de biodiversidade;<br>\u2022 Risco de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies;<br>\u2022 Redu\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no solo;<br>\u2022 Aumento do n\u00edvel do mar, com impacto em mangues e zonas costeiras.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\" \/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na agricultura familiar<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\" \/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">A agricultura familiar \u00e9 compreendida como aquela relacionada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o diversificada de recursos necess\u00e1rios \u00e0 fam\u00edlia e ao mercado consumidor, realizada em \u00e1rea com at\u00e9 quatro m\u00f3dulos fiscais e pelos integrantes de uma fam\u00edlia. As atividades da agricultura familiar no Brasil est\u00e3o relacionadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos para a popula\u00e7\u00e3o em geral, especialmente na regi\u00e3o Norte, enquanto os grandes produtores concentram-se na produ\u00e7\u00e3o de <em>commodities<\/em> e no abastecimento dos grandes mercados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">A agricultura familiar possui influ\u00eancia em escala regional e nacional, e os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como redu\u00e7\u00e3o nas chuvas e aumento da temperatura atmosf\u00e9rica, poder\u00e3o influenciar importantes processos biol\u00f3gicos relacionados ao crescimento e \u00e0 fotoss\u00edntese, necess\u00e1rios ao desenvolvimento das diversas culturas agr\u00edcolas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Como <strong>consequ\u00eancia das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong>, as varia\u00e7\u00f5es no clima poder\u00e3o resignificar conhecimentos e sabedorias tradicionais, pois os per\u00edodos de preparo da terra, plantio e colheita ser\u00e3o alterados, inclusive, em sua regularidade anual. O cultivo das esp\u00e9cies dever\u00e1 ser adaptado, buscando aquelas resistentes e resilientes, modificando h\u00e1bitos alimentares e culturais. Para agricultores familiares em situa\u00e7\u00e3o de maior vulnerabilidade, pequenas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem ter consequ\u00eancias dr\u00e1sticas sobre seus meios de vida e subsist\u00eancia, particularmente para agricultores baseados em \u00e1reas fluviais de pa\u00edses em desenvolvimento. Em n\u00edvel mundial, as popula\u00e7\u00f5es pobres, em ambientes heterog\u00eaneos e propensas a riscos diversos, ser\u00e3o as mais atingidas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A elabora\u00e7\u00e3o de propostas globais torna-se um desafio devido \u00e0s particularidades regionais e ao tempo requerido para avalia\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as em grandes escalas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Neste sentido, \u00e9 preciso compreender as dificuldades associadas \u00e0s atividades de agricultores familiares em condi\u00e7\u00f5es de pobreza, para criar estrat\u00e9gias efetivas para mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos decorrentes de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Dentre as dificuldades, podemos enumerar a distribui\u00e7\u00e3o de terras, a redu\u00e7\u00e3o de capital financeiro, baixa organiza\u00e7\u00e3o social em geral, obst\u00e1culos diversos para comercializa\u00e7\u00e3o, analfabetismo e aus\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o formal e capacita\u00e7\u00e3o rural, acesso \u00e0 eletricidade e \u00e0 \u00e1gua e desconhecimento sobre pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo ao pequeno produtor.&nbsp;No cen\u00e1rio previsto para mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, onde regi\u00f5es mais pobres e de dif\u00edcil acesso ser\u00e3o aquelas em maior vulnerabilidade, estrat\u00e9gias est\u00e3o sendo avaliadas para mitigar os efeitos, por\u00e9m ainda s\u00e3o poucos os estudos com enfoque na agricultura familiar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1012\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/foto-gabriel-jimenez.jpg?w=984\" alt=\"\" class=\"wp-image-7564\" srcset=\"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/foto-gabriel-jimenez.jpg 1012w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/foto-gabriel-jimenez-281x300.jpg 281w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/foto-gabriel-jimenez-960x1024.jpg 960w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/foto-gabriel-jimenez-768x819.jpg 768w, https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/foto-gabriel-jimenez-1440x1536.jpg 1440w\" sizes=\"auto, (max-width: 1012px) 100vw, 1012px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p style=\"font-size:11px;\" class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Varia\u00e7\u00f5es no clima global poder\u00e3o significar altera\u00e7\u00f5es nos per\u00edodos de preparo da terra, plantio e colheita, afetando as din\u00e2micas pr\u00f3prias da agricultura, especialmente de base familiar. Foto: Gabriel Jimenez\/Unsplash.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\" \/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Estrat\u00e9gias para mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos para agricultura familiar<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\" \/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Para lidar com uma quest\u00e3o da magnitude das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas em n\u00edvel global, s\u00e3o necess\u00e1rios inicialmente estudos capazes de considerar as diversas partes relacionadas ao mesmo sistema. \u00c9 preciso conhecer a biodiversidade dos locais de maior proje\u00e7\u00e3o dos impactos, seus processos bi\u00f3ticos e abi\u00f3ticos, avaliar a resili\u00eancia das esp\u00e9cies, a diversidade gen\u00e9tica e a funcionalidade nos ecossistemas. \u00c9 preciso tamb\u00e9m compreender as dificuldades enfrentadas pelos agricultores familiares locais, relacionadas ao uso tradicional dos recursos naturais, os problemas de infraestrutura, ao acesso a sementes e germoplasma de qualidade, a assist\u00eancia t\u00e9cnica para manejo adequado da produ\u00e7\u00e3o e uso correto dos insumos, a precariedade de vias para escoamento da produ\u00e7\u00e3o, assim como dispers\u00e3o e isolamento das unidades familiares. A compreens\u00e3o destes fatores limitantes \u00e9 fundamental, pois os problemas enfrentados pelos agricultores familiares podem ser ampliados em contextos de mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Entre as estrat\u00e9gias mitigadoras destes impactos potenciais est\u00e1 a distribui\u00e7\u00e3o de terras articuladas \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas para redu\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade e desigualdade social. Atrav\u00e9s destas a\u00e7\u00f5es, busca-se que o pequeno produtor possa garantir a propriedade de tamanho significativo para o seu sustento e para a comercializa\u00e7\u00e3o da sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Pol\u00edticas p\u00fablicas atualmente voltadas ao apoio e investimento na agricultura familiar compreendem, entre outras, o Pronater (Programa Nacional de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural), com diversas linhas para acesso a cr\u00e9ditos, o Pronater-mulher, Pronater-jovem e Pronater-agroind\u00fastria. O Pronater atua em concord\u00e2ncia com o Pronaf (Programa Nacional para Agricultura Familiar), estimulando a produ\u00e7\u00e3o familiar. H\u00e1 ainda o Cadastro Ambiental Rural (CAR), ferramenta relevante para o controle, monitoramento, planejamento ambiental e combate ao desmatamento, contribuindo assim com a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub> em \u00e1reas rurais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Estrat\u00e9gias como estas favorecem a comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos da agricultura familiar, reduzindo a necessidade de competir com grandes empresas. Al\u00e9m disso, o acesso ao cr\u00e9dito para desenvolvimento de agroind\u00fastrias, por exemplo, estimula o beneficiamento dos produtos e o consequente incremento de valor. Assim, poder\u00e1 haver aumento da oferta de emprego, estimulo \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o para gest\u00e3o dos empreendimento e inclus\u00e3o de alternativas econ\u00f4micas \u00e0s fam\u00edlias, como a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas e de manejo dos recursos naturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Neste sentido, as pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas podem contribuir para o aumento da resili\u00eancia do sistema produtivo. Realizada por diversos agricultores familiares, o h\u00e1bito de consorciar esp\u00e9cies, reciclar a biomassa em meio produtivo, realizar controle biol\u00f3gico e proteger cultivos com sombra e quebra-vento s\u00e3o atualmente classificadas como parte da tecnologia agroflorestal. Nesta forma de cultivo, estimula-se a autonomia do sistema atrav\u00e9s da mimetiza\u00e7\u00e3o do ambiente natural e do est\u00edmulo \u00e0 sucess\u00e3o florestal. Assim, \u00e9 poss\u00edvel agregar a biodiversidade regional (vegetal e animal) com a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, utilizando os diferentes elementos florestais de forma sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\" \/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uso sustent\u00e1vel das florestas e os benef\u00edcios das pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas no contexto de mudan\u00e7a clim\u00e1tica<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\" \/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">O est\u00edmulo \u00e0s agroflorestas tamb\u00e9m se relaciona \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da floresta em p\u00e9 e do uso diversificado de produtos renov\u00e1veis de origem florestal, como extra\u00e7\u00e3o de \u00f3leos de sementes, coleta de fibras e frutos em geral, sem a necessidade de desmatamento. Essas pr\u00e1ticas auxiliam a redu\u00e7\u00e3o da lixivia\u00e7\u00e3o e o aumento da umidade do solo, assim como contribuem para o sequestro de carbono associado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, auxiliando a compensa\u00e7\u00e3o dos impactos relacionados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Em contexto de mudan\u00e7a clim\u00e1tica, a cria\u00e7\u00e3o consorciada de animais e cultivos, em sistema agrossilviopastoril contribui tamb\u00e9m com a redu\u00e7\u00e3o de abertura de novas \u00e1reas para pasto e cultivo. O cultivo em agrofloresta ou sistemas ambientalmente sustent\u00e1veis tamb\u00e9m poder\u00e1 agregar valor aos produtos finais e, atrav\u00e9s de gest\u00e3o da rastreabilidade, acessar nichos mercadol\u00f3gicos espec\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Dessa forma, os benef\u00edcios das estrat\u00e9gias relacionadas \u00e0 agroecologia contribuem com a mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos causados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas por contribuir com a cobertura e o conforto t\u00e9rmico, a cria\u00e7\u00e3o de microclimas favor\u00e1veis a outras formas de vida e com o sequestro de carbono da atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Em 2008 foi institu\u00eddo o Plano Nacional de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, elaborado a partir da Pol\u00edtica Nacional de Mudan\u00e7as do Clima, que significou avan\u00e7o nas discuss\u00f5es brasileiras sobre as estrat\u00e9gias para mitigar impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e colaborar com esfor\u00e7os internacionais. Foi criado o Fundo Nacional sobre Mudan\u00e7a do Clima para apoiar projetos, estudos e investir em empreendimentos para redu\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a do clima. H\u00e1, por\u00e9m, ainda pouca abertura para discuss\u00f5es sobre impactos na agricultura familiar, com baixa participa\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico nas discuss\u00f5es quando relacionadas ao pequeno produtor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">A agricultura familiar demanda aten\u00e7\u00e3o para elabora\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias adequadas \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos relacionados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Reduzir vulnerabilidades e estimular resili\u00eancia ambiental e social \u00e9 caminho fundamental. O manejo sustent\u00e1vel, o est\u00edmulo ao reflorestamento, a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento, a cria\u00e7\u00e3o de alternativas para obten\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia de renda, a adequa\u00e7\u00e3o de infraestrutura para produ\u00e7\u00e3o, armazenamento e comercializa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da educa\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o para o campo s\u00e3o necessidades imediatas que dever\u00e3o estar associadas \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o, adequa\u00e7\u00e3o e cumprimento das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify wp-block-paragraph\">Assim, \u00e9 preciso haver enfoque sist\u00eamico, de modo a estabelecer estrat\u00e9gias a partir da participa\u00e7\u00e3o de atores importantes nos contextos regionais e pol\u00edticos. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ir\u00e3o afetar a agricultura familiar e o meio ambiente de formas inesperadas, dentro de sequ\u00eancias de acontecimentos j\u00e1 previstas ou n\u00e3o. Para lidar com essa situa\u00e7\u00e3o no contexto da agricultura familiar \u00e9 preciso trabalhar hoje a fim de garantir os direitos associados \u00e0 terra, aos meios de vida e assegurar a pesquisa e os investimentos adequados ao pleno desenvolvimento destas atividades.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia Nacional de Conscientiza\u00e7\u00e3o sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, 16 de mar\u00e7o, o Instituto Peabiru aborda a rela\u00e7\u00e3o entre altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas globais e os impactos nas atividades da agricultura familiar. Texto: Flora BittencourtEdi\u00e7\u00e3o: Mariana Faro O aumento do n\u00edvel do mar, com impacto em mangues e zonas costeiras, est\u00e1 entre os potenciais efeitos das mudan\u00e7a [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":7567,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[12,47,131,187,297,506,549],"class_list":["post-7551","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-destaques","tag-agricultura-familiar","tag-biodiversidade","tag-clima","tag-efeito-estufa","tag-marajo","tag-mudancas-climaticas"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/peabiru.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/21072012c2a9rafael-araujo-curuca-peabiru-00661-reduzida.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7551","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7551"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7551\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7567"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/peabiru.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}