Impactos da pandemia do coronavirus sobre as comunidades quilombolas do nordeste paraense

Entenda a organização dos quilombos e os impactos da pandemia nesses territórios


A economia dos quilombos da região nordeste do Pará gira, em grande parte, em torno da agricultura familiar, do extrativismo, do artesanato e da prestação de serviços locais, como a limpeza dos roçados e dos açaizais. A agricultura voltada para o autoconsumo também é atividade importante porque garante parte da alimentação, como a produção de açaí e farinha. O trabalho assalariado permite a compra de alimentos e produtos que não são produzidos pela comunidade e é essencial para o pagamento de luz, água, telefone, contas de modo geral, compra de medicamentos e outros itens básicos.

Com a pandemia do Covid-19, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), as comunidades têm adotado o isolamento social, ferramenta importante de prevenção ao avanço da doença. Contudo, com as medidas de isolamento, o acesso às fontes de renda é reduzido drasticamente para as comunidades. Inicialmente, em função da dificuldade de ir aos centros maiores comercializar seus produtos. Em seguida, pelo próprio fechamento das comunidades. Além disso, considerando que a agricultura é feita de forma coletiva pelos moradores, mesmo a parte destinada ao autoconsumo é impactada, porque os moradores trabalham em mutirões e, em função do isolamento, não podem mais atuar de forma coletiva. 

As comunidades que costumam receber compradores da farinha, de açaí e de outros produtos do extrativismo, têm reduzido o acesso de pessoas de fora da comunidade e restringido a saída dos moradores. Entretanto, mesmo com o fechamento das comunidades, já há um caso confirmado da doença na comunidade Cafezal, em Barcarena (PA), e dois suspeitos na comunidade quilombola do Burajuba, também no município de Barcarena. Segundo Raimundo Magno, morador da comunidade quilombola África (no município de Moju), já foram registradas duas mortes em decorrência do Covid-19 em quilombos — uma na Comunidade Quilombola de Itacoã, Acará, e outra, na Comunidade Espírito Santo, também de Acará.

Respeitando o protocolo recomendado pelas autoridades de saúde, o isolamento deve se intensificar e, com ele, a dificuldade de adquirir alimentos não produzidos nos quilombos, além de produtos de higiene – principalmente sabão, água sanitária, papel toalha e álcool em gel. Por isso, é ainda mais urgente o apoio às comunidade nesse momento de vulnerabilidade.

Mulheres quilombolas das Comunidades África e Laranjituba lideram enfrentamento a expansão do corona vírus e fecham acessos às comunidades. Imagem: Raimundo Magno/Reprodução Facebook.


A campanha de apoio lançada pela Malungu (Coordenação Estadual das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Pará), ECAM e Instituto Peabiru busca contribuições para permitir que as comunidades se mantenham e continuem atuando na prevenção ao vírus.
Acesse a campanha e faça sua contribuição


Apoie as comunidades quilombolas no Pará na crise do coronavírus:
http://vaka.me/977187 

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