Salgado Paraense

O Instituto Peabiru atua nesta região desde 2006, através do Programa Casa da Virada, financiado pela Petrobras, em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi entre outros. As ações são desenvolvidas a partir do município de Curuçá, uma das regiões de mais antiga colonização da Amazônia. No município há mais de setenta comunidades além do núcleo urbano da sede, que foram visitados no processo de construção da Agenda 21 Local.

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Se cerca de 95% da floresta de terra firme desapareceu, os manguezais ainda se apresentam em bom estado de conservação. Estes são fundamentais à segurança alimentar da maioria da população e se encontram protegidos pela Reserva Extrativista Marinha Mãe Grande de Curuçá. No entanto, a pressão sobre os manguezais e ambientes costeiros cresce rapidamente o que demanda especial atenção.

Importante mencionar, que a região se insere no sensível conjunto de ecossistemas da Amazônia Atlântica – encontro de três biomas – Amazônia, Região Costeira e Região Marinha –. Entre São Luís e Belém estão 85% dos manguezais do Brasil (cerca de 270 mil hectares), o maior conjunto contínuo de manguezais da Terra, com alta biodiversidade de fauna.

Os índices de IDH são baixos, especialmente os relacionados à renda, os jovens migram em busca de oportunidades de trabalho, especialmente os homens. A socioeconomia se caracteriza pelo intensivo uso de manguezais por caranguejeiros, marisqueiras e pescadores, a pesca artesanal de águas interiores (pesca da maré) e pesca costeira, além da agricultura familiar de subsistência.

O forte crescimento populacional e a ameaça de grandes obras, como o Super-Porto do Espadarte, aumentam a insegurança fundiária e dificultam o acesso das comunidades tradicionais aos recursos naturais, com forte impacto sobre a segurança alimentar.

As mudanças climáticas a nível local e destruição das florestas do entorno, diminuem ainda mais a capacidade de resiliência dos manguezais, fundamentais à procriação da maior parte das espécies de peixes costeiros afetando, inclusive, os ambientes marinhos. Em quase uma década, o Instituto Peabiru trabalha em três eixos:

a) Conservação ambiental e arqueológica – visando subsidiar a tomada de decisão sobre a conservação da biodiversidade, o manejo de recursos naturais e a proteção ao patrimônio arqueológico. Entre os principais resultados das pesquisas estão: a.1) a classificação de um novo tipo de formação florestal com espécies botânicas ameaçadas de extinção – a floresta amazônica atlântica –, que demanda urgente proteção; a.2) a descoberta de sítios arqueológicos, atualmente desprotegidos; a.3) a confirmação da presença das cinco espécies de tartarugas marinhas na região, além de espécies de quelônios de água doce; a4) a alta biodiversidade de insetos, peixes, aves e outros grupos faunísticos estudados; a.5) significativa presença de aves migratórias; e a.6) sério comprometimento dos cursos d’água pelo desmatamento das matas ciliares.

b) Educação ambiental – para ampliar o conhecimento de professores e alunos da rede pública, além de usuários da Resex; capacitando 400 alunos e 100 professores e, atualmente, o Instituto Peabiru executa um segundo ciclo de educação ambiental financiado pelo Criança Esperança (UNESCO & Rede Globo), trabalhando com 100 jovens como Agentes Ambientais e 85 professores como multiplicadores;

c) Cadeias de valor da sociobiodiversidade – através de dois produtos compatíveis com a Resex como unidade de conservação – a produção de mel de abelhas sem ferrão (Meliponicultura) com agricultores familiares e comunitários. Este projeto é apoiado pelo BNDES como parte do projeto Néctar da Amazônia

No passado atuou-se com o  ecoturismo de base comunitária, e com capacitações locais e apoio à organização social. Entre as principais preocupações do Instituto Peabiru estão: a) os possíveis impactos sociais, especialmente para as comunidades tradicionais na questão da segurança alimentar e fundiária, dos planos de desenvolvimento econômicos em larga escala, com destaque para o Porto do Espadarte e a exploração de petróleo na plataforma costeira; b) a efetiva implementação e gestão do conjunto de unidades de conservação do Salgado para a conservação da biodiversidade e patrimônio arqueológico; e c) o fortalecimento das organizações de base local em prol da sustentabilidade da pesca artesanal e agricultura familiar. Todas as ações visam, acima de tudo, o fortalecimento das capacidade humanas e a organização social, em prol da maior participação das comunidades locais nos processos decisórios, para influenciar políticas públicas para a região.

Mapas – confira aqui os mapas gerados

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