Curta metragem lança um debate a respeito das abelhas nativas da Amazônia.

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Imagens foram capturadas em meliponários de comunidades de Curuçá-PA (acima) que recebem atuação do Instituto Peabiru e na Embrapa Amazônia Oriental.

A criação de abelhas nativas-sem-ferrão (chamada de meliponicultura) é uma poderosa ferramenta de desenvolvimento sustentável. Ela é uma importante fonte de renda para muitas comunidades rurais, que reduz a necessidade de explorar outros recursos naturais e cria incentivos para proteger o meio ambiente. Além disso, a meliponicultura contribui com a preservação das abelhas nativas e dos serviços de polinização que elas fornecem, os quais são fundamentais para garantir a produtividade de muitas culturas comerciais e manter a biodiversidade de plantas dos ecossistemas naturais.

Grande parte dos alimentos dependem de polinizadores. Estima-se que o serviço de polinização represente, globalmente, 1/10 do valor global da agricultura – cerca de US$ 153,1 bilhões. O recente aumento no desaparecimento de abelhas em diversas partes do planeta aumenta o debate sobre suas causas. Somente nos Estados Unidos, entre 1947 e 2005, houve um declínio de 60% das colônias de abelhas domesticadas. Ao mesmo tempo, nos últimos 50 anos, a agricultura global que depende da polinização de animais aumentou em 300%.

Para sistemas naturais mais sensíveis, como o bioma Amazônia, o desaparecimento destes animais é ainda mais preocupante. No Brasil há 244 espécies de abelhas nativas sem ferrão classificadas, das quais mais da metade  estão na Amazônia. Uma grave redução populacional destes insetos resultaria em risco para a biodiversidade local. As principais culturas agrícolas também sofrerão, entre as quais as palmeiras como o açaí (Euterpe olereacea); o cacau (Theobroma cacao), o cupuaçú (Theobroma grandiflora), as pimentas (Capsicum spp) e a maioria das frutíferas – afetando, assim, diretamente a segurança alimentar e geração de renda de tradicionais comunidades que vivem a base do extrativismo de cadeias de valores destes produtos.

É nesta linha que o Instituto Peabiru, o Instituto Tecnológico Vale – Desenvolvimento Sustentável (ITV-DS) e a produtora Marahú, com o apoio da Embrapa Amazônia Oriental, produziram um curta que alerta para este cenário e lança um debate a respeito dos próximos passos. O vídeo, em inglês, será apresentado durante a avaliação do relatório da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ambientais (IPBES), criada para monitorar globalmente as perdas de biodiversidade. A agenda inclui os polinizadores, a polinização e a produção de alimentos. O evento acontece nos dias 20 e 21 de fevereiro de 2016, em Kuala Lumpur, na Malásia e, a partir deste momento, será divulgado mundialmente por meio de diversos programas.

Assista, em inglês

O curta também é um esforço de captação para ampliar o debate através de um documentário que apresente a realidade das abelhas nativas na Amazônia e todos os seus aspectos relacionados ao dia a dia de comunidades tradicionais e, de forma indireta, ao do morador urbano.

Iniciativas envolvendo as abelhas nativas já são realizadas por diversas entidades e cientistas. O Instituto Peabiru, por exemplo, atua com abelhas nativas há dez anos. Neste período diferentes organizações contribuíram como financiadores de projetos com populações tradicionais da Amazônia.

Atualmente, 310 produtores de 30 comunidades rurais nos estados brasileiros do Amapá e Pará são beneficiados pelo projeto Néctar da Amazônia, iniciativa mais recente do Instituto Peabiru dentro do tema, com financiamento do Fundo Amazônia, do BNDES.  O principal objetivo do Projeto é fortalecer a cadeia de valor do mel de abelhas nativas em comunidades tradicionais, de modo a prover renda complementar sustentável em substituição ao desmatamento. Trata-se de iniciativa de 2 anos, com investimentos de R$ 2 milhões. O Instituto Peabiru estima que o projeto apoia a proteção de cerca de 17 mil hectares de ambientes de floresta, cerrado e várzea.

Realizar este debate e entender a importância de abelhas e demais animais polinizadores é entender que existem mais de 1 milhão de famílias vivendo em condições de exclusão nas áreas rurais da Amazônia brasileira. É considerar que a economia rural da Amazônia será altamente beneficiada se cada família tiver a sua criação de abelhas nativas.

É entender que gerar renda a partir da floresta em pé e, assim, desencorajar a emissão de gases do efeito estufa pelo desmatamento e queimadas, é estar alinhado com os objetivos do REDD+ e outros mecanismos de combate a mudanças climáticas e preservação ambiental, com uma visão ampla sobre polinizadores, polinização e os serviços aos ecossistemas.

 

 

 

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2 Comentários em “Curta metragem lança um debate a respeito das abelhas nativas da Amazônia.”

  1. Fundação ABC
    janeiro 13, 2017 às 2:21 pm #

    Muito interessante e extremamente importante o vídeo!
    Existe a divulgação em português?

  2. institutopeabiru
    fevereiro 8, 2017 às 2:50 pm #

    Não existe em Língua Portuguesa ainda. Quando conseguirmos verba faremos algo mais completo!

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