Plataforma Parceiros pela Amazônia: o papel do setor privado na conservação da biodiversidade

As empresas têm um potencial de contribuição ainda pouco dimensionado que, se estimulado e associado a sua responsabilidade socioambiental, trará recursos, inovação e geração permanentes de emprego e renda

Por João Meirelles FilhoMariano Cenamo Vasco van Roosmalen

Mesmo ciente que a Amazônia contém a maior biodiversidade do mundo, o Brasil insiste em um modelo exploratório insustentável e de alto impacto socioambiental que tem efeitos regionais e globais. A participação de meros 8% do Produto Interno Bruto, baseada principalmente em produtos e serviços pouco relacionados à biodiversidade, demonstra o desperdício de oportunidades e a incapacidade de compreender a vocação da Amazônia.

O desafio é mover-se para modelos econômicos sustentáveis, que aliem conservação, desenvolvimento econômico, respeito e efetiva participação de povos e comunidades tradicionais. Não se trata de tarefa exclusiva do poder público ou de grupos específicos. O setor privado tem um potencial de contribuição ainda pouco dimensionado que, se estimulado, valorizado e associado à sua responsabilidade socioambiental, trará recursos, inovação e geração permanentes de emprego e renda.

É a partir do reconhecimento da relevância e potencial do setor privado na geração de impacto positivo nas temáticas de sustentabilidade e conservação da biodiversidade que surge a Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA).

Liderada por um grupo de empresas e apoiada pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) e o Centro Internacional de Agricultura Tropical (Ciat), a PPA tem a missão de fomentar a construção de soluções inovadoras para o desenvolvimento sustentável, conservação da biodiversidade, das florestas e dos recursos naturais da Amazônia. Busca catalisar investimentos de ordem social e ambiental na região, compartilhar boas práticas corporativas em conservação ambiental, e facilitar a visibilidade e liderança do setor privado no desenvolvimento sustentável e na conservação da Amazônia, além de promover novas parcerias e relações entre parceiros e comunidades locais.

Atuação da PPA

A PPA iniciou suas atividades em dezembro de 2017 com a liderança de 11 empresas atuantes na Amazônia brasileira e com presença na Zona Franca de Manaus. Assim, Ambev, Bemol/Fogás, Coca-Cola, Whirpool, Dow, KPMG, Natura, Grupo Nova Era, DD&L, entre outras organizações, estiverem à frente da iniciativa em seu primeiro momento, sob a Coordenação Executiva do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), com apoio da Usaid e Ciat.

Os primeiros resultados da Plataforma relacionam-se a estudos estratégicos e temas de investimento de impacto, incubação e aceleração de empreendedores e startups, como a Chamada de Negócios PPA 2018. Esta mapeou mais de 80 iniciativas nos setores de inovação tecnológica, negócios florestais e educação, que promovem impacto socioambiental na região, em temas como inclusão social, redução de desmatamento e redução da pobreza.

Em novembro último, a PPA realizou em Manaus o 1º Fórum de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia (FIINSA), conectando novos empreendimentos e investidores. O evento contou com mais de 250 participantes, feiras de negócios e uma rodada de investimentos ao vivo ao estilo shark tank, onde foram investidos mais de R$ 1 milhão em quatro startups da Amazônia. Foi também lançado o Programa de Aceleração de Negócios da PPA, que conta com 15 empreendedores e negócios de impacto, que serão alavancados durante o ano de 2019.

Mariano Cenamo -abertura - Divulgação PPA

1º Fórum de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis na Amazônia (FIINSA), uma das realizações da Plataforma Parceiros pela Amazônia no ano de 2018.


Em fins de 2018, ampliando sua atuação, a Plataforma chegou ao Pará, onde Instituto Peabiru e Ecam (que se juntam ao Idesam na Coordenação Executiva) assumem a mobilização e articulação de atores do setor privado no Pará e na Amazônia Oriental. Entre os primeiros setores que se engajaram destacam-se a mineração, a palma (dendê), papel e celulose, logística e varejo.

Convidadas a compor a Plataforma, empresas como Agropalma, Cargill, Dreyfus, Hydro, Imerys, MRN, Suzano, além de associações como Simineral, Amport e Aimex, já realizaram dois encontros desenvolvendo temáticas para atuação conjunta. Empreendedorismo comunitário, promoção de cadeias de valor nos territórios amazônicos e conservação de biodiversidade em áreas de conservação privadas são alguns dos temas levantados pelas próprias empresas, que deverão ser detalhados na sequência.

A Plataforma Parceiros pela Amazônia é uma oportunidade de unir esforços, dirigir recursos, comunicar conjuntamente, focando em questões prioritárias, e avançar em agendas pragmáticas, que conciliem interesses de comunidades locais, territórios e empresas, alinhadas a políticas públicas. O engajamento do setor privado unido em prol da conservação ambiental e da sustentabilidade permitirá importantes contribuições para superar os grandes desafios que a maior floresta tropical do planeta enfrenta.

Saiba mais nesta reportagem: “Negócios de impacto amazônicos ganham aceleradora“.

João Meirelles Filho, Escritor e diretor do Instituto Peabiru., colabora há 10 anos com a revista Página 22.
Mariano Cenamo, Co-fundador e diretor de Novos Negócios do Idesam.
Vasco van Roosmalen
Diretor da Ecam.

Artigo publicado originalmente na revista Página 22, publicação da Fundação Getúlio Vargas. Para acesso ao original clique aqui.

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