Comunidades quilombolas no Pará registram mortes decorrentes da sobrecarga dos serviços públicos de saúde

A dificuldade no acesso a serviços de saúde pelas comunidades quilombolas rurais na Amazônia tem se agravado com a pandemia de Covid-19. Pesquisadores alertam para vulnerabilidade da região no enfrentamento à doença.

Com pandemia de Covid-19, comunidades quilombolas relatam agravamento das dificuldades de acesso a atendimento de saúde


Além dos desafios impostos a todos pelo isolamento social e pela vulnerabilidade econômica, a pandemia de Covid-19 torna-se ainda mais crítica para povos e comunidades tradicionais. A baixa capilaridade dos serviços de saúde – principalmente aqueles mais especializados – dificulta o acesso não só dos atingidos pelo vírus, mas para todos os moradores que necessitam de atendimento médico.

Raimundo Magno, morador da comunidade quilombola África (no município de Moju, no Pará), relata que sua cunhada está no nono mês de gravidez e já passa pelo segundo hospital à espera da internação. Além disso, um dos moradores de Laranjituba, comunidade quilombola também em Moju, apresentou complicações de um quadro de cirrose, precisando de internação. Em função do risco de contrair Covid-19, foi mandado para casa e veio a falecer.

São muitos os depoimentos sobre pacientes quilombolas com complicações de saúde que não puderam ser atendidos em função da pandemia. Em alguns casos, a falta de atendimento agrava o risco de morte e preocupa os moradores. “Nunca foi fácil termos acesso aos serviços de saúde. Entretanto, agora, em decorrência do aumento dos casos de Covid-19, uma simples consulta com o clínico generalista tornou-se algo ainda mais difícil. O estado de temor é esse. Além das dificuldades de vaga na rede”, afirma Magno.

Pesquisadores de diversas áreas atuantes na região afirmam que o interior da Amazônia se encontra ainda mais vulnerável à Covid-19 do que os grandes centros. As condições sanitárias e de acesso à saúde na região historicamente problemáticas preocupam os pesquisadores, uma vez que são estruturas fundamentais para conter a expansão da doença e evitar o aumento no número de mortes. Com o crescimento dos casos no Brasil e no estado do Pará, estes pesquisadores alertam para as condições do Sistema de Saúde do estado que contava com limitado número de ventiladores/respiradores (1.013) e UTIs (623).

O agravamento das dificuldades no acesso aos serviços de saúde, relatado nas comunidades quilombolas, reforça a importância do respeito ao isolamento, a fim de evitar a sobrecarga de hospitais e outras serviços essenciais de saúde.

Com o objetivo de manter as famílias moradoras de comunidades quilombolas em casa, a campanha de arrecadação lançada pela Malungu (Coordenação Estadual das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Pará), com apoio de ECAM  e Instituto Peabiru, busca contribuições para que as comunidades se mantenham e continuem atuando na prevenção ao vírus. A campanha online segue recebendo doações, em dinheiro, cartão de crédito ou boleto bancário, através do link: http://vaka.me/977187


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