Entrevista: Ecoturismo de Base Comunitária tem foco no benefício coletivo

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O Ecoturismo trabalha a questão econômica das comunidades tradicionais ausentes da rota do turismo comercial e apoia processos produtivos das cadeias de valores locais | Foto: Priscila Olandim.

Em seu início, o Instituto Peabiru tinha como principal linha de atuação o Ecoturismo. Com o tempo, esta atividade passou a ser uma das muitas frentes de atuação das equipes técnicas. Por seu caráter inclusivo, o Ecoturismo e, em especial, o Ecoturismo de Base Comunitária, é percebido por diversas comunidades tradicionais que recebem projetos do Instituto Peabiru, como uma forma complementar de geração de renda ao apoiar processos produtivos das cadeias de valores locais.

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No Ecoturismo o visitante tem a oportunidade conhecer a cultura e o modo de vida das comunidades | Foto: Priscila Olandim.

Diferentemente do que se pressupõe, o Ecoturismo não se dedica exclusivamente à questão ecológica. O termo se refere a uma modalidade de turismo, que foca na questão econômica das comunidades tradicionais ausentes da rota do turismo comercial. Estas, no entanto, possuem um grande potencial turístico, na medida que oferecem atrativos naturais, culturais e seu modo de vida como os atributos principais da experiência turística. O ecoturismo permite, ainda, uma experiência mais personalizada ao turista, permitindo trocas e não apenas uma posição passiva de quem recebe algo.

Em entrevista, a associada do Instituto Peabiru e diretora da Estação Gabirada, agência especializada em EBC, Ana Gabriela Fontoura (Gabi), explica como o Ecoturismo funciona e conta que, entre outras coisas, é possível trabalhar a inclusão social e a abertura de novos espaços de discussão dentro das próprias comunidades atendidas. Confira abaixo.

Instituto Peabiru: O que é o ecoturismo de base comunitária? O que ele se diferencia do turismo tradicional?

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Ana Gabriela Fontoura, associada do Instituto Peabiru e diretora da Estação Gabirada |Foto: Adriano Gambarini.

Ana Gabriela Fontoura (Gabi): O ecoturismo de base comunitária é um modelo de turismo permeado por princípios como a participação ativa e a gestão comunitária da atividade em seu território; a partilha de conhecimentos e interação entre visitantes e moradores; a divisão equilibrada dos recursos financeiros entre os envolvidos no trabalho; a transparência nas relações e a tomada de decisões; e a conservação e educação ambiental. Ele se diferencia da forma tradicional do turismo, em especial, por visar prioritariamente o benefício coletivo, o fortalecimento das populações e organizações locais e a realização de experiências práticas relacionadas ao modo de vida das pessoas do lugar.

Instituto Peabiru: Como o ecoturismo de base comunitária pode contribuir com a sustentabilidade de comunidades tradicionais?

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A valorização de cadeias de valores, como a da produção da castanha, é uma das bases do Ecoturismo | Foto: Rafael Araújo.

Gabi: Ao apoiar os projetos produtivos que as comunidades têm, como o artesanato, a produção de mel, a extração do açaí etc. e incentivar o reconhecimento dos saberes das populações locais. Este contribui para a valorização da cultura e das tradições das comunidades e para a geração de renda complementar às famílias que decidem empreender nessa área.

Instituto Peabiru: Qual a participação de jovens e de mulheres no ecoturismo de base comunitária?

Gabi: O turismo pode e deve ser uma ferramenta de inclusão social e de abertura de novos espaços de discussão e de oportunidades de participação nos locais onde se desenvolve. Os jovens e as mulheres têm papel fundamental nesse processo que permite com que sejam revistas e renovadas as relações de poder e liderança nas comunidades.

Instituto Peabiru: Na Amazônia, quais os principais desafios para o Ecoturismo de base comunitária? Por que ele não avança no Pará como em outras regiões? Quais os principais desafios?

Gabi: Na Amazônia, um grande desafio relaciona-se às enormes distâncias a percorrer para deslocamentos de um ponto a outro e o alto custo que essa necessidade impõe. Com isso, os roteiros de ecoturismo muitas vezes se tornam mais longos e caros do que em outros lugares do Brasil e acabam perdendo competitividade no mercado. Além disso, a proposta desse modelo de turismo de base comunitária é o benefício coletivo e a não centralização de serviços em um só elemento (pessoa ou empresa) da cadeia produtiva, o que também eleva de certo modo o custo das operações. Portanto, para que o valor por pessoa das viagens seja atraente e equiparado ao que costuma-se pagar por uma experiência desse tipo, é necessário muitas vezes formar grupos com um número mínimo de participantes que impede a execução de viagens para pequenos grupos, por exemplo, de até quatro pessoas. Por fim, acredito que o principal desafio hoje não só na Amazônia, mas em todos os projetos de ecoturismo de base comunitária no Brasil é a comercialização dos produtos.

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