Agrofloresta fortalece construção coletiva em projetos no Peabiru
No dia 28 de abril, na Casa da Floresta Unesp Peabiru, colaboradoras, colaboradores e pessoas convidadas se reuniram para o II Encontro do Grupo de Trabalho de Agricultura do Instituto Peabiru. Com foco nos Sistemas Agroflorestais (SAFs), o encontro promoveu momentos de escuta, troca de experiências e construção coletiva de conhecimento sobre práticas agrícolas inspiradas na dinâmica da floresta.

Na Casa da Floresta Unesp Peabiru, colaboradoras, colaboradores e pessoas convidadas se reuniram em mais um momento de troca sobre agricultura no Instituto Peabiru. O II Encontro do Grupo de Trabalho de Agricultura trouxe como eixo os Sistemas Agroflorestais (SAFs), mas foi além da dimensão técnica: abriu espaço para escuta, partilha de experiências e construção coletiva de conhecimento.
Os SAFs, mais do que um modelo produtivo, foram apresentados como uma forma de relação com o território. Inspirados na dinâmica da floresta, esses sistemas articulam diferentes espécies e ciclos de cultivo em um mesmo espaço, considerando o tempo de cada planta e sua função no conjunto. A proposta é potencializar o uso do solo e dos recursos naturais, criando sistemas mais diversos, equilibrados e próximos do funcionamento da natureza.
Reconhecido por atuar no fortalecimento de grupos sociais e da conservação da Amazônia, o Instituto Peabiru realiza, em diversos projetos socioambientais, a implementação de Sistemas Agroflorestais. A prática integra ações desenvolvidas principalmente em territórios rurais e tradicionais do Pará, onde os SAFs contribuem para o fortalecimento da agricultura familiar, a recuperação de áreas degradadas, a segurança alimentar e a geração de renda de forma sustentável.
Saiba mais sobre os programas e projetos executados pelo Instituto Peabiru.
Para Thiara Fernandes, gestora de projetos do Instituto Peabiru, essa lógica também exige mudanças de postura. “Trabalhar com sistema agroflorestal é fazer as pazes com o erro”, afirma. Segundo Thiara, o manejo dos sistemas envolve tentativa, observação e adaptação contínua. “O erro faz parte do processo de aprendizagem e construção do conhecimento. É importante entender que é na prática que o conhecimento é construído”.
Essa forma de trabalhar também orienta a dinâmica dos próprios Grupos de Trabalho (GTs) dentro do Instituto. Thiara menciona que o GT é um espaço de troca entre diferentes equipes e territórios, que permite compartilhar experiências e ampliar a visão sobre os desafios e caminhos da área agrícola. “A ideia é nivelar conhecimentos a partir dessas vivências e fortalecer a atuação da instituição como um todo, construindo também uma linguagem comum”, afirma.
Para Steve Fernando, também gestor de projetos do Instituto Peabiru, o trabalho com agrofloresta passa, antes de tudo, pela escuta. “A gente precisa ouvir o território, entender como as populações plantam, colhem, manejam. O que a gente aprende na academia é uma sistematização de muitos anos desses saberes”, explica.
Steve destaca que essa troca acontece em duas direções. De um lado, os conhecimentos técnicos ajudam a potencializar a produção; de outro, a vivência das comunidades complementa e desafia o que está nos livros. “É uma via de mão dupla: a equipe que trabalha diretamente no campo e as pessoas que já estão no campo. Se falta alguma coisa, é na fala das comunidades que isso se completa”.
Aprendizados que partem da prática
A dimensão coletiva também apareceu nas experiências compartilhadas durante o encontro. A colaboradora Margarete Melo, trouxe a prática do quintal produtivo como um exemplo possível de transformações cotidianas. Ao incorporar a separação de resíduos orgânicos em casa, passou a enxergar o que antes era descarte como possibilidade de recurso.
“É uma mudança de hábito simples, mas que transforma a forma como a gente se relaciona com o solo e com o que produz”, conta. Para ela, iniciativas como essa podem se expandir para além do espaço individual, incentivando outras pessoas a experimentarem e construírem conhecimento juntas.
O olhar de quem veio de fora do Instituto também reforçou os valores presentes nos Sistemas Agroflorestais. Para a arquiteta Caroline Miranda, do escritório de arquitetura Prana Tropical, o que mais chama a atenção é a lógica de cooperação entre as espécies nos SAFs. “Cada uma contribui com o que tem de melhor. Isso fortalece o sistema como um todo”, observa.
Caroline destaca que essa dinâmica traz aprendizados que ultrapassam o campo agrícola. “Os SAFs mostram que o coletivo funciona melhor quando há colaboração real. Não é sobre saber tudo, mas sobre construir com o que cada um pode oferecer”.
Ao longo do encontro, a agrofloresta apareceu como prática e como linguagem comum entre diferentes trajetórias. Um espaço onde técnica e experiência caminham juntas, e onde o conhecimento se constrói na escuta, na convivência e na experimentação.
No Instituto Peabiru, iniciativas como o Grupo de Trabalho (GT) Agricultura integram um conjunto mais amplo de ações voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, à valorização dos saberes tradicionais e à construção de soluções enraizadas nos territórios – processos que se desenvolvem coletivamente, assim como uma agrofloresta.
Sobre GTs do Instituto Peabiru
Os Grupos de Trabalho (GTs) do Instituto Peabiru são espaços internos de articulação, troca de experiências e construção coletiva entre colaboradoras e colaboradores que atuam em diferentes projetos e territórios. A estratégia busca fortalecer áreas temáticas da instituição por meio da socialização de conhecimentos, do compartilhamento de desafios e da construção de práticas comuns entre as equipes.
Sobre a Casa da Floresta Unesp Peabiru
A Casa Da Floresta é uma iniciativa do Instituto Peabiru e Universidade Estadual Paulista (Unesp) por meio da Pró‑reitoria de Extensão Universitária e Cultura (Proec). Localizada no Baixo Acará (PA), às margens do Rio Guamá, é um espaço que une ciência e tecnologia social com saberes locais.
Saiba mais sobre a Casa da Floresta aqui.
Saiba mais sobre o Instituto Peabiru https://peabiru.org.br/
Texto: Amanda Santos
Revisão: Luciana Kellen