Pesquisas científicas apoiam conservação de manguezais em Curuçá

Pesquisadores estão em campo na Resex Mãe Grande, em Curuçá, para fazer estudos sobre ecossitema do mangue

Pesquisadores do Museu Emílio Goeldi e da Universidade Federal do Pará, associados ao Programa Casa da Virada, do Instituto Peabiru, chegam esta semana em Curuçá, no Salgado Paraense, para iniciar um novo ciclo de estudos sobre os ecossistemas da região que incluem na sua grande maioria os manguezais. O município, localizado a 150 quilômetros de Belém, é formado por 20 mil hectares de mangues protegidos pela Reserva Extrativista (Resex) Mãe Grande, parte do maior conjunto contínuo de manguezais do mundo. São 28 pesquisadores para fazer estudos da biodiversidade, em diversas áreas, sobretudo de espécies ameaçadas.

De acordo com o coordenador do Programa Casa da Virada, Richardson Frazão, o resultado das pesquisas busca subsidiar o plano de manejo da Resex, além de ser discutido com a comunidade local para o uso sustentável dos recursos naturais. “A comunidade precisa conhecer de fato quais os elementos naturais que estão no seu território para tomar decisões sobre o uso e monitorar eventuais impactos”, explica. O trabalho dos pesquisadores vai até abril de 2013. Na região, desde a década de 1980, discute-se a construção de um mega-porto para navios de alto calado e seu impacto nos ecossistemas locais e comunidades – o super-porto do Espadarte.
Em 2009, o Instituto Peabiru conclui a primeira fase das pesquisas, que identificou cinco espécies de tartarugas marinhas presentes na costa brasileira e também indícios de um novo tipo de ecossistema, a Mata Amazônia Atlântica, dentre outros resultados sobre botânica, peixes e arqueologia. Essas informações técnicas já foram entregues ao Conselho Deliberativo da Resex e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade-ICMBio Curuçá, que é parceiro do projeto.
Indicadores – Para Frazão, as pesquisas auxiliam ainda na construção de indicadores e na sensibilização da população urbana de Curuçá sobre a importância do mangue para a economia da região. “Mais de 80% das residências da cidade tem mangue no quintal”, afirma.  Pescadores, catadores de caranguejo e marisqueiros dependem da conservação do mangue para a geração de renda e, segundo o coordenador das ações, qualquer desequilíbrio ambiental pode prejudicar milhares de famílias. O Projeto Casa da Virada, em Curuçá, é patrocinado pelo Programa Petrobras Ambiental, da Petrobras.

O mangue é um ambiente único para a reprodução de uma fauna muito rica e que esta diretamente ligada à economia do município

Fotos: Rafael Araújo.

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