Amigo das Abelhas da Amazônia realiza oficina de construção de meliponários para comunidades de Boa Vista do Acará

Segunda oficina da série de capacitações foi realizada com 24 famílias das comunidades de Boa Vista do Acará, no Pará

Famílias de Boa Vista do Acará participam da segunda oficina de capacitação em meliponicultura que faz parte da criação
de um novo polo de criação de abelhas sem ferrão na Amazônia.
Foto: Instituto Peabiru.


Em 22 de novembro o projeto Amigo das Abelhas da Amazônia realizou sua segunda oficina sobre meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) para os moradores de Boa Vista do Acará, município localizado na Região do Baixo Acará, no nordeste do Pará. A oficina foi voltada às etapas de construção dos meliponários destinados à criação das abelhas sem ferrão. Participaram ao todo 24 famílias das comunidades de Santa Maria, Boa Vista do Acará, Guajará Mirim, Genipaúba e Itacoãzinho. 

Esta é uma das atividades de desenvolvimento de um novo polo de meliponicultura em Boa Vista do Acará, como parte do projeto Amigo das Abelhas da Amazônia. O projeto do Instituto Peabiru conta com o apoio do Instituto Clima e Sociedade como financiador e selecionará vinte famílias para participar das atividades em um ciclo de dois anos. Os selecionados serão contemplados com 300 colmeias matrizes, recebendo capacitação para início da sua criação de abelhas sem ferrão, acompanhamento técnico especializado, além da garantia de compra de sua produção de mel ao final do ciclo produtivo. Conhecidas como abelhas sem ferrão por conta do seu ferrão atrofiado, as abelhas do tipo melíponas geram uma série de produtos e serviços ambientais, como o mel, o pólen e a polinização das plantas.

Seguindo os protocolos de prevenção da Covid-19, o projeto tem promovido encontros e oficinas de preparação para início das atividades, que serão desenvolvidas com as vinte famílias selecionadas. Assim como a primeira oficina oferecida às famílias de Boa Vista do Acará, a oficina de construção dos meliponários foi conduzida pelo técnico Cleiton Santos, colaborador do Instituto Peabiru com mais de cinco anos de experiência no manejo de abelhas nativas.

Cleiton Santos, do Instituto Peabiru, apresentou aos participantes todo o processo de montagem dos cavaletes que suportam as caixas de abelhas.
Foto: Instituto Peabiru/Mariana Faro


Com o apoio de Abimael Teles, morador de Boa Vista e voluntário do projeto, Cleiton apresentou o passo-a-passo da construção dos cavaletes, desde a preparação dos materiais que compõem a estrutura, como o corte dos tubos que suportam as colmeias, até a identificação e numeração das colméias. Todo o processo envolveu a orientação de uso dos Equipamentos de Proteção Individual, EPIs, para segurança dos participantes.

Como preparação para a oficina os técnicos do projeto dimensionaram 600 tubos de PVC, além de lâminas de madeira e telhas de fibrocimento, materiais de construção civil e de fácil acesso que servem de matérias-primas para a construção dos cavaletes de sustentação das colmeiasde abelhas. Durante a oficina a formatação de cada material foi apresentada aos participantes que tiveram a oportunidade de executar as etapas, exercitando o preparo dos materiais.

As mulheres das comunidades mais uma vez marcaram presença na atividade, estando entre as mais atentas durante toda a oficina. Cleidiene Alves, de Boa Vista do Acará, participa desde as primeiras atividades do projeto e anotou todos os detalhes das etapas e materiais em seu caderno. Ela tirou dúvidas sobre os materiais necessários, como a espessura da esponja e do cano, para registrar todo o processo. “É sempre bom anotar tudo para não esquecer”, diz ela. Cleidiene relata que sua família ainda não trabalha com a criação de animais e que se selecionados terão sua primeira experiência na criação das abelhas sem ferrão. Ela está na expectativa para saber se será selecionada para ter o meliponário na sua área e, se tudo der certo, até para ampliar sua criação posteriormente.

Cleidiene Alves e Maria da Silva (à direita), de Boa Vista, participam atentas a todos os detalhes.
Foto: Instituto Peabiru/Mariana Faro


Construindo a estrutura das colmeias 

Além da construção da base de tubos, os participantes montaram as bandejas dos cavaletes, feitas em madeira e fixadas centralmente sobre os tubos. Para a proteção contra uma possível queda das colmeias um arame galvanizado é fixado na colmeia e na bandeja do cavalete. No tubo ainda é colocada uma esponja embebida em óleo queimado, um dos cuidados para evitar que predadores, como formigas, cupins e lagartixas, subam e ataquem as colméias. Ao final da oficina os participantes aprenderam ainda a nomear as colmeias atribuindo um número de identificação para facilitar sua gestão. 

Abimael, jovem morador de Boa Vista local, é voluntário no projeto e começou a aprender o processo de produção ao longo do treinamento com Cleiton.
Ele demonstrou aos participantes o processo de montagem da tábua superior das caixas de abelhas.


Com todos os cavaletes prontos (foto 3), o grupo de famílias selecionadas participará da fixação dos cavaletes em trabalho de mutirão, onde todos ajudarão a transportar os cavaletes e instalá-los na área de cada família. Após a instalação dos cavaletes, os meliponários serão concluídos com adição das colmeias (caixas de madeira instaladas sobre os cavaletes) e a chegada das abelhas. A previsão é de que as colmeias do projeto cheguem em Boa Vista do Acará no final de dezembro, quando serão entregues às famílias. A última etapa de estruturação dos meliponários é a inserção das colmeias com as abelhas, que serão entregues para as famílias em janeiro de 2021. Essas colmeias com abelhas serão instaladas nos cavaletes previamente instalados nas áreas familiares.

Cleiton apresentou o passo a passo da construção dos cavaletes que compõem o meliponário junto com as colméias.
Foto: Instituto Peabiru/Mariana Faro


Próximos passos

Ao final da oficina a coordenação do projeto retomou o calendário, para alinhamento sobre os próximos passos do grupo. Para o sábado, dia 5 de dezembro, estavam previstas reuniões dos grupos das comunidades de Boa Vista do Acará e Itacoãzinho para decisão coletiva sobre a instalação dos meliponários. Em 6 de dezembro, próximo domingo, haverá uma nova visita para atualização dos dados dos inscritos, que irá apoiar a preparação do contrato dos selecionados. O resultado da seleção será divulgado no dia 13 de dezembro a todos os inscritos e também nos canais do Instituto Peabiru. 

Sobre o projeto Amigo das Abelhas da Amazônia

Em julho de 2020 o Instituto Peabiru lançou o projeto Amigo das Abelhas da Amazônia convidando famílias e organizações comunitárias de Boa Vista do Acará a conhecerem a proposta do seu Programa de Abelhas da Amazônia, desenvolvido desde 2006. O Programa desenvolve projetos em parceria com organizações sociais de territórios da Amazônia para criação de abelhas sem ferrão, atividade que gera renda e promove a educação ambiental. 

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2 Comentários em “Amigo das Abelhas da Amazônia realiza oficina de construção de meliponários para comunidades de Boa Vista do Acará”

  1. Wanderley
    dezembro 9, 2020 às 4:09 am #

    Fiquei maravilhado com o Projeto. Candidato-me como consumidor dos produtos das abelhas sem ferrão e divulgador do projeto. Boa sorte a todos. Parabéns aos produtores e organizadores.

  2. Instituto Peabiru
    dezembro 9, 2020 às 9:29 am #

    Olá, Wanderley!
    Obrigado pelo seu comentário!
    Você pode consumir os produtos comprando o mel de abelhas sem ferrão dos territórios.
    Vendas para todo Brasil nesse link: https://www.peabiruprodutos.com/

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