“Mangues da Amazônia” promove educação ambiental e recuperação de áreas na maior faixa de manguezal contínuo do mundo

Projeto atuará em três Unidades de Conservação do Pará que juntas representam metade das áreas de mangue do estado

O manguezal é um ecossistema de grande importância para o equilíbrio do planeta, devido à sua alta capacidade de sequestrar carbono da atmosfera, mitigando as emissões de gases de efeito estufa. Contribuindo para a conservação desse ecossistema, o projeto Mangues da Amazônia é lançado com o objetivo de recuperar e conservar manguezais em três Reservas Extrativistas Marinhas na costa nordeste do Estado do Pará. O projeto, realizado pelo Instituto Peabiru em parceria com o Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA), da Universidade Federal do Pará (UFPA), e a Associação Sarambuí, conta com patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental. Com início em 2021 e duração de dois anos, o projeto irá atuar na recuperação de espécies-chave dos manguezais, além de promover capacitações e educação ambiental para mais de 1600 pessoas nos municípios paraenses de Augusto Corrêa, Bragança e Tracuateua.

Manguezais compõem 9.900 Km2 do território brasileiro e mais de 80% está na costa amazônica.
Foto: Rafael Araújo.


Ecossistema costeiro de transição entre os biomas terrestre e marinho, os manguezais compõem cerca de 9.900 Km2 do território brasileiro. Na Amazônia, estão presentes em mais de 50 municípios, cobrindo uma área que representa mais de 80% de todo manguezal no Brasil. O projeto Mangues da Amazônia atuará em três Reservas Extrativistas Marinhas, as chamadas RESEX Mar, Unidades de Conservação geridas em parceria pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e conselhos gestores locais. Nas três Unidades de Conservação o foco do projeto é recuperar áreas degradadas de manguezais e espécies-chave desse ecossistema, como o mangue branco e o caranguejo-uçá. Com início neste mês de março, as atividades do projeto irão subsidiar uma série de ações para a conservação e uso sustentável dessas espécies.

As ações serão desenvolvidas nas RESEX Mar de Araí-Peroba, em Augusto Corrêa; RESEX Mar de Caeté Taperaçu, em Bragança e RESEX Mar de Tracuateua, em Tracuateua. Buscando envolver diferentes grupos sociais das comunidades tradicionais do entorno e de dentro das Unidades de Conservação, o projeto tem nos moradores locais seu principal público no contexto educativo, beneficiando indiretamente 6000 pessoas.

“O Mangues da Amazônia tem o enorme potencial de promover, através de suas atividades de base comunitária, um programa pioneiro e longevo que envolve o planejamento e a preparação para atividades de manejo de flora e fauna, bem como reforçar as atividades de reflorestamento para a recuperação de áreas degradadas de manguezal, promovendo boas práticas de conservação”, ressalta o professor Dr. Marcus Fernandes, Coordenador do LAMA/UFPA e responsável pelo Programa de Pesquisa Ambiental do Mangues da Amazônia.

Caranguejo-uçá, umas das espécies estudadas pelo projeto Mangues da Amazônia.
Foto: Rafael Araújo.


Articulando diferentes frentes para ampliar o alcance dos seus resultados, as atividades do Mangues da Amazônia são orientadas por três eixos principais: 1. Pesquisa Técnico-Científica sobre Ecologia de Manguezal, no intuito de aprimorar o conhecimento sobre a distribuição das espécies arbóreas de mangue e zonas de extração do mangue branco e do caranguejo-uçá, e sobre o estoque e emissão de carbono nos manguezais das Reservas Extrativistas Marinhas. 2. Proposição de Manejo Participativo, através do replantio das áreas de manguezal degradadas via a integração dos conhecimentos tradicional e técnico-científico para subsidiar o plano de manejo existente na RESEX Mar de Caeté-Taperaçu e os planos futuros das demais unidades de conservação. 3. Educação Ambiental, facilitando a interação dos demais eixos através de atividades junto aos diferentes grupos sociais das comunidades-alvo, principalmente a população infantil, sistematizando conhecimentos técnico-científicos e tradicionais sobre os manguezais tornando-os acessíveis para todos.

As atividades do projeto serão realizadas conjuntamente com os extrativistas locais, reconhecendo a importância do conhecimento tradicional para a determinação de áreas e discussão de resultados das pesquisas. Para John Gomes, Gerente do Projeto, o Mangues traz importantes contribuições metodológicas e de circulação do conhecimento. “Do ponto de vista da equipe técnica e das lideranças locais, este projeto será um divisor de águas, no sentido de possibilitar uma abordagem do meio ambiente que articula o conhecimento científico ao olhar e conhecimento dos moradores locais. O Mangues da Amazônia vem para escutar e desenvolver de forma conjunta o futuro da maior linha contínua de manguezais do mundo”.

Início das ações em campo e foco na segurança

Com patrocínio da Petrobrás, o projeto foi aprovado na Seleção Pública de 2018 do Programa Petrobras Socioambiental, na linha de Florestas e Clima, como um dos seis projetos com atuação na região amazônica. As atividades de planejamento do projeto tiveram início ainda em janeiro de 2021, com a oficialização do contrato, e agora a equipe prepara as primeiras ações em campo. O planejamento para essas ações do projeto inclui diálogos de segurança e o atendimento aos protocolos de prevenção à COVID-19. “Nesse período de pandemia enfrentamos desafios de adaptação, porém todas as ações do projeto estão sendo orientadas pelos protocolos estabelecidos pelos órgãos responsáveis e autoridades de saúde, como a licença ambiental expedida pelo ICMBio e as orientações dos decretos estaduais e municipais relacionados à prevenção à COVID-19”, destaca John Gomes. Serão realizadas reuniões virtuais sempre que possível e encontros presenciais com redução do número de pessoas e distanciamento social, além da distribuição de máscaras e álcool em gel para os participantes.

Com duração prevista de dois anos, o projeto foi estruturado para promover uma contribuição de longo prazo para a região bragantina, tanto do ponto de vista da pesquisa, quanto de impactos positivos para as comunidades locais. Para o professor Marcus Fernandes, o Mangues da Amazônia terá um impacto positivo relevante nos três municípios da costa paraense em que será desenvolvido. “Do ponto de vista técnico-científico, muitas informações sobre as florestas de mangue serão geradas, contribuindo, sobremaneira, tanto para a elaboração dos planos de manejo, como para melhor entender a participação humana nesse sistema, através da compreensão da dinâmica do uso dos recursos e seu reflexo nos processos ecológicos do manguezal”.

Além da contribuição científica, andam lado a lado a produção de conhecimento e a educação ambiental, com uma equipe multidisciplinar especializada. O Mangues da Amazônia estará presente em todas as comunidades-alvo, com olhar especial para as crianças. De acordo com professor Marcus Fernandes, “a contribuição mais relevante do projeto é o trabalho que será realizado com o público infantil, plantando pequenas sementes, ensinando desde cedo a se importar, a proteger e a cuidar dos manguezais e, então, lá na frente, a médio e longo prazo, colhermos os frutos esperados”.

A experiência e a atuação das organizações envolvidas são chave para o sucesso do projeto. Além do Laboratório de Ecologia de Manguezais da UFPA e da Associação Sarambui, o Mangues da Amazônia soma-se à trajetória de projetos do Instituto Peabiru na região do Nordeste Paraense e ao tema dos manguezais. Para João Meirelles, Diretor do Instituto Peabiru, o projeto dá visibilidade para as questões das populações tradicionais da região costeira amazônica, especialmente aos usuários de reservas extrativistas, em relação à sua cultura, à geração de renda local e à sustentabilidade. “O Mangues da Amazônia permite avançar em uma estratégia regional para os manguezais amazônicos, ambientes mais sujeitos aos impactos das mudanças climáticas. Além disso, o projeto demonstra a importância da parceria de importante centro de pesquisa público de nível internacional como o LAMA/UFPA, uma organização da sociedade civil de atuação regional e as associações de base local, valorizando as contribuições da ciência associada ao conhecimento tradicional”, assinala Meirelles. Em março de 2021 as primeiras ações de campo do projeto começam a acontecer, com mobilização local nos municípios de Augusto Corrêa, Bragança e Tracuateua. Mais informações podem ser obtidas nos perfis de redes sociais e através dos contatos do projeto.


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