Congresso discute papel da mulher no espaço rural na Amazônia

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Foram apresentados os resultados do estudo sobre o trabalho da mulher no extrativismo da mangaba, em Maracnã, no Pará

Termina hoje, quarta-feira, 24, em Belém, o 51o Congresso da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural.  O evento abordou o tema “Novas Fronteiras da Agropecuária no Brasil e na Amazônia: desafios da sustentabilidade” e discutiu também o papel da mulher no espaço rural com cientistas rurais de todo o Brasil.

Uma sessão de debates na segunda-feira, 22, reuniu pesquisadoras que estudam relações de gênero e o trabalho de mulheres em assentamentos na Amazônia, do qual participou a engenheira agrônoma, Thiara Fernandes, Mestre em Agriculturas Familiares e gerente do Projeto Dendê, do Instituto Peabiru. A mesa de discussão contou também com Cyntia Oliveira, da Universidade Federal Rural da Amazônia, e Regina Silva, da Universidade Federal do Pará. Dalva Mota, pesquisadora  doutora da Embrapa Amazônia Oriental, foi quem coordenou o debate.

Fernandes falou sobre o trabalho da mulher no extrativismo da mangaba, resultado de um estudo de caso realizado na localidade Espírito Santo, município de Maracanã, no Pará, entre os anos de 2009 e 2010. A pesquisadora do Instituto Peabiru analisou três aspectos centrais: a organização do trabalho da mulher na casa e no campo; os arranjos para beneficiamento e venda da mangaba; e o usufruto da renda gerada pelo trabalho no extrativismo.

Segundo Fernandes, os resultados demonstram que a maioria das mulheres, ou seja, 66% delas, considera que têm autonomia na organização do trabalho e no uso da renda da venda dos frutos. “O que contraria as pesquisas acadêmicas sobre a agricultura familiar em que o trabalho da mulher é, geralmente, subordinado ao do homem”, explica.

O Instituto Peabiru trabalha com a questão de gênero em todos os programas e projetos, para incluir a mulher na tomada de decisão com grupos sociais quilombolas, indígenas, populações tradicionais e de agricultura familiar. No Projeto Dendê, por exemplo, onde a agricultura familiar está envolvida com a produção de óleo de palma, em Tailândia e Moju, no nordeste do Pará, a participação na economia facilita a autonomia da mulher nas decisões familiares.

Segundo a gerente do projeto, está sendo feito um trabalho para que a mulher volte a ter um papel importante na agricultura familiar, restabelecendo a mão de obra feminina na produção. “A iniciativa tem como objetivo implantar alternativas de cultivo nos próprios quintais das famílias”, destaca. Ela explica que através de pesquisa-ação com a comunidade foi identificada a queda da produção de subsistência, pois as roças tendem a ser deixadas de lado nas áreas de produção de dendê. “Com isso, além do aumento do preço de produtos como a farinha de mandioca, as mulheres perdem espaço no processo produtivo. Plantando nos quintais, este espaço pode ser reconquistado”, afirma.

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