Néctar da Amazônia – saiba mais

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Resumo

O Projeto Néctar da Amazônia tem como objetivo fortalecer a cadeia de valor do mel de abelhas nativas silvestres em comunidades tradicionais da Amazônia. Trata-se de oportunidade única de aliar a geração local de renda, combater as queimadas e o desmatamento, promover a conservação da biodiversidade e valorizar os serviços ambientais como a polinização.

O projeto resulta de dez anos de experiência do Instituto Peabiru na temática e relação com as diferentes comunidades envolvidas nos cinco polos beneficiados em dois estados –  Pará (Polo Curuçá; Polo Calha Norte, incluíndo os municípios de Monte Alegre e Almeirim) e Amapá (Polo Macapá e Polo Oiapoque).

O projeto Néctar da Amazônia recebe recursos do Fundo Amazônia (BNDES). A ação iniciou-se em fins de 2014 com encerramento em outubro de 2018. O projeto consolidou a etapa de multiplicação das colmeias, capacitação dos produtores, licenciamento da atividade, fortalecimento dos sistemas agroflorestais piloto e outras atividades associadas. O projeto alcançou beneficiários de 24 comunidades em 5 municípios.

O projeto é pioneiro, a nível nacional, ao obter a autorização para os criadores com mais de 50 caixas de abelhas pelo SISFAUNA (sistema de monitoramento de fauna do IBAMA, administrado pelos estados, no caso, Pará e Amapá).

Subprojeto Município Comunidades
Envolvidas
1 Macapá – AP 1 Mel da Pedreira
2 São Pedro dos Bois
3 Ambé
4 São Tiago
2 Oiapoque – AP 5 Açaizal
6 Tukay
7 Galibi
8 Ahumã
9 Yawká
3 Curuçá – PA 10 Cabeceira
11 São Pedro
12 Pingo D’água
13 Km 50
14 Santo Antônio
15 Araquaim
16 Sede Curuçá
4 Almeirim – PA 17 Praia Verde
18 Lago Branco
Monte Alegre – PA 19 Juçarateua
20 Santana
21 Nazaré
22 Lages
23 6 Unidos
24 Paitúna
5 municípios 24 Comunidades

Galeria de imagens

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Abrangência territorial – Municípios contemplados no projeto:

– No Pará: Curuçá, Almeirim e Monte Alegre;
– No Amapá: Macapá e Oiapoque.

Beneficiários

O projeto atende atualmente 101 produtores de 24 comunidades rurais em áreas quilombolas, indígenas e povos e comunidades tradicionais do entorno de unidades de conservação (ribeirinhas e extrativistas).

Objetivo do projeto

Fortalecer a cadeia de valor do mel de abelhas nativas silvestres em comunidades tradicionais de modo a constituir renda complementar sustentável ao desmatamento.

Papel do Instituto Peabiru

O Instituto Peabiru tem o papel de execução técnica e financeira do projeto.

No período, os principais resultados e aprendizados foram:

Resultados

Consolidação dos meliponários e Início da produção

Após vários anos de multiplicação do plantel inicial, a maioria das comunidades chegou aos números viáveis para a produção de volume desejado de mel por cada família ou grupo produtor.

Nesses meliponários consolidados foram instaladas as melgueiras-X que têm maior capacidade de produção de mel. Hoje das 2.596 caixas com abelhas, temos melgueiras-X em 2.140. Na safra de 2018 (outubro a dezembro), há previsão de produção de 2 toneladas nas comunidades do projeto.

Na safra do ano passado (2017), em que apenas Monte Alegre produziu, foram produzidos 301 quilos de mel, sendo 243 quilos comercializados, o que gerou uma renda de R$ 7.290,00 e o restante foi destinado para o consumo da família.

Formação de Técnicos Qualificados para atender os territórios

Seguramente, os técnicos comunitários são um dos principais atores no processo de consolidação da Meliponicultura nos polos do projeto. Esses técnicos são os responsáveis pelo pleno desenvolvimento das colônias, assim contribuindo para a manutenção e o desenvolvimento desse importante patrimônio biológico.

Todos os técnicos comunitários atuais são os mesmos desde o início do Projeto, o que permite a consolidação do aprendizado de todo o ciclo do projeto nos territórios. A tabela a seguir apresenta a distribuição de técnicos nos territórios:

Nome do Monitor Comunidade/Município/Estado
Elizeu Mel da Pedreira / Macapá / AP
João Batista (Paredão) São Pedro dos Bois / Macapá / AP
Evandro Aldeia Açaizal / Oiapoque / AP
Anderson Aldeia Açaizal / Oiapoque / AP
Valber Aldeia Galibi / Oiapoque /AP
Silas Aldeia Tukai
Fábio Comunidade Lago Branco / Almeirim / PA
Patrício Comunidade Praia Verde / Almeirim / PA
Mazinho Comunidades:  Santana, Paituna, Lages, Seis Unidos, Vila Nova de Nazaré, Nazaré / Monte Alegre / PA
Cleiton Comunidades: Cabeceira (2), São Pedro, Pingo dágua, Km 50, Santo Antônio, Araquaim, Sede de Curuçá / Curuçá / PA

Dentre as ações dos técnicos, destacam-se:

  • Articulação e mobilização dos beneficiários para as atividades coletivas, especialmente para os mutirões de limpeza de terreno e multiplicação dos meliponários;
  • Assessoria técnica individualizada aos beneficiários;
  • Organização dos eventos de capacitação;
  • Alimentação periódica das colônias;
  • Monitoramento e avaliação semanal do desenvolvimento das colônias
  • Manejo do processo de multiplicação das colônias;
  • Aquisição de insumos necessários para alimentação e manejo
  • Prestação de contas sobre a execução financeira local

Parceria para a comercialização

No último mês de agosto, a estratégia do Instituto Peabiru de parceria para a comercialização deu resultado, e foi aprovado o registro do mel de abelhas sem ferrão no Ministério da Agricultura (SIF). Na verdade, foi aprovada a comercialização em dois tamanhos de embalagem: 150g e 300g.

Além de ser o único projeto de meliponicultura no Brasil que tem a atividade de manejo autorizada, via SISFAUNA, esse é o único mel da Amazônia com o selo de inspeção federal (SIF) e um dos poucos do Brasil. Esse registro permite comercializar a produção em todo o Brasil e até exportar para determinados países que aceitam o SIF brasileiro.

Autorização de todo o plantel

No período, buscamos e conseguimos a autorização de manejo (AM) de todos os nossos beneficiários, mesmo os que ainda não são obrigados (pois não atingiram um grande número de caixas).

Pesquisa com a Embrapa e UFPA

Uma série de pesquisas foi desenvolvida a partir das ações e resultados do projeto, especialmente junto a Embrapa Amazônia Oriental. Entre estas destacam-se:

– Estudo dos benefícios das meliponicultura para as comunidades e o meio ambiente;

– Catalogação das espécies da flora que as abelhas visitam;

– Estudo e aprimoramento do processo de desidratação do mel para comercialização sem refrigeração, com índice de umidade a 20%;

– Barcode das abelhas paraenses – sequenciamento genético das abelhas sem ferrão comumente utilizadas na produção;

Estudo de mercado e plano de negócios

No período, com melhores dados e informações sobre a cadeia da meliponicultura e com a perspectiva de produção balizada, começamos a elaborar os estudos sobre os canais de comercialização e a aprofundar a modelagem da viabilidade do negócio.

Meliponário Demonstrativo no Instituto Federal do Pará (IFPA) campus Castanhal

No período, foi instalado no Instituto Federal do Para, campus de Castanhal, Pará, um meliponário demonstrativo para atividades pedagógicas a alunos e também para produtores das redondezas.

Filme Néctar da Amazônia

O filme foi produzido e já apresentado, inclusive aprovado pelo Fundo Amazônia. No mês de julho, foram editados, a partir do material já captado, outros 3 filmes de 1 minuto para apoiar a divulgação.

Simpósio Abelhas sem ferrão e a Sociobiodiversidade

Em 2 de agosto de 2018, o Instituto Peabiru com a participação de produtores familiares, pesquisadores da Embrapa, Universidade Federal do Pará e Instituto Tecnológico Vale, e o apoio do Museu Goeldi, realizou evento para discutir sobre a cadeia de valor das abelhas sem ferrão (melíponas). O Simpósio apresentou os aprendizados de doze anos de trabalho do Programa Néctar da Amazônia, do Instituto Peabiru, para o fortalecimento da meliponicultura, e os múltiplos desafios para sua plena operação. Mais informações: https://peabiru.org.br/2018/08/07/instituto-peabiru-realizou-simposio-abelhas-sem-ferrao/

Apoio ao entreposto de Mel da Apisal

O projeto Néctar da Amazônia apoiou uma pequena reforma do entreposto de Mel da Associação dos Criadores Orgânicos de Abelhas de São João de Pirabas, Pará (APISAL). Com esta reforma o entreposto está solicitando o Selo de Inspeção Estadual  (SIE) para produtos artesanais. Além disso, é mais um canal de escoamento da produção para os produtores da região do Salgado Paraense, em especial para os produtores associados ao Peabiru de Curuçá.

 

Aprendizados

Os aprendizados possibilitados pelo projeto são em múltiplas dimensões:

Consolidação da cadeia produtiva:

O processo de multiplicação de colmeias matrizes ao longo do projeto gerou um plantel disponível que hoje permite à instalação de meliponários direcionados exclusivamente para a produção de mel em ciclos curtos, que é o caso dos meliponários recém instalados em Curralinho, no Marajó, e na comunidade Quilombola de Burajuba, em Barcarena. Essas comunidades, através de outros financiadores, adquiriram colmeias dos produtores do projeto, sem redução do plantel, apenas com a multiplicação direcionada à venda, o que gerou uma renda significativa para as famílias, já que uma colmeia está sendo vendida a R$ 300,00.

Pelo lado de quem compra, a vantagem é a possibilidade de produção de mel em 6 meses, como é caso da comunidade de Burajuba, onde o meliponário com 30 caixas foi instalado em junho desse ano e já irá produzir, aproximadamente, 60 quilos de mel em novembro. Poucas atividades agrícolas permitem um ciclo produtivo tão curto.

Ainda em termos de consolidação da cadeia produtiva, pode-se citar a formação de técnicos capacitados para o manejo da meliponicultura. Quando o projeto começou não havia técnicos especializados em meliponicultura nos municípios atendidos, hoje têm-se pelo menos um técnico em cada município atendido, ou seja, cinco no total. Além disso, há produtores altamente capacitados para o manejo, especialmente das partes de alimentação e multiplicação das colônias e coleta e armazenamento de mel.

Cita-se ainda que há uma rede de prestadores de serviços e fornecedores que aprenderam os parâmetros de qualidade exigidos pela atividade. São desde marceneiros locais que fornecem caixas padronizadas com todos os requisitos exigidos, prestadores de serviços de logística (barqueiros, motoristas, carreteiros etc.) a fornecedores de insumos que passaram a emitir nota fiscal para o projeto.

Para encerrar, é importante ilustrar como hoje tornou-se fácil implementar projetos de meliponicultura no Pará e Amapá. Tanto em Curralinho como em Barcarena, locais novos que não fazem parte do projeto, foram implementados meliponários em poucos dias. Colmeias-matrizes disponíveis para a venda (sem redução de plantel), caixas padronizadas confeccionadas facilmente por marceneiros capacitados, logística conhecida e técnicos disponíveis para prestar assistência técnica.

Tecnologia social para aprendizagem do trabalho coletivo

Quando o projeto começou, em muitas comunidades havia apenas poucas colmeias iniciais para multiplicação. Esclarecendo para o grupo social que os recursos são limitados e não teria como o responsável técnico atender às famílias individualmente, as famílias entendem que terão que trabalhar junto durante um período determinado de multiplicação das colmeias para depois se dividirem. Nesse período, o amontoado de famílias começa a se enxergar enquanto grupo identitário, a noção de coletividade é aprimorada e o território compartilhado revela-se. A partir desse momento, a gestão sobre os recursos naturais e o próprio território se dinamiza.

Comercialização

Como a produção do mel ainda é pouca, a safra dura pouco meses, e as comunidades produtoras estão dispersas territorialmente, o instituto Peabiru entendeu que não compensaria buscar investimentos para uma casa de mel ou mesmo um entreposto nesse momento. A estratégia foi buscar um parceiro com capacidade disponível para beneficiar o mel. Encontrou-se um entreposto de mel com selo de inspeção federal (SIF) que registrou o produto no MAPA, o que dificilmente qualquer grupo comunitário conseguiria em curto ou médio prazo. Essa estratégia permite ainda eliminar de uma série de requisitos burocráticos como profissionais tanto de ordem sanitária quanto de ordem contábil-administrativa para um empreendimento do tipo. Esse aprendizado foi incorporado aos outros produtos trabalhados pelo Instituto Peabiru que serão beneficiados em parcerias tipo joint venture também.

Demais detalhes nos documentos anexos e notícias relacionadas.

Visite a galeria de fotos – Galeria de fotos do Projeto Néctar da Amazônia

 Produtos

Equipe Responsável

João Meirelles Filho, supervisão geral

Hermógenes Sá, coordenação – hermogenes@peabiru.org.br
Fernando Oliveira – coordenador técnico
Maíra Parente, administração – maira@peabiru.org.br

Técnicos de miliponários nas comunidades (bolsistas)

Terras Indígenas do Oiapoque, Oiapoque, AP

Anderson dos Santos Damasceno , Aldeia Açaizal, Karipuna

Manoel Evandro Damasceno Forte Karipuna, Aldeia Açaizal (articulador local),

Silas Maciel, Aldeia Tukay

Valber Rogério Jeanjacques, Aldeia São José dos Galybi (Galybi).

Territórios Quilombolas, Macapá, AP

Elielton Cirilo dos Santos, Mel da Pedreira

Arleson Miranda Fortunato, São Pedro dos Bois

Calha Norte – Almeirim, PA

Fábio Souza Gama, Lago Branco

Patrícia Serra Ferreira, Praia Verde

Calha Norte – Monte Alegre, PA

Mazinho Brito da Silva, comunidades de Monte Alegre

Curuçá, PA

Cleiton Santos

Contrato do Projeto

Clique aqui para baixar o contrato do projeto Néctar da Amazônia

 

Notícias do projeto Néctar da Amazônia

Clique aqui para ler as notícias do  nosso site sobre o projeto;

Veja aqui o que a imprensa fala do projeto

http://ciclovivo.com.br/noticia/mel-de-abelhas-nativas-pode-gerar-renda-para-1-milhao-de-agricultores-na-amazonia/

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