Adolescentes indígenas protagonizam decisões políticas na Amazônia

Por Instituto Peabiru
Publicado em 19/04/2026

Créditos da imagem: Prefeitura de Itaituba

Belém, 02 de abril de 2026 — As reivindicações por direitos indígenas no Brasil são uma luta constante; apesar de a Constituição Brasileira de 1988 reconhecer a organização social, costumes, línguas, crenças e tradições dos povos indígenas, é comum, como o que aconteceu a região do Baixo Tapajós, no Pará, no início deste ano, onde diversas etnias indígenas se organizaram em resposta a uma série de ameaças aos seus direitos no território.      

Reconhecendo a importância da juventude na luta pelos direitos dos povos originários, adolescentes indígenas de Santarém, município que compõe a região do Baixo Tapajós e faz parte da iniciativa Selo UNICEF, organizou-se e criou um dos primeiros Núcleos de Cidadania de Adolescentes Indígenas da Amazônia. Desde a sua criação, o NUCA de Baixo Tapajós tem realizado, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Instituto Peabiru, no contexto da iniciativa Selo UNICEF, ações para mobilizar e promover o protagonismo dos jovens que vivem nas comunidades locais.

“É muito importante que a gente participe dessas coisas, pois pode fortalecer a identidade do nosso povo para os mais jovens indígenas, e pode ajudar a fazer com que eles se juntem para ajudar, dialogar em relação a várias coisas que acontecem aqui na comunidade”, afirma Bianca Borari, adolescente de 14 anos que faz parte do NUCA do Baixo Tapajós.

Ao longo do mês de março, equipes do UNICEF e Instituto Peabiru viajaram nos municípios de Jacareacanga (PA), Itaituba (PA) e Santarém (PA) para acompanhar a criação dos NUCAs Indígenas das regiões do Alto, Médio e Baixo Tapajós e participar de oficinas sobre mudanças climáticas, água, saneamento e soberania alimentar junto com as comunidades. Os NUCAs são uma ferramenta estabelecida dentro da metodologia da iniciativa Selo UNICEF, que objetiva assegurar a participação democrática e qualificada de jovens, sendo a criação dos NUCAs indígenas uma novidade na edição 2025 – 2028 do projeto, que agora estabelece um Resultado Sistêmico específico para a garantia da equidade étnico-racial dentro das políticas públicas dos municípios que fizeram adesão.

Participação Social

O protagonismo adolescente é uma das estratégias que garantem políticas públicas sejam assertivas e democráticas, segundo Adriano do Egito, especialista em mobilização de adolescentes e equidade étnico-racial do Instituto Peabiru, especialmente em territórios com alta incidência de populações indígenas, como é o caso de Jacareacanga, onde cerca de 60% é indígena, segundo dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e que criou o seu NUCA durante a agenda pelo Tapajós.

“Estamos vivendo um momento histórico de escuta e participação e fortalecimento das políticas públicas sendo construídas e implementadas com as adolescentes indígenas”, acredita Thaissa Scerne, Especialista para Desenvolvimento e Participação de Adolescente do UNICEF em Belém, e uma das coordenadoras das agendas com a juventude indígena pela região, que foram realizadas com a parceria das Prefeituras locais, assim como o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns, o CITA-BT.

“Os NUCAs são a culminância da nossa luta, que veio abraçar todas as essas temáticas que são de suma importância para o nosso movimento, para o nosso território, para nossas bases e para as nossas futuras lideranças que serão esses adolescentes da qual nós trabalhamos”, diz Zuleide Arapiuns, vice-representante do CITA-BT que acompanhou as agendas em Santarém.

As oficinas ministradas durante a agenda estão no contexto do #EntreNoClimaUNICEF, uma iniciativa que reúne integrantes dos NUCAs e do #tmjUNICEF para discutir o tema e realizar atividades relacionadas à crise climática localmente e nas redes sociais. Além de Ítalo, Raquel Kumaruara, mobilizadora do NUCA do Baixo Tapajós, acredita que as oficinas são um complemento para a formação das lideranças adolescentes que irão ajudar a fortalecer a organização política no território. Segundo ela, as temáticas estão relacionadas com o histórico de luta das comunidades na região.

Selo UNICEF 2025-2028

O Selo UNICEF é uma iniciativa do UNICEF para fortalecer as políticas públicas municipais voltadas para crianças e adolescentes. Ao aderir ao Selo UNICEF de forma espontânea, os municípios assumem o compromisso de manter a agenda de suas políticas públicas pela infância e adolescência como prioridade.

Para o Selo UNICEF, o UNICEF conta com a parceria estratégica de Grupo Profarma, Rumo, Vale e Fundação Vale, com a parceria de RD Saúde e com o apoio de Energisa.

O Instituto Peabiru é parceiro implementador nos estados do Pará, Amapá, Mato Grosso e Tocantins. Ao longo de quatro anos, os municípios recebem suporte técnico com formações, acompanhamento metodológico e monitoramento de indicadores, fortalecendo políticas públicas nas áreas de saúde, educação, proteção contra a violência e participação social.

Saiba mais em: www.selounicef.org.br 

Por Isabella Simplicio
Revisado por Luciana Kellen

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