Conheça o trabalho que o Peabiru realiza em parceria com a área de responsabilidade social de empresas

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Fórum da Agenda 21 Local. Vila dos Palmares, Tailândia – PA, 2011. | Foto: Acervo Peabiru

 

Desde a sua fundação, há 20 anos, o Instituto Peabiru tem como um de seus pilares trabalhar com empresas de grande porte, que representam atores poderosos nos locais em que estão inseridos e, por isso, com relevante responsabilidade pela governança territorial.

É preciso reconhecer que a presença destas empresas se constitui parte essencial da realidade amazônica, mesmo se considerarmos que a sua participação resulte de movimentos exógenos de desenvolvimento. Em qualquer processo de transformação territorial – inclusive os até então ideais e por enquanto utópicos – em que os impactos de grandes empreendimentos não oprimam ou prejudiquem comunidades tradicionais, como defendemos –, exige uma interação efetiva entre todas as partes envolvidas.

Daí o Peabiru acreditar que as soluções para o efetivo desenvolvimento dos territórios incluem, necessariamente, as grandes empresas. Em geral, este trabalho se relaciona à Responsabilidade Social Corporativa, também conhecido em Língua Inglesa como Corporate Social Responsability – CSR e envolve diversos setores da empresa, como comunicações, meio ambiente e recursos humanos.

Apesar da complexidade deste cenário, entendemos que as empresas:

  • Crescentemente buscam diminuir os riscos de suas operações e realizar suas ações em ambiente formal, o que cria um marco legal em diversos locais na Amazônia, permitindo um maior controle social, difícil de alcançar em outros locais em que prevalece somente a lei do mais forte; e
  • Reconhecem que seus colaboradores, prestadores de serviços e suas famílias e relações, vivem e trabalham nas localidades de seu entorno e são parte integrante da comunidade, o que torna a sustentabilidade do local um uma variável estratégica.

Entretanto, muitas vezes, estas empresas se vêem diante de desafios que demandam maior articulação com outros setores da sociedade.

Em distintas ocasiões deparamo-nos com empresas pouco preparadas para enfrentar o conjunto de desafios que se apresenta, especialmente pelo modo como a maioria dos empreendimentos foi planejado e implantado na Amazônia, como a chegada de milhares de trabalhadores a determinada localidade, ou infra-estruturas que alteram, de forma definitiva, a dinâmica socioeconômica e logística regional. Isto porque muitos destes empreendimentos resultaram de articulações e deliberações de fora para dentro, sem a efetiva participação das populações locais – com os quais organizações da sociedade civil como o Instituto Peabiru podem contribuir.

Nossa metodologia, com abordagem participativa e foco nos princípios da pesquisa-ação, busca maior apropriação por parte dos grupos sociais locais acerca do contexto em que se encontram inseridos, além de contribuir para uma maior formação política, numa perspectiva freiriana. Visa facilitar diálogos locais, o engajamento dos atores, nos diferentes níveis, em prol da participação efetiva na tomada de decisões, e no processo de negociação com instituições gestoras e outros atores locais, que apresentam impacto significativo na qualidade de vida das comunidades, da sociedade em geral e na conservação dos recursos naturais.

 

O histórico do Peabiru com empresas

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Projeto Almeirim Sustentável, atividade em grupo. Calha Norte, 2013 | Foto: Rafael Araujo

 

Desde sua criação em São Paulo em 1998, o Peabiru atuou com projetos sociais apoiados por empresas, como o Projeto Tesourinha, financiado pela Unilever. A ONG também contou com apoio e patrocínio para diferentes projetos, como as primeiras ações relacionadas a educação ambiental, esportes de natureza e ecoturismo, apoiados pela Timberland (Alpargatas à época), Motorola e Caloi, entre outros.

Nestes catorze anos no Pará, tivemos a oportunidade de trabalhar com algumas das maiores empresas no Pará, Maranhão e Amapá, seja realizando estudos científicos, facilitação de diálogo, capacitação de atores locais, entre outras ações. Neste processo de aprendizagem destacam-se quatro setores – a mineração (Alcoa, em Juruti; Hydro, em Barcarena; e Vale e Fundação Vale na Estrada de Ferro Carajás), a palma (dendê)(Agropalma, Biopalma, Belém Bio Energia (BBB) e Denpasa, todas no Nordeste do Pará), e celulose e papel e reflorestamento (Amata, em Castanhal e Paragominas; e Suzano Papel e Celulose, na região de Imperatriz, no Maranhão e no Extremo Sul da Bahia); e, infraestrutura e logística (Dreyfus, em Ponta de Pedras).

Colaboramos ainda para empresas como a Natura. Em 2004 realizamos para esta empresa a avaliação de comunidades fornecedoras de priprioca em Belém, Acará e Santo Antônio do Tauá e, em 2009, contribuímos para o diálogo com a Associação de Erveiras e Erveiros do Ver-o-Peso, em Belém, sobre direitos relacionados ao acesso a conhecimento tradicional associado à biodiversidade. A partir da metodologia de Agenda 21, contribuímos para a Petrobras compreender o entorno do Terminal Miramar, em Belém. Realizamos, ainda, a partir de 2006, estudos pioneiros nas áreas de influência da Sambazon, fabricante de açaí, no Amapá e Pará.

Certamente, a ação de mais longo prazo, e com diferentes resultados e desdobramentos, amplamente documentada em relatórios, artigos e dissertações de mestrado de pesquisadores externos é com a Agropalma SA, com quem colaboramos há mais de uma década. Este trabalho envolveu tanto os agricultores familiares parceiros da empresa nos assentamentos de Arauaí I-III, em Mojú, como o fortalecimento da associação de moradores da Vila dos Palmares, em Tailândia. Em 2011, para a Petrobras Biocombustível (hoje Belém Bio Energia) concluímos diagnósticos socioambientais em propriedades rurais para a produção de óleo de palma, em Tailândia, constituindo-se o que se denomina de “marco zero” do empreendimento. E, mais recentemente, iniciamos estudos no entorno de áreas da Biopalma, em Acará e, em Santa Bárbara, para a Denpasa para fortalecer as organizações do entorno. Destaca-se, ainda, em 2017, uma atividade inédita na região, relacionada ao acompanhamento, do ponto de vista do cumprimento da legislação de respeito aos direitos humanos, da reintegração de posse de três áreas da Hydro em Barcarena, Pará.

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Consultor do Instituto Peabiru, Rosemiro Rodrigues facilita reflexões de comunitários. Comunidade Cruzeiro, Barcarena – PA, junho de 2018. | Foto: Mariana Buoro

 

Por fim, desde fevereiro último, o Instituto Peabiru presta serviços para a Hydro (Norsk Hydro Brasil Ltda.), visando contribuir para a promoção de um ambiente de equilíbrio e de diálogo entre a empresa e os diferentes atores socais locais de Barcarena, que permita a construção de relações de confiança no território, em especial com as comunidades vizinhas, inclusive com a realização de pesquisas e de assistência técnica e extensão rural.

Importante observar que, desde a criação do Polo Industrial na década de 1980, a região apresenta um histórico de conflitos fundiários urbanos e rurais pela indefinição da autoridade pública e pela falta de diálogo. Mesmo diante da magnitude dos aportes ao poder público, observa-se que a maior parte da população apresenta grande dificuldade em ser atendida por políticas públicas e de acesso a bens e serviços. Brevemente apresentaremos os primeiros resultados de nosso trabalho em Barcarena, assim como as diferentes contribuições ao desenvolvimento dos territórios em ações de longo prazo em que estivemos envolvidos.

 

 

Conheça os principais resultados da  Agenda 21   na Vila dos Palmares, bem como as  avaliações externas sobre esta ação (Indicadores Socioambientais)


Instituto Peabiru é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), com 19 anos de atividade, sede em Belém do Pará, com a missão de facilitar processos de fortalecimento da organização social e da valorização da sociobiodiversidade, especialmente para que as populações extrativistas e os agricultores familiares da Amazônia sejam protagonistas de sua realidade. Atua no Pará, Amapá, Maranhão e Bahia.

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