Com tecnologia social da meliponicultura Peabiru é finalista em chamada de soluções inovadoras para o desenvolvimento sustentável da Amazônia

Projeto com abelhas sem ferrão desenvolvido com povos e comunidades tradicionais em dois estados da Amazônia recebeu menção honrosa, ficando em terceiro lugar entre os finalistas

Cleiton Santos em Meliponário da abelha Uruçú Amarela. Curuçá (PA)
Foto: Rafael Araújo

A chamada realizada pela Plataforma de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, SDSN-Amazônia, para escolha da melhor solução inovadora da Amazônia divulgou o resultado da seleção na última segunda-feira (29), em Manaus. O Instituto recebeu menção honrosa ficando em terceiro lugar na seleção que recebeu 24 propostas de membros da plataforma.

A chamada recebeu 24 soluções inovadoras desenvolvidas na Amazônia, sendo 14 do Brasil, quatro do Equador, quatro do Peru, uma solução da Colômbia e uma da Bolívia. As 24 soluções estão disponíveis na Plataforma de Soluções da SDSN-Amazônia para acesso ao público. O projeto vencedor, da ONG Ampa, no Perú, é desenvolvido na região de San Martín, e acompanha as associações da Amazônia peruana na realização e na gestão de áreas de conservação conectando a grande dispensa da Amazônia Andina com a cadeia gastronômica peruana e com cozinheiros renomados nacional e internacionalmente, mas assegurando a sustentabilidade dos suprimentos, a defesa das florestas e melhorando a qualidade de vida dos camponeses. A solução foi premiada com uma viagem para Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde o representante da iniciativa participará da Conferência Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (ICSD), que ocorrerá em setembro na Universidade de Columbia.

O Instituto Peabiru e o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – IDESAM receberam menção honrosa pela qualidade dos projetos apresentados. O Idesam foi responsável pela solução Programa de Incubação e Aceleração da Plataforma Parceiros pela Amazônia e o Peabiru apresentou o projeto Meliponicultura: Tecnologia social para povos e comunidades tradicionais da Amazônia.

Todas as soluções foram avaliadas por um júri composto pelo Secretário Estadual do Meio Ambiente (Sema) Eduardo Taveira; pelo professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Henrique dos Santos Pereira; professor da Universidade de São Paulo (USP), Jacques Marcovitch; professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (Ufrj) Peter Herman May; pelo diretor presidente da Cigás, René Levy Aguiar; pelo reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Cleinaldo Costa; e pela jornalista e professora do Centro Universitário Fametro, Liege Albuquerque. As soluções foram avaliadas seguindo critérios de relevância, caráter inovador da solução, viabilidade financeira, escalabilidade impacto atual e/ou potencial e aderência aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Juri avaliador do prêmio Soluções Inovadoras SDSN-Amazônia.
Imagem: Dirce Quintino/SDSN Amazônia

 
Meliponicultura como tecnologia social na Amazônia

De cunho agroecológico a solução apresentada pelo Instituto Peabiru envolve a tecnologia de criação de abelhas nativas da Amazônia e tem como características principais o baixo custo de implantação e o manejo simplificado. A tecnologia social é orientada ao empoderamento de grupos socialmente vulneráveis, à valorização dos serviços ambientais, além da replicabilidade e da inclusão da produção das comunidades nos mercados. Diferente da colmeia e dos equipamentos da apicultura, normalmente fabricados de modo industrial, a meliponicultura é projetada para utilizar peças e equipamentos que não exigem um processo complexo de produção e tampouco materiais dispendiosos ou de difícil acesso para grupos rurais economicamente vulneráveis. São construídas com ferramentas comuns e materiais encontrados no local.

Meliponário na comunidade Pingo D’água, em Curuça (PA).
Foto: Rafael Araújo.

A meliponicultura, cultivo das abelhas sem ferrão, se caracteriza pelo uso de pequenas caixas de madeira, onde são instaladas as colmeias, e cujo modelo em módulos permite a multiplicação periódica das colônias. O custo médio da colmeia inicial é cinco vezes menor do que a utilizada na apicultura. Há ainda o baixo esforço empreendido no manejo: com duas horas de trabalho semanal, em média, maneja-se um meliponário de aproximadamente 100 colmeias. Como as abelhas não ferram, o meliponário pode ficar próximo da casa dos produtores, dispensando a necessidade de grandes terrenos. Tais características permitem que a meliponicultura seja uma estratégia de empoderamento de grupos de menos poder no campo, como jovens e mulheres. A replicabilidade da atividade é potencializada pois o pacote tecnológico permite rápido domínio sobre os pontos principais do manejo e da construção e montagem das colmeias.

Atualmente, o programa de Abelhas sem Ferrão está presente em 22 localidades de 7 municípios. No Amapá, com quilombolas em Macapá e indígenas no Oiapoque; e no Pará, com comunidades tradicionais em Almeirim, Curuçá, Monte Alegre, Curralinho e Barcarena. O programa conta com cerca de 3.600 colmeias racionais instaladas nas diferentes localidades.

Conheça mais sobre essa e outras iniciativas vinculadas ao Programa de Abelhas sem ferrão, do Instituto Peabiru.
Veja matéria completa sobre a seleção no site da Rede SDSN Amazônia.

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