Luz para uma uma Vida Melhor

Iniciativa oferece acesso a energia sustentável de baixo custo a comunidades isoladas na Amazônia

O Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas e da Auto Sustentabilidade (IDEAAS) e o Instituto Peabiru apresentam o programa Luz para uma Vida Melhor, apoiado pela Fundação C.S. Mott. Esta iniciativa se dedica a atender grupos sociais de baixa renda e alto grau de exclusão energética.

A parceria envolve, ainda, o Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas – GEDAE, da Universidade Federal do Pará – UFPA; o Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém – MMIB; e a Paróquia São Francisco das Ilhas.

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Hoje podem-se ver painéis solares que geram energia para a iluminação das casas ao longo do rio Jamaci. Comunidade Nossa Senhora da Conceição, Ilha de Paquetá, Belém, PA. Julho de 2017. Foto: Rafael Araujo.

A primeira ação

O Luz para uma Vida Melhor inicia-se com a instalação de sistemas autônomos de serviços energéticos para 22 residências e um centro religioso na Comunidade Nossa Senhora da Conceição, Ilha de Paquetá, Belém. O local foi escolhido em função de pesquisa realizada e 2014 pelo Instituto Peabiru a partir de recomendação do Movimento das Mulheres das Ilhas de Belém, apontando a vulnerabilidade destas famílias em termos de insegurança energética.

A tecnologia instalada para iluminar estas  residências é o que o IDEAAS denomina de kit “bakana solar”. Este kit foi preparado para atender uma demanda por: 1. iluminação residencial básica, 2. ponto para carga de celular; e 3. lâmpada para espantar morcegos (acesa durante toda a noite). Trata-se de soluções simples, mas com alto impacto na qualidade de vida das famílias.

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Caixa de controle, que contém a bateria, do Kit “Bakana Solar”, instalada no interior da residência, na versão utilizada na Comunidade N.Sra. da Conceição, Belém, PA. Julho de 2017. Foto: Rafael Araujo.

O kit ‘Bakana Solar’ é resultado de duas décadas de pesquisa e desenvolvimento de soluções energéticas de baixo custo e fácil instalação, principalmente direcionada para populações rurais isoladas”, diz Fabio Rosa, do IDEAAS.

O projeto inova ao propor um condomínio para promover a auto-gestão do sistema. Assim, cada beneficiário contribui com um pequeno valor mensal, que é guardado por um responsável escolhido pela comunidade. A proposta é arrecadar recursos para financiar a troca de baterias prevista para cada 2 ou 3 anos e para eventual manutenção (troca de lâmpadas, fusíveis etc.). Em princípio, a vida útil do painel solar é de duas décadas. 

Outra preocupação do Luz para uma Vida Melhor é buscar a maior autonomia possível dos sistemas instalados. Assim, uma das ações consiste em capacitar atores locais para suporte técnico, o que estimula o desenvolvimento da cadeia produtiva local de energias sustentáveis.

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Família demonstra o funcionamento do kit Bakana Solar. Observe à direita o painel de controle. Comunidade Nossa Senhora da Conceição, Ilha de Paquetá, Belém, PA. Julho de 2017. Foto: Rafael Araujo.

Potencial de atendimento do programa

O Luz para uma Vida Melhor demonstra que é possível atender àqueles não contemplados pelas políticas públicas atuais, como o programa federal Luz para Todos. Apenas na Amazônia brasileira, há mais de 1 milhão de famílias no meio rural, principalmente de povos e comunidades tradicionais. A maioria sofre com o alto grau de exclusão energética. Isso tem graves consequências em suas vidas, especialmente para grupos mais vulneráveis – crianças, jovens e mulheres –, em termos de saúde, educação e oportunidades de geração de renda, sem falar na dificuldade de acesso a itens básicos da vida moderna, como geladeira, televisor, telefone e computador.

Para João Meirelles, do Instituto Peabiru, “são soluções energéticas sustentáveis como esta que garantem imediato acesso à energia de baixo custo a cada família da Amazônia rural e, mesmo do Brasil”.

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Dona Maria na porta de sua residência, ao lado do painel solar, entre os açaizeiros.  Comunidade Nossa Senhora da Conceição, Ilha de Paquetá, Belém, PA. Julho de 2017. Foto: Rafael Araujo.

 

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Veja também página do programa em inglês.

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Veja cobertura da imprensa sobre o programa: matérias da TV Cultura (9/agosto/2017), SBT (14/agosto/2017), e publicação impressa do Diário do Pará (13/agosto/2017).

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