Projeto TBC Barcarena fortalece comunidades ribeirinhas no território

Por Instituto Peabiru
Publicado em 02/09/2026

Implementado pelo Instituto Peabiru e financiado pelo Fundo Hydro, a iniciativa oferece formações, promove intercâmbios entre comunidades e amplia a geração de renda a partir de saberes tradicionais da região.

Ação do projeto TBC Barcarena. Foto: Acervo do Instituto Peabiru.

É quando o cotidiano vira encontro que o Turismo de Base Comunitária transforma o território.” afirma Maria do Carmo, do Quilombo Gibrié do São Lourenço, no município de Barcarena (PA). Essa transformação acontece no ritmo da floresta e dos rios; a rotina ribeirinha, antes vivida apenas por quem mora ali, passa a ser um convite. É justamente esse encontro entre quem vive e quem visita que dá sentido a um modelo de turismo construído a partir da comunidade e das suas vivências.

Joyce Ferreira, gestora de projetos do Instituto Peabiru, afirma que o TBC Barcarena veio para fortalecer o protagonismo das comunidades. “O turismo de base comunitária vem justamente para fortalecer e trazer a comunidade como protagonista (…), trazendo formações para que eles fiquem cada vez mais qualificados e preparados para receber esses visitantes.”   

Desde 2024, o projeto tem como objetivo a qualificação de moradores de Barcarena que trabalham na área. Por meio de formações, os moradores são preparados para receber os visitantes de forma estruturada, mas sem perder a essência do que já se vivia na comunidade antes do TBC chegar.

Milene Maués, representante do Fundo Hydro, também fala que o fortalecimento dessas atividades tem um propósito mais amplo. “E para que a gente também fortaleça as atividades do turismo de base comunitária em Barcarena e se consolide como referência nessa atividade que vem ao encontro da sustentabilidade, da gastronomia tradicional”, diz a mesma.

Um dos diferenciais que o projeto trouxe foi mudar a forma como a própria comunidade enxerga a importância do território, e como agregar valor a esse lugar de forma engajada. 

Visita à horta da agricultura familiar. Foto: Acervo do Instituto Peabiru.

Intercâmbio como fonte de conhecimento

Uma das frentes do projeto foi o intercâmbio entre comunidades. Ao conhecer, na prática, como o turismo funciona em outras localidades, os moradores de Barcarena que trabalham com a modalidade trouxeram para casa novos aprendizados: desde formas de organizar a recepção dos visitantes até maneiras de valorizar aquilo que é feito em seu território.

Sandra Santos, do grupo Mulheres de Fibra, resume esse processo: “Através do turismo, fomos tendo experiências com outras comunidades, através dos intercâmbios, através das oficinas oferecidas pelo TBC, fomos adquirindo conhecimentos.” Essa troca ampliou o entendimento sobre o próprio território e fortaleceu o engajamento coletivo.

Outro exemplo dessa transformação é a “Trilha do Xiba”, iniciativa de Manoel da Silva Xiba, para o manejo sustentável do cacau nativo em Barcarena, que existe desde 2015, antes mesmo de o TBC estruturar essa frente de trabalho. Com a chegada de visitantes para conhecer a trilha, ficou evidente um saber que ninguém imaginava existir, o manejo sustentável do cacau nativo e até mesmo o uso do próprio método para a produção do açaí, sem o uso de técnicas industrializadas.

Produtos da agricultura familiar sustentável. Foto: Acervo do Instituto Peabiru.

Um olhar de dentro para fora 

Antes de o turismo de base comunitária se estruturar em Barcarena, fazer as produções agrícolas, culinárias ou artesanais serem levadas para fora da comunidade era um processo caro e desgastante. O TBC contribuiu para uma inversão nessa lógica, em vez de levar os produtos para fora, a comunidade passou a atrair quem quer conhecê-los de perto. Esse é o efeito mais simbólico do projeto, um olhar que sai da comunidade para o mundo, mas que também traz o mundo para dentro da comunidade, redistribuindo valor entre quem participa da cadeia local, de forma direta ou indireta.

Para os moradores de Barcarena, o retorno esperado do turismo de base comunitária vai para além da geração de renda imediata. A expectativa é de que permaneça a troca de conhecimento entre moradores e visitantes, capaz de gerar prosperidade coletiva, não concentrada em poucos, mas distribuída entre as famílias ribeirinhas que sustentam essa forma de vida.

Texto: Rayane Pizon, sob supervisão de Raissa Lennon.

Edição: Giovanna Martini e Raissa Lennon.

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