Projeto Embarca Marajó avança em suas ações

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O Instituto Peabiru, conjuntamente com o Instituto Internacional de Educação do Brasil – IIEB e Instituto Vitória Régia, executam o projeto Embarca Marajó. Esta iniciativa é apoiada pelo Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal, e tem como principais parceiros a Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó – AMAM, o Colegiado de Desenvolvimento Territorial do Marajó – CODETEM e o Instituto Lupa Marajó.

O objetivo do Projeto é Implementar ações de desenvolvimento socioeconômico e ambiental sustentável do Fundo Socioambiental Caixa, visando fortalecer processos de desenvolvimento local integrado a políticas públicas, nos municípios onde trafega a Agência-barco Ilha do Marajó, no Pará. São dez os municípios atendidos: Bagre; Breves; Curralinho; Melgaço; Muaná; Ponta de Pedras; Portel, Salvaterra; São Sebastião da Boa Vista e Soure.

 O Instituto Peabiru atua em 4 metas como parte do Embarca Marajó: 1. Valorização das boas práticas socioprodutivas sustentáveis, aqui a implementação dos Centros de Difusão de Boas Práticas socioprodutivas – Centros DIBOA; 2. Fomento a geração de trabalho e renda por meio de economia solidária, assessorando 4 fundos comunitários; 3. Fomento a educação, capacitações e assistências, nesta meta com a incubação da ONG local Lupa Marajó e assessoria técnica à Cooperativa Sementes do Marajó (Rio Canaticu, Curralinho); e 4. Promoção da cidadania e disseminação da cultura Marajoara, apoiando a produção cinematográfica local e a realização de festival de cinema marajoara.

Os Centros DIBOA

 Os Centros DIBOA discutem estratégias de promoção de boas práticas socioprodutivas, através de encontros de extrativistas do território marajoara. São momentos de troca de experiências comunitárias para a realização de ações de comercialização e produção. O critério é que esta produção siga princípios de sustentabilidade. Atualmente, há no Marajó três experiências mapeadas pelo Instituto Peabiru, considerando-se as cadeias de valor do açaí e do camarão, no município de Curralinho, e do óleo de andiroba, em Salvaterra.

Em Curralinho, mais especificamente no Rio Canaticu, a organização das comunidades em torno do manejo e comercialização do açaí destaca-se como experiência ímpar no território. Além disso, no mesmo município, os resultados dos acordos de pesca, também no Rio Canaticu, incentivaram o debate local para acordos relacionados ao manejo do camarão regional.

Em Salvaterra, na comunidade de Joanes, a Cooperativa dos Produtores Extrativistas Marinhos e Florestais da Ilha de Marajó – Coopemaflima, liderada por mulheres, tem na extração de óleos vegetais, especialmente na andiroba, seu principal trabalho. Trata-se da única experiência no Marajó que estes óleos são processados localmente em pequena agroindústria. Isto vem permitindo o  acesso a mercados diferenciados. Isto ocorre tanto a mercados locais, como vem alcançando mercados nacionais e internacionais, especialmente para a indústria de cosméticos.

Os Centros DIBOA reúnem extrativistas e pescadores dos demais municípios abarcados pelo Projeto que têm nesses encontros a oportunidade de troca de experiências, acesso a conhecimentos técnicos e estabelecimento de redes de produção e parcerias para comercialização.

Fundos Florestais Comunitários

Outra ação do Instituto Peabiru junto ao público de aos extrativistas do açaí é o apoio e a disseminação dos Fundos Florestais Comunitários. Estes Fundos representam um mecanismo de estruturar a poupança nas comunidades locais. As famílias, durante a safra do açaí, resolvem, através de sua Associação, guardar um determinado valor por cada rasa (embalagem local para o açaí) comercializada no porto comunitário. Ao final da safra essas famílias podem resgatar esses valores. Em alguns casos, esses valores são reunidos e a própria comunidade decide como investi-lo em benefício comum. Estas experiências foram acompanhadas de perto pela ONG Lupa Marajó, de Curralinho, que em diálogo com o Instituto Peabiru resolveram empreender ações de fomento a estas experiências como parte do processo de incubação do próprio Lupa (a seguir melhor descrita).

Para as ações com os Fundos Florestais Comunitários buscou-se identificar iniciativas no Marajó, partindo de experiências exitosas, como é o caso dos fundos florestais do Rio Canaticu, em Curralinho, e do Rio Acutipereira, em Potel. Num segundo momento, através de intercâmbios para a promoção da ideia, realizaram-se encontros no município de Portel, com a parceria do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR), com a participação de representantes de Curralinho, como forma de aprimorar suas experiências. Em Melgaço representantes comunitários sensibilizaram-se para a proposta dos Fundos e participaram dos encontros em Portel. O primeiro resultado é a criação de um fundo florestal comunitário em Melgaço.

Lupa Marajó

Um dos principais parceiros do Instituto Peabiru nas ações no Marajó, com destaque em Curralinho, é a ONG Lupa Marajó. Esta surge como resposta do movimento social local às demandas por projetos em comunidades que atuam. O desafio maior para o Lupa Marajó é a profissionalização de seu grupo gestor, em prol da administração e mobilização de recursos. A proposta é que a organização conte com quadro permanente evitando depender da ação voluntária de seus membros. Desta forma, uma das principais contribuições do Instituto Peabiru é capacitar para a elaboração de projetos, mobilização de recursos, num processo de incubação que eleve as capacidades dos membros do Lupa Marajó em desenvolver tais habilidades.

Cooperativa Sementes do Marajó

A Sementes do Marajó é resultado de aproximadamente uma década de fortalecimento da rede de associações do rio Canaticu – a Central de Associações do Canaticu. Esta Central nasce como estratégia para agregar valor à produção de açaí das famílias que dependiam totalmente de atravessadores. Com esta estratégia local os papéis se invertem e a Central conseguiu aumentar a força das famílias para negociar preços mais justos para seu produto.

A formalização da Central como Cooperativa Sementes do Marajó ocorre em início de 2015, em parceria com os Institutos Peabiru e ProNatura e a SESCOOP. Considerando que este arranjo como cooperativa, devido suas especificidades legais e de gestão, apresenta grandes desafios para quem gerenciava associações locais, o Projeto Embarca Marajó apresentou-se como oportunidade de assessoramento para o corpo diretor da Sementes do Marajó em prol da profissionalização de sua gestão. A contribuição vai além e se dedica a incentivar a organização da produção.

Festival de Cinema e produção audiovisual

Em 2011, como parte do Projeto Viva Marajó, o Instituto Peabiru exibiu o filme “Expedição Viva Marajó” nos 16 municípios marajoaras, além de promover o “Dia do Marajó” em Belém para discutir ampla agenda socioambiental e cultural. Tal experiência evidenciou a cultura marajoara em suas diferentes manifestações artísticas, como o cinema.

Assim, como parte do Embarca Marajó, o Instituto Peabiru apoia a Fundação Dalcídio Jurandir, de Ponta de Pedras, na produção de um filme sobre a vida da mulher marajoara e a realização do Festival de Cinema Marajoara, que exibirá produções locais em 5 municípios da região. No momento, a Fundação se prepara para a produção, participando de Oficinas para a elaboração de roteiros e técnicas de filmagem.

Conclusão

A participação do Instituto Peabiru no Projeto Embarca Marajó visa, em última instância, ampliar a discussão territorial tendo como principais protagonistas os próprios marajoaras. A proposta é promover as cadeias de valor da sociobiodiversidade locais, seja pelo fortalecimento e difusão das boas iniciativas locais, bem como fortalecer a cultura marajoara. Parafraseando os dizeres dos encontros do Colegiado Territorial do Marajó (CODETEM), estas ações buscam valorizar o olhar marajoara sobre si mesmo, seja para a resolução de suas problemáticas, seja em proporcionar o olhar encantado do marajoara sobre sua gente.

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