Propostas de desenvolvimento local dão voz e oportunidade de posicionamento econômico a mulheres de comunidades tradicionais

Meliponicultoras de Curuçá produzem e comercializam mel de abelhas nativas da Amazônia no próprio quintal de casa. Foto: Rafael Araújo

Empreendedorismo de Mulheres: Meliponicultoras de Curuçá produzem e comercializam mel de abelhas nativas da Amazônia no próprio quintal de casa. Foto: Rafael Araújo

Espaços para refletir sobre a própria realidade, discutir alternativas, redescobrir a auto-estima e criar oportunidades de geração de renda complementar. É com esta abordagem que o Instituto Peabiru trabalha a questão de gênero em todos os seus programas e projetos, para incluir a mulher na tomada de decisão com grupos sociais quilombolas, indígenas, populações tradicionais e de agricultura familiar.

Em Curuçá, na região do Salgado Paraense, o trabalho é realizado em parceria com a associação de meliponicultores do município, a Asmelc, formada na maioria por mulheres donas de casa, que muitas vezes dependem financeiramente dos maridos. Porém,  com a possibilidade de produção de mel de abelhas nativas sem ferrão no próprio quintal, readquiriram auto-estima para acreditar no empreendedorismo.

“Eu me sinto mais livre e mais dependente. Dependo das abelhas e elas dependem de mim”, explica Cleudes Pimenta, 32 anos, uma das associadas. Ela conta que com o dinheiro da primeira venda de mel comprou maquiagem e alimentos para casa. A meliponicultora afirma que a atividade do mel pode render ainda mais.”Acredito que o mel vai dar certo e quando começar a produzir vai dar bastante. Vou anotar tudo o que gasto no bico da caneta, quanto gasta e a quanto vende o mel”, afirma.

Abordagem – De acordo com Maria José Barney Gonzalez, diretora de gestão de conhecimento do Instituto Peabiru, a abordagem não busca trabalhar com grupos exclusivos de mulheres, e sim incluí-las em todas as atividades da ONG. “Como forma de empoderamento, é importante para a mulher conquistar seu espaço e voz na discussão onde participam também homens, e garantir a participação em processos de tomada de decisão e de negociação”, explica.

Com isso, a instituição acumula aprendizados em projetos como com quilombolas e indígenas, no Amapá, e agricultores, no Pará. “Nem sempre é fácil pois, muitas vezes, encontramos resistência, mas trabalhamos com os líderes comunitários para que entendam a importância da participação da mulher”, destaca. Segundo a diretora, este modo de desenvolver as atividades está presente em todas as ações dos projetos de desenvolvimento, nos programas Viva Marajó, Casa da Virada, Palma (Dendê), Ecoturismo de Base Comunitária, entre outros.

Participação na economia facilita autonomia da mulher nas decisões familiares

Na agricultura familiar envolvida com a produção de óleo de palma, em Tailândia e Mojú, onde o Instituto Peabiru atua com o Programa Dendê, foi identificado através de pesquisa-ação com a comunidade, que houve queda da produção de subsistência, ou seja, as roças foram deixadas de lado. Com isso, além do aumento do preço de produtos como a farinha de mandioca, as mulheres perderam espaço no processo produtivo. “O trabalho para restabelecer as mulheres na produção está focado em implantar alternativas de cultivo nos próprios quintais das famílias, ocupando a mão de obra feminina, e produzindo excedentes para comercialização”, exemplifica Maria José Barney. “Assim, a mulher volta a ter papel importante na agricultura familiar”, ressalta.

Daiane Marques, uma das agricultoras de Mojú que participa do projeto do Instituto Peabiru, lembra que no início do plantio das palmeiras de dendê na região, toda a família participava do processo. “Na minha família, eu e minhas irmãs e minha mãe íamos ajudar meu pai a limpar a área e plantar as mudas de dendê. Hoje nós nem sabemos o que passa, a gestão ficou só nas mãos dos homens”, conta.

Para Daiane e outras mulheres que trabalham com a ONG, é importante incentivar as mulheres a conhecer mais sobre as atividades produtivas do dendê, trazer projetos de geração de renda e utilizar mão de obra feminina, facilitando a autonomia das mulheres nas decisões familiares. No quintal de Daiane já foi implantado um tanque de piscicultura. A ação é feita em parceria entre o Instituto Peabiru e o Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais – Prevfogo um órgão do Ibama.

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