Pescadores monitoram tartarugas marinhas ameaçadas no litoral paraense

Tartaruga da espécie suruanã encontrada pelo pescador Nilson em curral da Praia do Sino, na Ilha de Ipomonga, em Curuçá

Tartaruga da espécie suruanã encontrada pelo pescador Nilson Nascimento em curral da Praia do Sino, na Ilha de Ipomonga, em Curuçá (PA)

Comunidades de pescadores que vivem nas ilhas da região do município de Curuçá, no nordeste paraense, estão contribuindo para monitoramento da reprodução e da captura acidental de cinco espécies ameaçadas de tartarugas marinhas que ocorrem na área da Reserva Extrativista Mãe Grande Curuçá, no litoral do Estado. No período de fevereiro a junho deste ano, mais de 80 quelônios foram capturados sem intenção e devolvidas ao mar.

As pesquisas científicas e as ações de educação ambiental sobre tartarugas são  iniciativa do Instituto Peabiru, que desenvolve na região o projeto Casa da Virada, e do Núcleo de Altos Estudos da Amazônia da Universidade Federal do Pará (NAEA/UFPa). O projeto é patrocinado pelo Programa Petrobras Ambiental, da Petrobras.

Para o pesquisador Juarez Pezzuti, coordenador da equipe do NAEA/UFPa que esteve nas comunidade Abade, Mutucal e na Praia da Romana, em Curuçá, é de fundamental importância a inclusão do pescador no trabalho de conservação das tartarugas marinhas. “Quando o pescador encontra uma tartaruga no curral, em quase cem por cento dos casos ela estará viva, e a decisão de devolvê-la ou de levar para consumo é inteiramente dele”, avalia.

No início do ano o projeto realizou uma série de oficinas participativas junto às comunidades discutindo a importância da conservação dos quelônios, como identificar as espécies e como fazer parte do monitoramento. Os pescadores receberam kits com a descrição e fotos, além de tabelas de preenchimento de dados. “Os pescadores se mostraram dispostos a contribuir com o trabalho tomando nota de toda a ocorrência de tartaruga marinha nas comunidades”, conta Richardson Frazão, coordenador do projeto Casa da Virada, do Instituto Peabiru.

Pescador realizando soltura de tartaruga verde encontrada em curral

Pescador realizando soltura de tartaruga verde encontrada em curral

Em cinco meses, o resultado foi o registro da ocorrência de 86 capturas de tartarugas marinhas em redes e currais de pescadores da Resex. Destas, 83 foram encontradas vivas e devolvidas à natureza. Pezzuti explica que a diminuição da mortalidade de espécies de quelônios ameaçados que ocorrem no litoral paraense, como a tartaruga de couro e a suruanã, está relacionada ao envolvimento dos pescadores através de educação ambiental. “A pesca, além do lixo, é o principal risco para os quelônios”, destaca.

Mais três espécies foram registradas pela pesquisa na região: a tartaruga oliva, de pente e a cabeçuda. Isso significa que no litoral do Pará são encontradas todas as cinco espécies de tartaruga marinha ameaçadas de extinção no Brasil. São as cinco espécies da lista do projeto Tamar (Centro Tamar/ICMBio), que trabalha na pesquisa, proteção e manejo de quelônios marinhos no litoral brasileiro.  Para o diretor do Instituto Peabiru, João Meirelles, o resultados das pesquisas mostra a necessidade urgente de ampliação da área da Resex Mãe Grande Curuçá. “Aumentando a área de proteção, hoje delimitada aos mangues, será possível fazer um trabalho mais amplo de proteção dessas espécies ameaçadas”, explica.

Saiba mais:

As 5 espécies encontradas no Brasil estão presentes em Curuçá, aqui apresentadas com a sua classificação pelo IBAMA e pela IUCN: a) Cabeçuda ou Mestiça (Caretta caretta) em perigo (IUCN) e em perigo (IBAMA); b) Tartaruga de pente (Eretmochelys imbricata) criticamente em perigo (IUCN) e em perigo (IBAMA); c) Tartaruga verde (Chelonia mydas) em perigo ( IUCN) e vulnerável (IBAMA); d)Tartaruga-de-couro ou tartaruga-gigante (Dermochelys coriacea) criticamente em perigo (IUCN e IBAMA); 5) Tartaruga oliva (Lepidochelys olivacea) em perigo (IUCN e IBAMA).

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