Projeto Belém Ribeirinha encerra primeira fase com ciclos de oficinas
A iniciativa prevê ações de fortalecimento e de implementação do Turismo de Base Comunitária nas ilhas do Combu e de Cotijuba, e no Baixo Acará

O projeto Belém Ribeirinha é uma iniciativa do Instituto Peabiru, com apoio do Fundo Socioambiental Caixa, iniciado em 2025. A iniciativa visa implementar e fortalecer o Turismo de Base Comunitária (TBC) nas regiões das ilhas de Belém, como a Ilha do Combu, a Ilha de Cotijuba e o território do Baixo Acará, no Pará.
Após três ciclos de oficinas de diagnóstico, apresentação de resultados e de construção de indicadores, o Belém Ribeirinha finalizou a primeira fase de atividades em julho. Cada momento foi realizado de forma singular, atendendo às necessidades de cada comunidade e de cada local.
As atividades realizadas pelo Belém Ribeirinha em campo se concentraram em três frentes: a primeira fase foi de diagnóstico, para levantar dados da cadeia de TBC e reconhecer os agentes locais; no segundo momento, a equipe realizou as oficinas de apresentação dos resultados, um momento de diálogo direto com os territórios sobre pontos fortes e fracos e expectativas sobre o projeto; e finalizou a primeira fase com as oficinas de construção de indicadores do TBC.

Jéssica Farias, analista de projetos do Instituto Peabiru, comentou sobre a metodologia utilizada nos primeiros ciclos formativos do projeto: “Nessa etapa realizamos um diagnóstico para identificar se já havia práticas de Turismo de Base Comunitária, e em seguida realizamos um mapeamento desses estabelecimentos nessas três regiões. Finalizamos com ciclos de oficinas que abordaram diferentes aspectos do Turismo de Base Comunitária”, afirma.
Com o fechamento dessa fase, o projeto cumpriu os objetivos de visita a campo previstos nesta primeira etapa, reunindo dados dos três territórios mobilizados para dar início à segunda fase do projeto, que está prevista para o segundo semestre de 2026.
Territórios em foco: depoimentos dos participantes
O projeto Belém Ribeirinha atua com a articulação direta entre territórios e a técnica da pesquisa de dados. Os relatos colhidos nos territórios mostram esse processo em andamento.
Na Ilha do Combu, Valéria do Nascimento, representante da Casa de Experiências Papa Chibé, conta que vê o TBC na região como uma oportunidade de fortalecimento dos empreendimentos. “Como a gente é novo no mercado, hoje a nossa experiência (na oficina) foi muito boa. A gente precisa ter um Turismo de Base Comunitária, e como a gente está iniciando, precisamos do apoio da comunidade para a gente dar um up no nosso empreendimento”, comenta.
Valéria esteve presente nas oficinas aprendendo sobre as práticas do TBC, mantendo o diálogo com outros empreendimentos locais da Ilha do Combu. Os momentos de troca entre os representantes locais fortalece uma cadeia já em operação, e possibilita que os esforços de cada empreendedor atuem no coletivo.

Já na Ilha de Cotijuba, Maria Lídia, integrante do Movimento de Mulheres da Ilha (MMIB), aponta que o TBC vem para conscientizar a comunidade sobre o turismo de massa – ação que pode gerar descaracterização da identidade local e pode ameaçar recursos naturais limitados (como água), acelerar a erosão de terrenos e aumentar a produção de lixo e a poluição.
“Essa questão do Turismo de Base Comunitária no meio do turismo de massa, como está virando aqui todas as ilhas ao redor, é muito bom. Mostra o que é ser comunidade, o que é ser comunitário. E seria muito bom que as pessoas entendessem isso e começassem realmente a trabalhar como coletividade, como comunidade. É a união que faz a força. Aceitando, vendo que é bem melhor porque aquela história nunca acaba. Um sozinho não vai a lugar nenhum”, afirma Maria Lídia.
Maria é moradora de Cotijuba há cerca de 40 anos, e atua no MMIB em atividades de conservação, sustentabilidade, articulação socioeconômica e outras pautas.
No Baixo Acará, Marcos Silva, da Associação dos Quilombos do Acará, vê a proposta do projeto como uma oportunidade de impulsionar renda e conservação do território. “A gente espera que esse projeto venha dar certo dentro das nossas comunidades, porque é uma alternativa de renda e, ao mesmo tempo, uma alternativa de preservação. O turismo é uma renda limpa e permanente, e cada pessoa que a gente conseguir adquirir uma renda através do turismo é uma pessoa que deixa de desmatar a floresta”, conclui.
Com o diagnóstico e o mapeamento concluídos nos três territórios, o Belém Ribeirinha avançará para uma etapa de capacitações seguindo as necessidades levantadas em cada localidade.
Acompanhe o projeto Belém Ribeirinha! Saiba mais sobre o projeto neste link.
Siga o Belém Ribeirinha no Instagram: @belemriberinha
Texto: Giovanna Martini e Rayane Pizon
Revisão: Raissa Lennon
Supervisão geral: Luciana Kellen